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Presidentes do parlamento da RD Congo acusam diplomatas de interferência

Os presidentes das duas câmaras do parlamento da República Democrática do Congo (RDCongo) denunciaram hoje a "interferência" e o "ativismo" de diplomatas acreditados no país, num momento de 'rentrée' parlamentar marcada pelo regresso do antigo presidente, Joseph Kabila.

Presidentes do parlamento da RD Congo acusam diplomatas de interferência
Notícias ao Minuto

19:54 - 15/09/20 por Lusa

Mundo RD Congo

"O país enfrenta uma interferência estrangeira recorrente nos assuntos internos do Estado", disse o presidente do Senado, Alexis Tambwe Mwamba, no discurso que assinalou o início do novo ano parlamentar, na presença de Joseph Kabila.

Segundo Mwamba, "algumas representações diplomáticas constituíram-se como conselheiros das instituições públicas e dos atores políticos em exercício" e "as suas declarações e o seu ativismo contribuem, obviamente, para a desconfiança entre os congoleses".

"Pedimos ao Governo que recorde aos diplomatas na República Democrática do Congo, sejam eles quem forem, os requisitos dos seus deveres e o seu dever de reserva (...) que proíbe qualquer interferência nos assuntos internos", disse então a presidente da Assembleia Nacional, Jeanine Mabunda, aos deputados.

No final de agosto, os ativistas congoleses apelaram à "expulsão imediata" do embaixador ruandês na RDCongo, após uma controversa publicação na plataforma Twitter sobre um massacre no leste da RDCongo, em 1998.

O embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Kinshasa encorajou publicamente o Presidente Félix Tshisekedi a combater a corrupção e a impunidade dos crimes cometidos à margem dos conflitos, particularmente sob o regime de Joseph Kabila (2001-2019).

Em julho, o embaixador Mike Hammer e o secretário de Estado Adjunto para os Assuntos Africanos, Tibor Nagy, tinham saudado a demissão de um general congolês sob sanções ocidentais, John Numbi, por decisão do Presidente Tshisekedi.

Os presidentes das duas câmaras são da Frente Comum para o Congo (FCC), do antigo presidente Joseph Kabila, que tem a maioria na Assembleia Nacional e no Senado.

A FCC governa em coligação com o Presidente Tshisekedi. As tensões entre os dois parceiros não cessaram durante o "recesso parlamentar" de julho-agosto.

Neste contexto, Joseph Kabila sentou-se hoje no Senado, pela primeira vez desde que entregou o poder a Felix Tshisekedi, em janeiro de 2019, ocupando o cargo de "senador vitalício", que a Constituição garante aos ex-presidentes eleitos.

Os países ocidentais, especialmente os EUA, pressionaram Kabila e a sua equipa a abandonar o poder, nos últimos anos do seu regime.

O antigo presidente da RDCongo, Joseph Kabila Kabange, regressou hoje oficialmente à política, sentando-se, pela primeira vez, e por breves momentos no parlamento, num cenário de tensões no seio da coligação governamental.

Rodeado de operadores de câmara, o antigo chefe de Estado saiu pouco mais de meia hora depois de ouvir o discurso do presidente do Senado, Alexis Thambwe Mwamba, sentado na primeira fila, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jeanine Mabunda.

Nos bastidores, Joseph Kabila Kabange, filho de outro antigo Presidente da RDCongo, Laurent Kabila, continua a ser uma figura central na vida política, considerando os que lhe são próximos que está a equacionar regressar ao poder em 2023.

Mas as relações no seio da coligação têm vindo a deteriorar-se nos últimos meses.

Os litígios têm o seu epicentro em questões como o próximo presidente da Comissão Eleitoral, um projeto de reforma da justiça, e a proposta para a eleição do Presidente da República pelo parlamento prevista pelos membros da FCC.

Estas tensões políticas passaram para as ruas e, em julho, pelo menos dois manifestantes e um polícia foram mortos durante manifestações proibidas organizadas pelo partido presidencial, a União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), contra a escolha do novo presidente da comissão eleitoral, Ronsard Malonda.

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