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Narcotráfico pode ter-se infiltrado nas forças de segurança venezuelanas

Elementos pertencentes a grupos de crime organizado relacionados com o narcotráfico podem ter-se infiltrado nas forças de segurança na Venezuela, segundo um relatório divulgado hoje pela Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE) da ONU.

Narcotráfico pode ter-se infiltrado nas forças de segurança venezuelanas
Notícias ao Minuto

14:09 - 27/02/20 por Lusa

Mundo ONU

"<span class="news_bold">Há indícios de que, na República Bolivariana da Venezuela, os grupos de criminosos organizados conseguiram infiltrar-se nas forças de segurança governamentais e criaram uma rede informal conhecida como 'Cartel de los Soles' para facilitar a entrada e saída de drogas ilegais", explicam os autores do relatório.

O documento, divulgado hoje em Viena, Áustria, dá conta de que "nos últimos anos, grupos de criminosos organizados transportaram grandes quantidades de drogas ilícitas para a Europa e os Estados Unidos, a partir da Colômbia, passando pela Venezuela".

"Para controlar esse tráfico, em particular o tráfico de cocaína a través da América Central com destino aos Estados Unidos, os grupos de criminosos organizados controlam os portos marítimos e as aeronaves ligeiras, com as quais realizam voos ilegais", refere-se no documento.

A JIFE é "um órgão independente e quase judicial constituído por especialistas, criado pela Convenção Única sobre Estupefacientes de 1961" e integra 13 pessoas, dez propostas por diversos governos e três pela Organização Mundial da Saúde.

Segundo a fundação Insight Crime, dedicada ao estudo do crime organizado (a principal ameaça para a segurança nacional e dos cidadãos na América Latina e Caraíbas", o nome "Cartel de los Soles" está relacionado com as estrelas douradas dos generais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) e foi usado pela primeira vez em 1993 no âmbito de uma investigação contra os responsáveis pelo combate ao narcotráfico, Ramón Guillén Dávila e Orlando Hernández Villegas, seu sucessor.

Segundo Insight Crime, os Estados venezuelanos de Zúlia, Táchira e Apure, fronteiriços com a Colômbia, são as localidades venezuelanas com maior atividade de narcotráfico.

Em 2019 o ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN, serviços de informação) da Venezuela, Hugo Armando Carvajal Barrios, foi acusado pelos Estados Unids de fazer parte do "Cartel de los Soles", estando atualmente em parte inserta, depois de ter permanecido alguns meses em Espanha, onde a polícia terá tentado detê-lo.

Altos funcionários do Exército da Venezuela e do Governo venezuelano têm sido acusados ou sancionados, pelas autoridades norte-americanas, desde 2002, por crimes relacionados com o tráfico ilícito de substâncias estupefacientes e psicotrópicas.

Em alguns casos, os acusados, uma vez conhecida a acusação internacional, foram ascendidos pelo Governo venezuelano.

A Venezuela e a Colômbia partilham 2.219 quilómetros de fronteira comum.

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