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Adiado julgamento militares dos Camarões acusados da morte de 13 civis

O julgamento de três militares camaroneses acusados de envolvimento na morte de 13 civis, incluindo 10 crianças, numa aldeia do noroeste anglófono dos Camarões, em fevereiro, começou hoje no tribunal militar de Yaounde, mas foi adiado para 21 de janeiro.

Adiado julgamento militares dos Camarões acusados da morte de 13 civis

As autoridades camaronesas admitiram, em meados de abril, que dez crianças e três mulheres foram mortas a 14 de fevereiro por soldados apoiados pela milícia étnica Peule, no bairro de Ngarbuh, da aldeia de Ntumbaw, na região noroeste. Segundo a ONU, foram mortos pelo menos 23 civis naquela operação, incluindo 15 crianças (nove com menos de cinco anos) e duas mulheres grávidas.

Durante dois meses, as autoridades de Yaoundé negaram qualquer responsabilidade por parte do exército naquela operação, até terem aberto uma investigação sob pressão da comunidade internacional.

Durante a audiência de hoje, o representante do Ministério Público admitiu que as autoridades militares não dispunham de meios para processar todos os alegados perpetradores do massacre. "Conseguimos deitar as mãos a estas pessoas (referindo-se aos três soldados presentes na cadeira dos arguidos) porque estão sob comando militar", explicou.

O tribunal adiou então o julgamento para 21 de janeiro para que o Ministério da Defesa pudesse ser responsabilizado "civilmente" pelo massacre de fevereiro.

Os três soldados estão a ser processados por "homicídio, fogo posto e destruição, violência contra mulheres grávidas, violação de instruções".

O Ministério Público descreveu aqueles atos como "comportamento imoral suscetível de minar a honra e dignidade do exército".

Um quarto acusado, um civil, está "em fuga", de acordo com o Ministério Público. Mas todos enfrentam a hipótese de prisão perpétua.

"Aqueles que deram as ordens devem apresentar-se para se explicarem, para que a verdade possa prevalecer. Devem ser processados", disse Ernest Gbaka, um advogado de defesa, à agência de notícias francesa AFP, no final da audiência.

Os soldados e um grupo de autodefesa "invadiram" uma base rebelde separatista e, "após trocas de tiros, durante as quais cinco terroristas foram mortos a tiro", "descobriram que três mulheres e dez crianças tinham morrido em resultado da sua ação", admitiu a presidência camaronesa em abril.

Durante dois meses, Yaoundé tinha afirmado que as mortes de civis eram o resultado de um "infeliz acidente": a explosão de contentores de combustível, na sequência de trocas de fogo entre soldados e separatistas.

"Ngarbuh é um dos alvos de um ciclo prolongado de abusos militares perpetrados em regiões de língua inglesa", disse a Human Rights Watch numa declaração divulgada na segunda-feira, observando que "a impunidade tem sido uma das principais razões da crise anglófona".

A violência nas duas regiões de língua inglesa, Noroeste e Sudoeste do país, onde os grupos rebeldes separatistas e as forças de segurança têm lutado entre si nos últimos três anos, deixou mais de 3.000 pessoas mortas e 700.000 deslocadas.

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