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Khashoggi. ONU, Amnistia e Repórteres Sem Fronteiras contra decisão

As organizações Amnistia Internacional, ONU e Repórteres sem Fronteiras criticaram hoje a Justiça saudita pelas cinco condenações à morte pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, e de afastar as acusações ao príncipe herdeiro e a um conselheiro.

Khashoggi. ONU, Amnistia e Repórteres Sem Fronteiras contra decisão

"A sentença serve para branquear [as acusações] e não faz justiça nem mostra a verdade a Jamal Khashoggi e aos seus familiares", disse hoje, em comunicado, a diretora da unidade da Amnistia Internacional para o Médio Oriente, Lynn Maalouf, classificando o julgamento como "um processo injusto".

"Esta sentença não aborda o envolvimento das autoridades sauditas no crime", acrescentou, lembrando que o julgamento foi realizado à porta fechada.

Também a relatora especial das Nações Unidas sobre execuções sumárias Agnès Callamard criticou a decisão, afirmando, numa mensagem publicada na rede social Twitter, que o assassínio de Khashoggi é uma "execução extrajudicial pela qual a Arábia Saudita é responsável".

A organização Repórteres Sem Fronteiras já tinha reagido, hoje de manhã, referindo que a "justiça foi desrespeitada" e considerando que a sentença pode ser uma forma de calar testemunhas.

"A justiça foi desrespeitada com a condenação à morte, [em julgamento] à porta fechada de cinco sauditas" pela morte do jornalista, afirmou o secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire.

O julgamento não respeitou "princípios de justiça internacionalmente reconhecidos" e a condenação pode ser apenas "uma maneira de silenciar para sempre as testemunhas do assassínio", disse.

Não foram apenas organizações internacionais que reagiram à sentença do tribunal saudita.

Em Londres, o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelou à Arábia Saudita para que "assegure que todos os responsáveis [pelo assassínio] sejam responsabilizados", enquanto a Turquia -- onde aconteceu a morte -- considerou que a decisão do tribunal "fica aquém das expectativas do país e da comunidade internacional".

Um tribunal de Riade condenou hoje cinco sauditas à morte pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, mas nenhuma acusação foi feita ao suspeito Saud al-Qahtani, um conselheiro próximo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, referido pela CIA e pela ONU, assim como pela comunicação social norte-americana e turca, como coordenador da operação patrocinada pelo príncipe herdeiro.

Jamal Khashoggi, jornalista crítico do poder em Riade que colaborava nomeadamente com o The Washington Post, foi estrangulado em 02 de outubro por agentes sauditas no consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde foi tratar de documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca.

Os seus restos mortais nunca foram encontrados, mas o assassínio teve impacto a nível mundial.

Após ter inicialmente negado a morte do jornalista, a Arábia Saudita acabou por admitir o assassínio do jornalista e anunciou a prisão de 18 pessoas, mas as declarações pareciam planeadas para proteger o príncipe herdeiro saudita de um maior escrutínio sobre o crime, como considerou a Amnistia Internacional.

Riade indicou que o homicídio tinha sido uma "operação fora de controlo" do Estado, supervisionada por dois altos responsáveis que foram destituídos depois.

A Turquia pediu a extradição de 18 sauditas detidos por suspeita de envolvimento no assassínio, tendo Riade recusado e afirmado que seriam julgados na Arábia Saudita.

Os advogados dos suspeitos pediram para conhecer as acusações exatas contra os seus clientes e um período para as analisar, mas, apesar de o tribunal ter aceitado os seus pedidos, não marcou qualquer data para uma nova audiência.

Fontes próximas do processo disseram que vários dos réus se defenderam em tribunal dizendo que estavam a cumprir ordens do general Ahmed al-Assiri - outro dos conselheiros próximos do príncipe herdeiro saudita -, descrevendo-o como "o líder" da operação.

Tanto Ahmed al-Assiri como Saud al-Qahtani foram alvo de ordens de prisão emitidas no início de dezembro pelas autoridades turcas por alegado envolvimento na morte de Khashoggi.

Das 11 pessoas acusadas neste caso, cinco foram condenadas à morte, três a penas de prisão que totalizam 24 anos, e as restantes foram absolvidas.

Os condenados podem recorrer, de acordo com o texto do comunicado de imprensa.

O tribunal realizou um total de nove audiências na presença de representantes da comunidade internacional e de parentes de Jamal Khashoggi, tendo concluído que o assassínio de Khashoggi "não foi premeditado".

No entanto, a CIA e a relatora especial das Nações Unidas sobre execuções sumárias afirmaram que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita está ligado ao assassínio, acusações que Mohammed bin Salman nega.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, recusou aceitar a posição da CIA e defendeu que não havia provas sólidas para a acusação.

As Nações Unidas e os grupos de direitos humanos pediram uma investigação independente sobre o assassinato.

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