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Departamento de Estado dos EUA condena "genocídio" de uígur chineses

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, reiterou hoje a condenação do "genocídio" da minoria étnica uígur na China e a violência contra manifestantes em Myanmar (ex-Birmânia), assegurando que a Administração Biden "virou a página" em relação à anterior.

Departamento de Estado dos EUA condena "genocídio" de uígur chineses

Antony Blinken falava na apresentação do relatório anual, por país, do Departamento de Estado sobre Direitos Humanos, em Washington, relativo a 2020, e portanto na maior parte cobrindo o último ano da Presidência de Donald Trump, e elaborado de acordo com as instruções do anterior chefe da diplomacia, Mike Pompeo, com as quais manifestou discordância. 

Voltando a usar a expressão "genocídio" - rejeitada pela China - para caracterizar o tratamento dos muçulmanos uígures e de outras minorias na região de Xinjiang, no oeste da China, Bliken condenou também a repressão de manifestantes em Myanmar pelas Forças Armadas, na sequência do golpe de Estado de fevereiro.

Nomeou também o governo do Presidente sírio Bashar al-Assad por "atrocidades contínuas" cometidas contra a população, o "impacto devastador" da guerra no Iémen nos Direitos Humanos neste país, a perseguição de opositores como Alexei Navalny pelas autoridades russas, a corrupção praticada pelo líder venezuelano Nicolás Maduro e outras figuras do seu regime, e ainda restrições à liberdade de expressão em Cuba, Nicarágua, Zimbabué, entre outros países.

De modo geral, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana, a situação dos Direitos Humanos a nível global "continua a ir na direção errada".

Segundo o relatório, alguns governos "usaram a crise como pretexto para restringir direitos e consolidar regimes autoritários".

Apesar de a lista de países mais visados não registar grandes alterações em relação à apresentada pela anterior Administração, Blinken manifestou forte discordância com o seu antecessor em relação à pouca importância dada a alguns direitos, e revelou ter ordenado a inclusão de adendas ao relatório sobre mortalidade materna, discriminação de mulheres no acesso a saúde sexual e reprodutiva e políticas governamentais sobre acesso a contracetivos.

Segundo Blinken o relatório deste ano não reflete as prioridades da nova Administração e foram já dadas instruções para que próximas edições do relatório volte a incluir secções específicas sobre direitos reprodutivos.  

"Os direitos humanos (...) não têm hierarquia que torne uns mais importantes do que outros. Declarações anteriores desequilibradas que sugerem tal hierarquia (...) não representam um documento orientador para este governo", disse Blinken. 

"Prometi que (a Administração) Biden-Harris repudiaria essas visões desequilibradas. Fazemo-lo de forma decisiva hoje", adiantou.

 

Leia Também: ONU em "negociações" com a China para enviar representantes a Xinjiang

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