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Reconstrução da emblemática catedral mobiliza doações à escala mundial

Das grandes fortunas francesas a fundações, passando por uma cidade húngara ou por um reino costa-marfinense, a reconstrução da catedral de Notre-Dame, devastada na segunda-feira por um incêndio, está a gerar uma vaga de doações à escala mundial.

Reconstrução da emblemática catedral mobiliza doações à escala mundial
Notícias ao Minuto

17:26 - 16/04/19 por Lusa

Mundo Notre-Dame

Mais de 1.500 quilómetros (num trajeto feito por carro) separam Szeged (sul da Hungria) e Paris, mas as autoridades desta cidade húngara não ficaram indiferentes às imagens da destruição da catedral de Notre-Dame, classificada como um símbolo de Paris e "uma joia única do património mundial", e anunciaram hoje uma doação de 10 mil euros para ajudar na reconstrução do monumento.

Há mais de um século, Szeged, atualmente com cerca de 160 mil habitantes, ficou destruída por grandes inundações e na altura, segundo recordaram as autoridades locais, a cidade recebeu ajuda da capital francesa para se reerguer.

"Há 140 anos, Paris forneceu uma ajuda para a reconstrução de Szeged após as grandes inundações, agora num espírito de solidariedade europeia, Szeged ajuda Paris", declararam as autoridades da cidade, localizada a cerca de 160 quilómetros de Budapeste.

A autarquia de Szeged, cidade que deu a uma das suas principais avenidas o nome de Paris como sinal de gratidão, também está a apelar aos seus habitantes para que façam doações individuais para a reconstrução da catedral de Notre-Dame.

Do continente africano, nomeadamente da Costa do Marfim (antiga colónia francesa), surgiram também palavras de solidariedade e de incentivo para a reconstrução de Notre-Dame.

O rei de Krindjabo, capital do reino de Sanwi, no sudeste da Costa do Marfim, anunciou que vai também contribuir para a reconstrução da catedral, onde foi batizado na década de 1700 Louis Aniaba, um príncipe daquele reino que também foi agraciado com a insígnia 'Ordem da Estrela de Notre-Dame'.

"Estou em plenas consultas com os meus notáveis e vamos fazer uma doação para a reconstrução do monumento", disse, em declarações à agência France Presse (AFP) o rei Amon N'Douffou V, sem especificar valores.

"As imagens [do incêndio] perturbaram-me o sono e não consegui dormir, porque esta catedral representa uma forte ligação entre o meu reino [Sanwi, um protetorado francês após julho de 1843) e França", indicou o soberano da etnia akan, um grande grupo que se estende da Costa do Marfim ao Togo.

O incêndio que deflagrou na segunda-feira à tarde na emblemática catedral de Notre-Dame, em Paris, demorou cerca de 15 horas até ser extinto e destruiu parcialmente um dos edifícios icónicos da capital francesa.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu, na segunda-feira à noite, que a catedral do século XII, um dos monumentos históricos mais visitados da Europa, será reconstruída.

As doações de empresas e das grandes fortunas francesas para financiar a reconstrução da catedral de Notre-Dame superavam hoje à tarde os 600 milhões de euros.

A família herdeira do grupo L'Oréal, Bettencourt-Meyers, e a multinacional francesa de cosmética anunciaram uma doação de 200 milhões de euros, montante que se junta aos 200 milhões de euros anunciados pela família Arnault (a primeira fortuna de França) e pelo grupo do segmento de luxo LVMH, que detém marcas como a Louis Vuitton, a Dior, a Bvlgari e a Marc Jacobs.

O grupo petrolífero Total e a família Pinault, dona do grupo de luxo Kering, o segundo grupo mundial no setor do luxo e que detém marcas como a Gucci, a Yves Saint Laurent e a Boucheron, também anunciaram uma doação de 100 milhões de euros, respetivamente.

Uma vaga de solidariedade sem precedentes "que se deve ao estatuto totalmente excecional de Notre-Dame", frisou à AFP François Debiesse, líder da associação Admical, que promove o mecenato corporativo.

Numa altura em que especialistas admitem que serão necessários 10 a 15 anos para restaurar Notre-Dame, a vaga de doações para voltar a erguer a catedral está igualmente a mobilizar anónimos, organismos estatais e regionais e fundações privadas.

A Fundação do Património é um desses exemplos, tendo criado uma página na Internet para angariar fundos, que registou um forte congestionamento. Hoje de manhã, mais de 11,5 milhões de euros tinham sido angariados, segunda a fundação, que tem como objetivo atingir os 100 milhões de euros.

A Câmara de Paris, através da presidente Anne Hidalgo, anunciou uma contribuição de 50 milhões de euros, com a autarca a avançar com outra medida: "Vou propor ao Presidente que organizemos juntos, nas próximas semanas, uma grande conferência internacional dos doadores (...) com o objetivo de conseguir os fundos necessários para a restauração".

A região Ile-de-France (Paris) desbloqueou, por sua vez, 10 milhões de euros de "ajuda de emergência para ajudar a arquidiocese a avançar com os primeiros trabalhos".

Outros municípios franceses (Chalon, Rennes, Nantes, Bordeaux, Toulouse, entre outros) seguiram o mesmo exemplo e avançaram com ajuda financeira.

"Quando existe uma tal energia, um tal desejo de solidariedade entre os nossos compatriotas, um amplo número de personalidades, de pessoas em todo o mundo que querem contribuir para a reconstrução de Notre-Dame, devemos apoiarmo-nos neste entusiasmo", congratulou-se o ministro da Cultura francês, Franck Riester.

Entre os vários sinais de solidariedade fora das fronteiras francesas, está igualmente a associação French Heritage Society (Nova Iorque), dedicada à preservação do património arquitetónico francês, que lançou um apelo de doações entre os seus 450 membros.

No Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), uma urna foi colocada à entrada do hemiciclo para recolher os donativos dos eurodeputados.

"Majestoso e sublime edifício", como escreveu em 1831 o escritor francês Victor Hugo, a catedral de Notre-Dame foi edificada em 1163 e iniciou a função religiosa em 1182, embora os trabalhos de construção tenham prosseguido até 1345.

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