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Ébola: Sobe para quatro número de mortos na Guiné-Conacri

Conacri, 15 fev 2021 (Lusa) -- O número de mortos devido ao Ébola na Guiné-Conacri subiu hoje para quatro depois de ter sido detetado um novo surto da doença, na comunidade rural de Gouéké, província de Nzérékoré, segundo informação oficial.

Ébola: Sobe para quatro número de mortos na Guiné-Conacri
Notícias ao Minuto

19:36 - 15/02/21 por Lusa

Mundo Ébola

"Entre os doentes que foram hospitalizados em Nzérékoré, registámos uma morte hoje de manhã. Isso eleva o número de mortes para quatro", disse o diretor-geral adjunto da Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSS), Bouna Yattassaye, citado pela agência de notícias France-Presse.

Durante o fim de semana, houve alguma indefinição relativamente ao número de vítimas mortais relacionadas com o ressurgimento do vírus na Guiné-Conacri, cinco anos desde a última epidemia de Ébola na África Ocidental.

No sábado, o ministro da Saúde, Remy Lamah, tinha mencionado quatro mortes, um número corrigido para três no domingo pela ANSS, entre sete pessoas oficialmente infetadas.

Segundo as autoridades sanitárias, os sete infetados são membros da mesma família.

O primeiro caso identificado é de uma enfermeira de 51 anos de Gouécké, uma cidade de cerca de 23.000 habitantes perto de Nzérékoré, que morreu no final de janeiro.

As outras seis pessoas que adoeceram - o marido, um filho, dois irmãos, a mãe e a irmã - participaram no velório e no funeral da enfermeira.

Dois irmãos, de 38 e 42 anos, morreram. A quarta vítima é idosa, segundo Yattassaye, que não especificou se era a mãe ou irmã.

O marido da enfermeira, de 65 anos, está hospitalizado em Conacri.

A ANSS está a reforçar o seu sistema de receção de doentes e os Médicos Sem Fronteiras (MSF) preparam-se também para enviar para a região uma equipa de médicos, enfermeiros e operacionais de logística, que, de acordo com a chefe da missão, Anja Wolz, assegurarão o apoio às populações.

"Sabemos que quando uma doença tão assustadora é mal compreendida na comunidade e os indivíduos chegam subitamente a dar instruções, em trajes que se assemelham a fatos espaciais, pode facilmente gerar uma reação hostil", explicou.

Por seu lado, o representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Conacri, Alfred George Ki-Zerbo, adiantou que a prioridade é "completar a avaliação do risco no terreno e analisar a dimensão transfronteiriça" da propagação do vírus.

Estimou ainda que, no "melhor cenário", as primeiras vacinas contra o Ébola devem chegar à Guiné-Conacri "dentro de 72 horas".

Os novos casos surgiram na mesma região onde teve origem a maior epidemia de Ébola da história, entre 2014 e 2016, que alastrou posteriormente aos vizinhos Libéria e Serra Leoa, tendo causado mais de 11.300 mortos, 2.500 dos quais na Guiné-Conacri.

O vírus Ébola, que provoca febres altas, vómitos e diarreias, foi identificado pela primeira vez em 1976 na República Democrática do Congo (RDCongo) e deve o seu nome a um rio no norte do país, perto do qual teve origem o primeiro surto.

Os morcegos são considerados o hospedeiro natural do vírus, mas não desenvolvem a doença, enquanto outros mamíferos como os grandes símios, antílopes ou porcos-espinhos podem transportá-lo e transmiti-lo aos humanos.

O Ébola é transmitido entre humanos através de fluidos corporais como sangue ou fezes e tem uma taxa de letalidade muito elevada, que varia entre 50% e 90%, de acordo com a OMS.

Uma primeira vacina do Ébola, fabricada pelo grupo americano Merck Shape e Dohme, provou ser altamente protetora contra o vírus, num grande ensaio realizado na Guiné-Conacri em 2015.

Esta vacina, pré-qualificada em novembro de 2019 pela OMS para licenciamento, foi utilizada em mais de 300.000 doses numa campanha de vacinação orientada durante o último surto na RDCongo.

Uma segunda vacina experimental, dos laboratórios norte-americanos Johnson&Johnson, foi introduzida em outubro de 2019 como medida preventiva em áreas onde o vírus está ausente, e mais de 20.000 pessoas foram vacinadas.

Leia Também: Ébola: Pede-se resposta rápida a novos surtos na Guiné-Conacri e no Congo

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