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Duelo entre candidatos "anti-sistema" na segunda volta das presidenciais

A segunda volta das eleições presidenciais na Tunísia vai opor o jurista independente Kais Saied e o magnata dos media atualmente na prisão Nabil Karoui, anunciou hoje a Instância eleitoral (Isie).

Duelo entre candidatos "anti-sistema" na segunda volta das presidenciais
Notícias ao Minuto

17:26 - 17/09/19 por Lusa

Mundo Tunísia

Segundo os resultados oficiais, Saied obteve 18,4% dos votos e Karoui 15,58%, declarou em conferência de imprensa o presidente da Isie, Nabil Baffoun.

O escrutínio de domingo passado afastou da segunda volta das presidenciais os representantes do poder dos anos pós-revolução de janeiro de 2011, que derrubou a ditadura do Zine El Abidine Ben Ali deu início à designada Primavera árabe.

A formação de inspiração islamita Ennahdha (Partido do Renascimento), principal força do parlamento, apenas garantiu a terceira posição para o seu candidato Abdelfattah Mourou (12,88%), confirmando a erosão do seu eleitorado desde 2011. Quanto ao primeiro-ministro cessante, Youssef Chahed, terminou num modesto quinto lugar (7,4%).

Pouco antes do anúncio oficial dos resultados, o Ennahdha felicitou os dois vencedores, desmentindo implicitamente os rumores sobre uma eventual desqualificação de Karoui por "ilegalidades" durante a campanha, e que poderia impor a presença de Mourou na segunda volta.

Na segunda-feira, a Isie revelou que vai analisar eventuais infrações às presidenciais, incluindo a campanha quase exclusiva em favor de Nabil Karoui promovida pela cadeia televisiva Nessma TV, que ele fundou.

Os advogados de Karoui, acusado de branqueamento de dinheiro e fraude fiscal, e em prisão preventiva desde 23 de agosto, indicaram que vão solicitar um novo pedido de libertação após a confirmação dos resultados. A Isie já precisou que Karoui vai permanecer elegível caso mantenha os seus direitos cívicos.

O presidente da Isie, ao referir-se a uma taxa de participação "aceitável" de 45%, convidou ainda os partidos e a sociedade civil a "analisarem os motivos destes números".

No único país que sobreviveu à degenerescência da Primavera árabe, a missão de observação da União Europeia assegurou hoje que a primeira volta das presidenciais foi "transparente". No entanto, apelou para que todos os candidatos tenham "as mesmas hipóteses de fazer campanha plenamente", numa aparente alusão da Karoui.

Em função dos recursos, a segunda volta poderá ser organizada em 06 de outubro, no mesmo dia das eleições legislativas, ou em 13 de outubro, precisou a instância eleitoral.

O desfecho permanece uma incógnita, pelo facto de os dois candidatos, muito diferentes, Kais Saied um austero jurista independente e Nabil Karoui um controverso magnata dos media, se terem apresentado no mesmo registo "anti-sistema".

O desemprego, que atinge mais de 15% da população, incluindo numerosos jovens diplomados, a inflação que agrava o quotidiano da população, na generalidade com baixos salários, ou o contínuo agravamento da qualidade dos serviços públicos contribuíram para aumentar o ressentimento face aos poderes instalados após a revolução de 2011.

Este sentimento de revolta foi ainda agravado pelo desempenho de uma classe política que se envolveu em intermináveis lutas de egos.

A detenção de Karoui a dez dias do início da campanha, que o próprio considerou uma "injustiça", confirmou o seu estatuto "marginal" face ao sistema, mesmo que durante muito tempo tenha sido um importante apoio do presidente Béji Caid Essebsi, que morreu em 25 de julho, forçando à antecipação destas eleições, inicialmente agendadas para 17 de novembro.

Kais Saied, um universitário que faz jus à sua independência e desligado das elites, propõe uma descentralização radical do poder, com uma democracia local e revogação dos eleitos no decurso do mandato.

"Os problemas sociais não serão resolvidos pelo poder central", declarou na segunda-feira à agência noticiosa AFP. "Não vendo um programa, cabe aos cidadãos decidir, fazerem grandes coisas para vencer a miséria". Saied é ainda apontado pelas suas posições muito conservadoras nas questões sociais.

As disputas partidárias já foram despoletadas, em particular na ótica das legislativas, cruciais num regime parlamentar misto. Mas as eleições de 06 de outubro deverão redesenhar a paisagem política, atendendo à rejeição dos partidos tradicionais expressa no escrutínio de domingo, e uma provável fragmentação da paisagem política do país magrebino.

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