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África lança plataforma para compras em bloco de testes à Covid-19

A União Africana (UA) vai criar uma plataforma eletrónica para compras em bloco de testes, materiais e equipamentos necessários à luta contra a covid-19, tendo já assegurado 15 milhões de testes para o continente, foi hoje anunciado.

África lança plataforma para compras em bloco de testes à Covid-19

A plataforma, que será apresentada oficialmente a 11 de junho pelo chefe de Estado sul-africano e presidente em exercício da União Africana, Cyril Ramaphosa, será um dos instrumentos da Parceria Estratégica para Acelerar a Testagem (PACT, na sigla em inglês), hoje lançada na habitual conferência de imprensa do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças (África CDC).

"O objetivo é estabelecer uma plataforma de compra, armazenamento e distribuição de materiais para apoiar os países na resposta à covid-19", disse o diretor do África CDC, John Nkengasong.

Segundo explicou, cada país inserirá as suas necessidades em matéria de luta contra a covid-19 e a plataforma irá depois procurar no mercado os materiais e equipamentos a preços muito mais competitivos, que os países bilateralmente não conseguirão negociar.

"É uma oportunidade para desbloquear a cadeia de abastecimento e de gestão dos materiais e equipamentos que necessitamos para lutar contra a covid-19", acrescentou.

John Nkengasong adiantou que a plataforma, mesmo antes de ser lançada oficialmente, já conseguiu garantir para o continente 15 milhões de testes por mês durante os próximos seis meses e que há já cinco países a usar a plataforma em modo de teste, escusando-se, no entanto, a dizer quais.

"Com isto, acho que o acesso aos testes está muito facilitado", disse.

Além da plataforma, a PACT tem ainda como objetivo acelerar até aos 10 milhões nos próximos três ou quatro meses o número de testes realizados no continente, atualmente nos 3,5 milhões e mobilizar um milhão de trabalhadores comunitários para o combate à pandemia.

O África CDC quer ainda treinar 100 mil profissionais de saúde para apoiar a resposta à covid-19.

Em média, os países africanos estão a fazer 1.700 testes por milhão de habitantes, apontou o diretor do África CDC, considerando que é preciso acelerar o processo.

Num continente com 1,3 mil milhões de habitantes, o nível de testes devia estar nesta altura nos 12 milhões, acrescentou.

"A PACT vai mudar completamente a dinâmica. Há países que nos contactam a pedir ajuda por não saberem onde comprar os materiais, apesar de terem dinheiro", disse.

O diretor do África CDC adiantou que, paralelamente, os enviados da União Africana estão a trabalhar com as organizações e os sistemas multilaterais para garantir que há "dinheiro disponível" no continente, tendo desbloqueado "milhares de milhões" que irão diretamente para os países.

"Cabe agora aos ministérios das Finanças e da Saúde dos países gerirem esses dinheiros e assegurar que são usados na PACT", sustentou.

Sobre a evolução da pandemia relativamente à semana passada, John Nkengasong, assinalou que a taxa de letalidade da doença no continente está agora nos 2,8% com uma média diária de 5.400 novos, comparados com os 4.000 casos da semana anterior.

"O aumento do número de casos não é necessariamente uma coisa má e pode ser resultado do aumento do número de testes realizados. É melhor saber onde estão os doentes, do que não saber, mas os números em África ainda vão piorar muito antes de começarem a melhorar", disse.

Também presente na conferência de imprensa, a comissária para os Assuntos Sociais, Amira Elfadil Mohammed, defendeu que os países podem ser mais ambiciosos na testagem e diagnóstico dos doentes com covid-19.

"A meta de 10 milhões de testes não é o nosso limite, é apenas o que planeamos fazer com as nossas capacidades e nos períodos definidos, mas as nossas expectativas é que os países façam ainda mais. Podem duplicar este número", disse.

Para Amira Elfadil Mohammed, sem medicamentos ou vacinas eficazes, a solução para controlar a pandemia no continente passa por "prevenir mais infeções fazendo mais testes".

"Apoiando os países membros a fazer mais testes, a identificar as pessoas doentes e a isolá-las, seremos capazes de controlar o vírus e minimizar o número de transmissões e esta é, por agora, a ferramenta mais eficaz contra a doença", sublinhou.

O número de mortos em África devido à covid-19 subiu hoje para 4.601, mais 108, em mais de 162 mil casos, nos 54 países, segundo os dados da pandemia no continente.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o número de mortos passou de 4.493 para 4.601 (+108), enquanto o de infetados subiu de 157.322 para 162.673 (+5.351).

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 382 mil mortos e infetou mais de 6,4 milhões de pessoas. Mais de 2,7 milhões de doentes foram considerados curados.

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