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Ação de contestação a presidente de Timor-Leste é "subversiva"

Representantes das três bancadas do Governo no parlamento timorense consideraram hoje "subversivos" os elementos de um movimento de contestação ao Presidente da República, apesar de defenderem que a questão deve ser resolvida pela polícia.

Ação de contestação a presidente de Timor-Leste é "subversiva"

"Consideramos que a ação do movimento é uma ação subversiva. Pretendem criar um ambiente de desestabilização do país e provocar uma situação descontrolada", disse à Lusa Francisco Branco, da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), maior partido no parlamento.

Francisco Branco e representantes das bancadas do Partido Libertação Popular (PLP) e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) contestaram hoje as ações do movimento Resistência Nacional de Defesa da Justiça e Constituição de Timor-Leste, liderado por Ângela Freitas e Antonio Aitan-Matak.

Em particular, Branco referiu-se a um documento produzido pelo movimento e circulado publicamente, em que ameaçam recorrer a grupos de artes marciais e até "forças dissidentes das forças de defesa e da polícia armados".

"É um documento e uma ação que pretende criar a desestabilização do Estado e do país", afirmou.

As três bancadas consideram que a linguagem do documento é de "espírito subversivo" procurando "obrigar o Presidente da República a resignar do cargo, sob ameaça".

Apesar da contestação à ação do movimento, Francisco Branco disse discordar da decisão de envio hoje para as imediações da sede do movimento de um grupo de militares, depois do comandante das forças armadas ameaçar os dirigentes do grupo de prisão.

"Penso que o destacamento dos militares não deveria ter sido feito. Esta é uma questão que deve ser controlada pela polícia, que deu autorização para a manifestação [prevista para sexta-feira], e não pelos militares", referiu.

O comando das forças armadas timorenses destacou hoje um pequeno contingente de militares para a rua da sede do movimento.

Os militares armados foram destacados em três pontos da rua Água da Fonte, nas imediações do palácio do Governo, onde fica a sede do Partido Trabalhista (PT), liderado por Ângela Freitas, e que é sede do movimento.

"Se nesta ação pacífica do grupo surgir algum crime, eu próprio vou levar as forças para prender toda a liderança máxima que organizou esta ação. Eu vou mandar prender a Ângela e o Aitahan Matak. Se eles querem destituir os 'katuas' [mais velhos] através de uma manifestação, eu mando as forças atuarem e responsabilizo-me por responder em tribunal e pelos direitos humanos", ameaçou Lere Anan Timur, comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

Em declarações à Lusa, Ângela Freitas disse que não iria para já à sede do partido, por estar em diálogo com a polícia nacional e o Ministério Público pelo que considera ser "uma ação de intimidação" do comandante militar.

"Ouvimos as declarações do comandante Lere. Estas ameaças a um civil são um crime. Estamos num país democrático e tenho todo o direito de expressar a minha insatisfação pelo que considero serem violações à Constituição", disse à Lusa.

Ângela Freitas considerou que o destacamento de militares em torno da sede do seu partido configura "um comportamento de ditadura com forças militares, que é muito perigoso num país democrático".

Francisco Branco admitiu que é preciso "mais cuidado dos líderes militares nas declarações políticas", admitindo que neste caso "pode ter havido algum excesso" nos comentários de Lere Anan Timur.

"Temos que ver o outro lado positivo dos comentários que é tentar evitar o mal maior, de desestabilização", considerou.

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