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Guterres alerta para uma "batalha ideológica" contra os valores da ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu hoje que o mundo está a viver uma "batalha ideológica", afirmando que os valores que norteiam as Nações Unidas, como a paz, justiça, tolerância e solidariedade, estão atualmente "sob ataque".

Guterres alerta para uma "batalha ideológica" contra os valores da ONU

"Não podemos esquecer as lições dos anos 30. Nunca pode haver espaço para o discurso do ódio, da intolerância ou da xenofobia", declarou Guterres numa intervenção numa sessão informal da Assembleia-Geral que marcou o início dos trabalhos da organização internacional para 2019.

"Vamos combatê-los a qualquer momento, em qualquer lugar", insistiu.

Diante dos representantes dos Estados-membros da ONU, o ex-primeiro-ministro português lembrou que os "políticos populistas", os "nacionalistas antiquados" e os "fundamentalistas religiosos" tentam explorar as inseguranças das populações em épocas de mudança, como a atual.

Hoje, segundo destacou António Guterres, ideias "nocivas" que lembram o passado estão a tornar-se populares e estão a surgir no centro do debate político.

Como tal, defendeu o representante, as Nações Unidas e os governos têm de compreender "as ansiedades, os medos e as preocupações das pessoas" se quiserem proteger os valores defendidos pela organização internacional.

"Temos de ir às causas que levam as pessoas a sentirem-se abandonadas no nosso mundo em rápida mutação", insistiu o responsável, salientando que as instituições não se podem esquecer de ninguém, "do mineiro ao trabalhador de uma linha de montagem, passando por todos aqueles que se sentem desamparados ou afetados pela crise, que têm medo de ficar para trás".

Na intervenção, o secretário-geral da ONU identificou algumas das grandes áreas de atuação para 2019: as alterações climáticas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (que integram 17 metas como a erradicação da pobreza e da fome, educação e saúde de qualidade e igualdade de género) e as novas tecnologias.

"Vamos mostrar ao mundo que nos preocupamos", defendeu.

"Precisamos de uma nova campanha sobre valores a favor dos direitos humanos e da dignidade humana que valorizamos e que deve ser real na vida de todos", salientou Guterres, mencionando o atual retrato do mundo, marcado por conflitos que ameaçam milhões de pessoas, por níveis recorde de deslocados muitas vezes associados às alterações climáticas, por situações de fome, por disputas comerciais e por ameaças ao Estado de Direito.

"Num contexto assim, não é difícil entender porque tantas pessoas estão a perder a fé na classe dirigente, duvidando que os seus governos nacionais se preocupam com elas e colocando em dúvida o valor das instituições internacionais", disse.

Na terça-feira, Guterres anunciou que vai apresentar nos próximos meses propostas para corrigir a fraca situação financeira da organização que, segundo o representante, não pode continuar.

"A semana passada alertei os Estados-membros sobre os problemas financeiros graves que a nossa organização enfrenta", disse Guterres.

"Se nada for feito, eles podem pôr em risco o funcionamento das nossas operações", advertiu na terça-feira o secretário-geral da ONU.

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