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Hong Kong. Alemanha suspende tratado de extradição

A Alemanha anunciou hoje a suspensão do tratado de extradição com Hong Kong, numa reação à imposição da China da lei de segurança nacional e ao adiamento das eleições legislativas na antiga colónia britânica.

Hong Kong. Alemanha suspende tratado de extradição

"Tendo em conta os atuais acontecimentos, decidimos suspender o acordo de extradição com Hong Kong", lê-se num comunicado do ministro dos Negócios estrangeiros alemão, Keiko Maas.

Segundo Maas, o adiamento, anunciado hoje, das eleições legislativas em Hong Kong, por causa da pandemia de covid-19, no final de um mês marcado pela desqualificação de candidatos do movimento pró-democracia, constitui "um novo atentado aos direitos dos cidadãos" do território semi-autónomo.

"E isso preocupa muito" as autoridades alemãs, frisou o chefe da diplomacia da Alemanha.

Por várias vezes, prosseguiu Maas, Berlim expressou "claramente o desejo" de ver a China "cumprir as suas obrigações" decorrentes do direito internacional, que passam pela garantia das liberdades e dos direitos garantidos pela Constituição.

"[Tal] inclui nomeadamente o direito a eleições livres e justas. Os habitantes de Hong Kong têm esse direito", acrescentou.

A decisão de suspender o tratado de extradição foi encarada por Berlim logo após a imposição chinesa em Hong Kong.

No final de junho, após uma vaga de manifestações pelas liberdades fundamentais em Hong Kong, a China aprovou a lei de segurança nacional, contrariando o estipulado no estatuto de região autónoma definido no acordo de retrocessão da antiga colónia britânica, em 1997.

A nova lei prevê, entre outras medidas, punições a ativistas pelo separatismo, terroristas, a atos de subversão e a ingerências estrangeiras.

Hoje, a chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, nomeada por Pequim, anunciou o adiamento das eleições que deveriam permitir, em setembro, renovar o Conselho Legislativo (Legco, Parlamento).

A decisão avivou os protestos do movimento pró-democracia, que acusou Carrie Lam de instrumentalizar a pandemia para se proteger de uma derrota nas urnas.

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