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Ex-noiva de Khashoggi dececionada com inação internacional face a Riade

A ex-noiva do jornalista saudita Jamal Khashoggi mostrou-se hoje "dececionada com todos os países" e os organismos internacionais por não terem tido "qualquer ação" contra a Arábia Saudita.

Ex-noiva de Khashoggi dececionada com inação internacional face a Riade

Segundo Hatice Cengiz, "a nula capacidade ou habilidade" das instituições para impor sanções à Arábia Saudita deveria provocar "uma preocupação generalizada", depois de o então seu noivo ter sido assassinado no consulado saudita em Istambul, Turquia, em outubro do ano passado.

As afirmações de Cengiz foram feitas durante a apresentação da campanha 'Justice for Jamal', que decorreu em Roma, no Clube da Imprensa Estrangeira, onde se deslocou para falar também no Senado, a convite da senadora Emma Bonino.

"Que ninguém tenha sido punido, quando todos sabemos o que se passou, é vergonhoso para a humanidade", considerou Hatice Cengiz.

Esta estudante universitária turca, que ia casar com Khashoggi, exigiu também que o homicídio "seja investigado com mais profundidade", depois de um relatório da ONU, de junho, ter encontrado provas de o assassínio do jornalista e escritor, crítico severo do regime saudita, ter sido "premeditado" e orquestrado por "membros de alto nível da administração saudita".

Em particular, Cengiz criticou a realização em Riade da cimeira do grupo das 20 principais economias, o designado G20, em 2020, bem como a organização na capital saudita, no próximo fim de semana, da final da Supertaça italiana, entre a Juventus e a Lazio, eventos que "promovem um país que patrocinou um assassínio de Estado".

"A pessoa que mais queria na minha vida foi assassinada na embaixada da Arábia Saudita e quando ouço que a Itália vai jogar uma partida no seu território rompe-se-me o coração", disse.

A Arábia Saudita vai também acolher a Supertaça de Espanha, entre 08 e 12 de janeiro, que vai contar com Barcelona, Atlético de Madrid, Real Madrid e Valência.

Kahshoggi, que era um colaborador regular do The Washington Post, foi ao consulado saudita em Istambul, onde residia, em 02 de outubro de 2018, para tratar de documentação relativa ao seu casamento com Hatice Cengiz, mas nunca chegou a sair das instalações diplomáticas.

A investigação que se seguiu concluiu que 15 pessoas tinham viajado da Arábia Saudita para a Turquia, onde assassinaram, esquartejaram e incineraram o jornalista, um crime de Estado, segundo a relatora da ONU para as execuções extrajudiciais, Agnes Callamard.

Também a CIA pôs em causa o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (MBS), que desmentiu ter ordenado o assassínio deste jornalista, apesar de admitir a responsabilidade pelo ocorrido, enquanto dirigente do reino.

MBS tem procurado recuperar a imagem saudita através, designadamente da organização de competições desportivas, como, além das mencionadas, o rally Dakar no início de 2020 ou um encontro de futebol amigável, entre o Brasil e a Argentina, feito no mês passado.

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