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Brexit torna eleições no Reino Unido uma espécie de referendo

O Brexit vai dominar a campanha para as eleições europeias no Reino Unido e o resultado poderá ser lido como uma espécie de referendo dos eleitores, que vão poder escolher entre partidos eurocéticos e euro-entusiastas.

Brexit torna eleições no Reino Unido uma espécie de referendo

"A expectativa generalizada é que estas eleições sejam vistas na prática como um referendo ao Brexit", resumiu à agência Lusa o politólogo Alex de Ruyter, professor e Diretor do Centro de Estudos sobre o Brexit da universidade Birmingham City.

O facto de o país continuar num impasse relativamente ao processo de saída da União Europeia (UE) torna este assunto dominante na campanha, com dois novos partidos formados apenas em redor deste assunto, o Partido Brexit e o Change UK.

Dirigido pelo ex-líder do UKIP Nigel Farage, o Partido Brexit está determinado em explorar a insatisfação popular com devido à perceção de que o parlamento bloqueou a concretização do referendo de 2016, quando 52% dos eleitores votaram pelo Brexit.

Além dos votos à direita, desviados do UKIP, de reputação manchada devido à associação a figuras da extrema-direita e a um discurso islamofóbico, e do partido Conservador, Farage quer atrair o apoio de eleitores desiludidos com a ambiguidade do partido Trabalhista nesta questão.

O eurodeputado eurocético acredita ainda que "existem muitas pessoas que votaram pela permanência [na UE] que acreditam que a democracia é tão fundamental para este país, para quem somos como povo, que, a menos que a vontade do povo seja respeitada, alguma coisa terá de mudar para sempre na nossa nação".

Esta diversidade é refletida no leque de candidatos, que inclui a ativista de esquerda e antiga comunista Claire Fox, a antiga deputada conservadora Ann Widdecombe e o empresário de origem paquistanesa Ben Habib.

As sondagens refletem a popularidade de Farage, mas a liderança pertence ao Trabalhista, que mantém a estratégia de se posicionar como o partido do consenso, tentando apelar tanto aos 'remainers' como aos 'brexiters'.

O líder, Jeremy Corbyn, defende o 'Labour' como "o único partido com um plano para unir o nosso país" e para "por fim ao caos causado pelos conservadores", focando nos "grandes problemas que o nosso país enfrenta", uma forma, segundo de Ruyter de se esquivar à questão.

Apesar da pressão para colocar no programa eleitoral uma promessa de apoio a um novo referendo, Corbyn optou por uma redação ambígua, que só admite um "voto público" que não conseguir um acordo de saída "sensato" ou eleições legislativas antecipadas.

Depois de uma derrota pesada nas eleições locais de 02 de maio, o partido Conservador deverá ser mais uma vez castigado não só por eleitores frustrados com a desunião interna e o fracasso em concretizar o resultado do referendo de 2016, mas por opositores ao Brexit.

As previsões de um "massacre" desencorajam o partido a fazer uma campanha ativa e visível, sem lançamento oficial e sem um programa, embora tenha enviado um panfleto com a fotografia de Theresa May ao lado da frase "O único partido que pode concretizar o Brexit é o partido Conservador".

No campo pró-europeu, as alternativas são mais diversas, com destaque para os Liberais Democratas, cujo discurso tem sido consistente em tentar reverter uma saída drástica da UE, favorecendo a realização de um novo referendo.

O lema da campanha, "Bollocks to Brexit', copia os termos grosseiros da máxima usada pelos que querem parar o Brexit e é um ataque frontal ao partido de Nigel Farage.

O bom resultado nas eleições autárquicas reflete a estrutura que possui a nível local, ao contrário do principiante Change UK, formado por deputados dissidentes do partido Trabalhista e do partido Conservador como Chukka Umunna e Anna Soubry.

Com um programa que se resume à proposta de um novo referendo sobre o Brexit, vai concorrer com vários candidatos de entre 7.300 que se propuseram espontaneamente, como o antigo jornalista da BBC Gavin Esler, Rachel Johnson, irmã do eurocético Boris Johnson, e o economista e antigo vice primeiro-ministro das Finanças polaco Jan Vincent-Rostowski.

Estas duas formações vão ter de discutir votos com outros partidos anti-Brexit, como os nacionalistas SNP e Plaid Cymru, na Escócia e País de Gales, respetivamente, e os Verdes, que na sua campanha dão também destaque às credenciais ambientalistas e à luta contra as alterações climáticas.

Alex de Ruyter antevê uma "fragmentação do voto, com os principais partidos - particularmente os conservadores - a sofrer em termos de participação, dada a sua incapacidade de articular uma posição clara sobre o Brexit".

Contudo, nem uma derrota humilhante deverá derrubar Theresa May nem contribuir para um acordo entre o governo e o Labour, garante o académico, que considera um segundo referendo cada vez mais provável, possivelmente no outono.

O Reino Unido elege 73 eurodeputados e a votação decorre na quinta-feira 23 de maio, mas os resultados só serão conhecidos no domingo, depois de fecharem as mesas em todos os Estados membros.

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