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May em corrida contra o tempo para salvar esta incógnita chamada Brexit

Theresa May está numa corrida contra o tempo para tentar salvar o acordo de Brexit alcançado.

May em corrida contra o tempo para salvar esta incógnita chamada Brexit
Notícias ao Minuto

09:15 - 11/12/18 por Pedro Filipe Pina 

Mundo Reino Unido

A 29 de março, o Reino Unido estará oficialmente fora da União Europeia. Mas como será? São muitas as dúvidas a ter em conta neste momento.

Ontem, a primeira-ministra britânica decidiu adiar a votação no parlamento britânico que podia garantir o acordo do Brexit. Este era o plano A mas era um plano falível. A razão é simples: o acordo que Theresa May tinha para apresentar aos deputados britânicos ia ser rejeitado.

O Tribunal de Justiça Europeu fez saber recentemente que o Reino Unido pode decidir 'matar' o Brexit unilateralmente. Mas esta não é a hipótese que está em cima da mesa. 

Ao adiar a votação, May evitou o que seria uma derrota pesada (que poderia ser superior a mais de uma centena de votos de parlamentares, como sugerem projeções no Reino Unido). No entanto, não foi reagendada nova votação. A jogada política de May passa por colocar os deputados entre a decisão de aceitar o que já foi acordado com a União Europeia ou arriscar uma saída sem acordo com consequências imprevisíveis.

Saliente-se que May não está errada: Donald Tusk, e recentemente Jean-Claude Juncker, já fizeram saber que as negociações estão encerradas. Da parte da União Europeia só há margem para "garantias adicionais". Resta saber se será suficiente.

Esta terça-feira, May tem uma pequena 'tour' europeia, agendada à última hora. Tomará o pequeno-almoço em Haia com Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, seguindo depois para a Alemanha para um encontro com a Chanceler Angela Merkel.

Além de Merkel e Rutte, May tem também previstos encontros nos próximos dias com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a quem vai expor a situação. Depois da 'tour' desta terça-feira, May voltará quarta-feira a Londres, e estará quinta-feira e sexta-feira no Conselho Europeu sobre o Brexit, que incluirá uma discussão sobre o cenário de 'não-acordo'.

As "garantias adicionais" poderão incluir o 'backstop', uma espécie de solução temporária sobre a fronteira da Irlanda com a Irlanda do Norte. Mas esta é uma hipótese que causa discórdia e que já foi criticada por dezenas de deputados, incluindo do próprio partido Conservador.

A fragilidade política

Theresa May assumiu o Brexit como seu embora na campanha não fosse favorável à saída. Já no poder, após substituir David Cameron, foi a eleições que venceu, mas perdendo pelo meio algum peso parlamentar. Entretanto, no último ano, May viu o seu governo ser alvo de saídas de relevo, entre elas a de Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros que foi uma das vozes mais ativas pelo 'Sim' à saída no referendo ao Brexit.

Esta semana, como deu conta a BBC, estão a crescer as vozes de contestação no seio do próprio partido. E tudo isto acontece  ao mesmo tempo que Nicola Sturgeon, a primeira-ministra da Escócia, aumenta a pressão. Sturgeon já anunciou que votará a favor de uma moção de censura contra May caso esta seja apresentada pelo Partido Trabalhista, na oposição. Esta não é uma declaração surpreendente, já que na Escócia o Brexit nem sequer tinha saído vencedor do referendo.

A incerteza já se faz sentir

Inevitavelmente, a libra foi afetada pelas dúvidas que rodeiam o Brexit. Citado pelo Independent, Simon Harvey, analista na Monex Europe, expôs o problema de forma simples: "Quando os mercados pensavam que a incerteza tinha atingido o seu pico, o adiamento de May mostrou que não". 

Jeremy Corbyn, líder dos trabalhistas, poderá mesmo avançar com uma moção de censura que poderia levar à queda do Governo de May. A primeira-ministra britânica encontra-se, por isso, 'acossada' de vários lados e com uma margem cada vez menor para levar o Brexit a 'bom porto'. Entretanto, o tempo não pára.

O adiamento da votação serviu de fôlego momentâneo a May. Resta saber como é que o Reino Unido irá destrinçar o novelo de incógnitas em que se vê enredado. Neste fase, o plano A parece ter falhado. E não há um plano B consistente para o substituir. 

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