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Biden e Putin querem manter abertos canais de diálogo, dizem analistas

Apesar de fortes divergências e duras acusações mútuas, os presidentes norte-americano, Joe Biden, e russo, Vladimir Putin, devem manter as luvas calçadas e tentar manter abertos canais de diálogo na cimeira de Genebra, dizem analistas.

Biden e Putin querem manter abertos canais de diálogo, dizem analistas
Notícias ao Minuto

08:50 - 14/06/21 por Lusa

Mundo EUA/Rússia

Joe Biden vai guardar o último dia da sua visita à Europa, na quarta-feira, para se encontrar com Putin, depois de ter prometido, num recente artigo publicado no jornal The Washington Post, que lhe diria, olhos nos olhos, que não lhe permitiria "um comportamento que viole a soberania dos Estados Unidos", referindo-se às alegadas interferências nas eleições presidenciais norte-americanas.

Mas, no parágrafo anterior desse texto, Biden também escreveu que "os Estados Unidos não procuram um conflito" com a Rússia, mas antes preferem "um relacionamento estável e previsível", apesar de numa recente entrevista televisiva ter chamado "assassino" a Putin e lhe ter imputado graves acusações.

"É improvável que essas acusações de Biden constituam qualquer obstáculo sério ao diálogo. O principal motivo do desacordo entre os Estados Unidos não está no plano das relações pessoais", disse à Lusa Pavel Slunkin, investigador do fórum Carnegie Europe.

Para este especialista em Europa do Leste, Estados Unidos e Rússia guiam-se "essencialmente pelos seus interesses nacionais", fazendo diluir quaisquer inimizades ou antipatias que possam existir entre os seus líderes, pelo que defende que Putin e Biden continuem interessados em manter as vias de diálogo abertas.

Ana Isabel Xavier, professor de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa, acredita que a conversa entre Putin e Biden será "cordial, sim, mas não amistosa", lembrando que "é do interesse de ambos que não se procure diretamente o conflito", o que os levará a procurar "algum ponto de convergência a meio caminho".

Esta investigadora leu no artigo de Biden que o Presidente norte-americano utilizará o processo de extensão do tratado de controlo de armas, que está em discussão com Putin, como tópico para manter a "relação estável e previsível que interessa a ambos".

"Mas será nas entrelinhas da declaração final do encontro que poderemos confirmar que a relação entre EUA e Rússia atinge atualmente uma tensão sem precedentes, reforçada pela Crimeia - cujas sanções podem passar pelo veto ao projeto Nord Stream 2 - e mais recentemente pela Bielorrússia", explicou Ana Isabel Xavier.

Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana, lembra que "mesmo nos piores tempos da Guerra Fria, os EUA e a Rússia tiveram conversações diretas entre si, pelo que é normal que os presidentes realizem estas cimeiras", aproveitando para "manter canais de comunicação" e "aliviar a pressão de divergências entre os países".

"Mas não há grandes expectativas para um potencial 'reset' das relações entre os dois países, pois os temas abordados deverão continuar a dividi-los: a situação na Ucrânia, as relações da Rússia com os países da NATO, a Bielorrússia, as interferências russas nos processos eleitorais americanos ou as perseguições políticas aos adversários internos de Putin", disse à Lusa Nuno Gouveia.

"Um aspeto interessante que se discute muito em Washington é perceber se Joe Biden irá assumir posturas semelhantes às de George W. Bush ou Barack Obama, que iniciaram os mandatos em termos muito positivos com os russos e depois terminaram os seus mandatos em litígio absoluto com o Kremlin", acrescentou este especialista em política norte-americana.

Pavel Slunkin considera ser "impossível" o retomar do tratado de controlo de armas nucleares entre a Rússia e os EUA, sem a China, uma condição colocada ainda pelo ex-Presidente Donald Trump.

"A decisão tomada em Washington não foi impulsiva, foi equilibrada e orientada para o longo prazo. Por outro lado, a Rússia também não fará concessões sérias. As posições das partes são muito distantes para serem eliminadas num futuro próximo. Especialmente, tendo em conta a total falta de confiança entre Moscovo e Washington", defendeu este analista do Carnegie Europe.

Ao mesmo tempo, Slunkin considera que a reaproximação entre Moscovo e Pequim vai contra os interesses de Washington.

"Mas o Governo de Biden também sabe que o mero desejo de se oporem ao domínio americano não é suficiente para unir a Rússia e China numa frente única. Portanto, os Estados Unidos trabalharão paralelamente nas pistas russa e chinesa, jogando, entre outras coisas, nas diferenças nos objetivos de política externa de Moscovo e Pequim", explicou este analista.

"O facto do encontro (entre Biden e Putin) se realizar após a reunião do G7 e das cimeiras da NATO e com a UE é particularmente simbólico de como o Ocidente tem que estar unido em não ceder a Moscovo e de como os EUA querem assumir-se como porta-voz dessa intransigência", acrescentou Ana Isabel Xavier.

Leia Também: Cimeira Biden/Putin em busca de uma relação "estável e previsível"

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