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Indígenas e áreas protegidas da Amazónia são a "melhor solução climática"

Indígenas e áreas protegidas da Amazónia são "a melhor solução" para as mudanças climáticas, pelo que os Governos devem fortalecer a legislação ambiental e combater a "impunidade" criminal na região, diz um estudo publicado na segunda-feira.

Indígenas e áreas protegidas da Amazónia são a "melhor solução climática"
Notícias ao Minuto

00:43 - 28/01/20 por Lusa

Mundo Estudo

No estudo, publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, os investigadores apontam que as comunidades indígenas na Amazónia "amortecem" as emissões de carbono e exercem um "papel crucial" na preservação da biodiversidade.

"Para salvar a Amazónia, os territórios indígenas devem permanecer protegidos", afirmou um dos investigadores, Steve Schwartzman, acrescentando que o estudo detetou que as reservas indígenas "reduziram a desflorestação e a degradação" daquela floresta nos últimos 20 anos.

As análises patentes no documento mostram que a floresta Amazónia libertou cerca de 1.290 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, das quais os territórios indígenas registaram a menor perda líquida da substância.

O cientista Wayne Walker, que também participou no estudo, indicou que o trabalho comprovou que "as florestas sob a administração de povos indígenas e comunidades locais" ainda têm "melhores resultados de carbono do que as terras que não têm proteção".

Contudo, os investigadores alertaram que a legislação ambiental foi suavizada nos últimos anos e que os Governos "estão a enfraquecer as proteções ambientais", "a violar os direitos indígenas" e "a encorajar a impunidade" face aos crimes perpetrados na região.

"A situação está a colocar em risco a existência dos nossos povos e nossos territórios, que contêm as florestas mais densas em carbono do mundo", frisou Tuntiak Katan, um dos autores do estudo e membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazónica (COICA).

Embora a investigação tenha sido conduzida antes da eleição do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que chegou ao poder 01 de janeiro de 2019, os investigadores alertaram que a situação será "cada vez mais urgente".

No estudo, os autores enfatizaram que Bolsonaro "reduziu ainda mais as proteções" e as inspeções ambientais, e sublinharam que a revisão das normas que regem o Fundo Amazónia, financiado pela Noruega e Alemanha, levou a uma "efetiva paralisação" dessas verbas, destinadas à preservação da maior floresta tropical do mundo.

"Políticas orientadas pelo Governo desencadearam uma nova onda de apropriação e especulação de terras", contribuindo para "os picos recentes de desflorestação e incêndios generalizados", expressaram os líderes do estudo.

Bolsonaro já foi criticado em várias ocasiões por defender uma maior flexibilidade na legislação ambiental, bem como da exploração mineira e agrícola em terras indígenas.

Os investigadores concluíram que "continua uma questão em aberto" se as atuais políticas do Presidente brasileiro, "que têm o potencial de apagar décadas de progresso", possam ser influenciadas por "pressões políticas em contrário".

A investigação envolveu cientistas e especialistas do Centro de Pesquisa norte-americano Woods Hole (WHRC), da Coordenação de Organizações Indígenas da Bacia Amazónica (COICA), da Rede Amazónica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), do Fundo de Defesa Ambiental (FED) dos Estados Unidos, e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM).

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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