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Irlanda do Norte. 'Unionistas' e republicanos unem-se contra a violência

O Governo da Irlanda do Norte, formado por 'unionistas' leais ao Governo britânico e republicanos favoráveis à unificação com a República da Irlanda, condenou hoje a violência "inaceitável e injustificável" dos últimos dias, devida a tensões exacerbadas pelo 'Brexit'.

Irlanda do Norte. 'Unionistas' e republicanos unem-se contra a violência

"A destruição, a violência e as ameaças de violência são completamente inaceitáveis e injustificáveis, independentemente das preocupações existentes nas comunidades", disseram as líderes da província britânica num comunicado conjunto, dizendo estar "seriamente preocupadas" com os incidentes ocorridos especialmente em bairros 'unionistas', que deixaram mais de 50 feridos na força policial.

O depoimento representa uma trégua no conflito aberto entre a líder do Partido Democrata Unionista (DUP), Arlene Foster, e chefe do Governo, identificada com os protestantes, com a número dois, Michelle O'Neill, líder do partido Sinn Féin na Irlanda do Norte, associada aos católicos. 

Foster pediu a demissão do chefe da Polícia, Simon Byrne, por não ter impedido a realização de um funeral com cerca de 2.000 pessoas em junho passado, em plena pandemia e contra as restrições em vigor, de Bob Storey, um líder do antigo grupo terrorista IRA, no qual O'Neill e outros dirigentes do Sinn Féin estiveram presentes. 

Na semana passada, o ministério público decidiu que não iria levar o caso a tribunal, mas Foster entende que Byrne devia ter impedido o evento, que considerou "uma manifestação pública de arrogância" que pôs em causa as regras para controlar a pandemia covid-19. 

A tensão política entre o DUP e o Sinn Féin é "palpável" e "raramente estão de acordo", criticou a deputada regional Sinead McLaughlin, do partido SDLP, hoje na Assembleia, acrescentando: "A roupa suja costuma ser lavada em público".

Além do descontentamento dos unionistas com o caso, a violência coincide com um agravar das tensões no território após o 'Brexit', pois entraram em vigor novas regras que determinam o controlo aduaneiros de mercadorias que chegam do resto do Reino Unido, criando uma "fronteira" dentro do país. 

O acordo foi elaborado para evitar uma fronteira física entre a Irlanda do Norte, território britânico, e a Irlanda, um Estado-membro da UE, uma vez que uma fronteira irlandesa aberta ajudou a sustentar o processo de paz construído pelo Acordo de Sexta-Feira Santa em 1998, que terminou com três décadas de violência sectária que provocou mais de 3.000 mortes. 

Há mais de uma semana que se registam distúrbios todas as noites na Irlanda do Norte, tendo pelo menos 10 pessoas sido detidas, incluindo vários jovens, um dos quais com 13 anos. 

Na noite passada, os manifestantes incendiaram um autocarro em Belfast e atacaram a polícia com bombas feitas com gasolina na área protestante de Shankill Road, enquanto outros manifestantes atiravam objetos em ambas as direções sobre o "muro da paz", que separa Shankill Road de uma área nacionalista irlandesa vizinha.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, condenou os distúrbios, e o Governo da Irlanda do Norte, com sede em Belfast, vai realizar hoje uma reunião de emergência com o tema em agenda.

Johnson pediu calma, dizendo que "a maneira de resolver as diferenças é por meio do diálogo, não da violência ou da criminalidade".

Leia Também: Irlanda do Norte. UE condena "nos termos mais fortes possíveis" violência

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