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Bolsonaro vai "mudar destino do Brasil", seguindo "ensinamentos de Deus"

Jair Bolsonaro foi este domingo eleito o novo presidente brasileiro, sucedendo a Michel Temer. O candidato do Partido Social Liberal (PSL) toma posse no próximo dia 1 de janeiro.

Bolsonaro vai "mudar destino do Brasil", seguindo "ensinamentos de Deus"
Notícias ao Minuto

00:48 - 29/10/18 por Anabela de Sousa Dantas 

Mundo Presidenciais

Jair Bolsonaro (PSL) foi este domingo eleito o 38.º Presidente da República Federativa do Brasil com 55,1% dos votos. Numa das eleições mais polarizadas de sempre em terras de Vera Cruz, venceu aquele que era o candidato mais polémico, e sem nunca ter participado num debate eleitoral.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro conseguiu quase 58 milhões de votos, ao passo que Fernando Haddad (PT) se ficou pelos 47 milhões de votos (44,9%), uma diferença de 11 milhões de eleitores.

De acordo com o G1, a percentagem de votos nulos foi a maior desde 1989 e a soma de abstenções, votos nulos e votos em branco ultrapassa os 30% de todo o universo eleitoral.

O capitão do exército reformado, que é defensor da ditadura militar, é, paralelamente, o 9.º presidente da Nova República brasileira (iniciada no final da Ditadura Militar, em 1985), facto que é visto como um retrocesso na democracia. Essa não foi, porém, a opinião da maior parte do povo brasileiro, desiludido e frustrado com os escândalos de corrupção e com a recessão económica brasileira, que associam ao Partido do Trabalhador (PT), a Lula da Silva e, por conseguinte, ao candidato que era seu representante, Fernando Haddad.

“Faço de vocês minhas testemunhas de que este Governo será um defensor da Constituição, da democracia, e da liberdade. Isso é uma promessa, não de um partido, não é uma palavra vã de um homem, é um juramento a Deus”, afirmou Jair Bolsonaro, num discurso conservador e tradicional, onde também manifestou a vontade de se afastar do “socialismo, o comunismo, o populismo e o extremismo da esquerda”.

Jair Messias Bolsonaro, sublinhe-se, assentou a sua carreira política de quase três décadas em posições polarizantes, discursos extremados, defesa da autoridade do Estado e dos valores da família tradicional e cristã. Sempre encarado como um político marginalizado, utilizou a polarização para capitalizar um momento de fratura na política e na sociedade brasileira.

"O que eu mais quero é, seguindo ensinamentos de Deus, ao lado da Constituição brasileira e com uma boa assessoria técnica, isenta de indicações políticas, começar a fazer um governo que possa realmente colocar nosso Brasil num lugar de destaque. Temos tudo para ser uma grande nação", continuou o novo presidente, este domingo.

Fernando Haddad, um candidato pouco conhecido, que saiu beliscado pelo partido que o tentava apoiar, manifestou-se de forma tranquila, mas decisiva, saídos os resultados. "Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora. Eu coloco a minha vida à disposição deste país, tenho a certeza que falo por milhões de pessoas", afirmou Haddad, numa intervenção de cerca de oito minutos, durante a qual nunca se referiu Jair Bolsonaro.

Portugal, aquele que é o maior colégio eleitoral do Brasil na Europa e o terceiro maior do mundo, poderia ter servido como uma espécie de antecâmara para os resultados no Brasil. Em Lisboa, Bolsonaro venceu com 4.475 votos (64,4%) contra 2.473 votos (35,5%) do candidato do PT. No Porto, venceu com 66,5% dos votos. Resta ainda saber o resultado de Faro.

Tanto o primeiro-ministro, António Costa, como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiram logo no domingo às eleições presidenciais brasileiras, ambos cumprimentando o presidente eleito e lembrando as relações bilaterais entre os dois países.

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  • Fernando Haddad explica aos jornalistas porque não ligou a Bolsonaro, para o parabenizar:

  • O presidente brasileiro, Michel Temer, dirigiu-se ao país após o anúncio da vitória de Jair Bolsonaro e mostrou-se confiante de que o presidente "fará um governo de paz e harmonia", que o Brasil precisa.

  • "Cuba espera-vos, Haddad e Manuela". Apoiantes de Bolsonaro entoam cânticos dirigidos à esquerda.

  • Filho de novo presidente do Brasil, Eduardo Bolsonaro, também saiu à rua para discursar.

  • "Nós temos uma tarefa enorme no país, que é, em nome da democracia, defender o pensamento, as liberdades desses 45 milhões de brasileiros que nos acompanharam. Temos a responsabilidade de fazer uma oposição colocando os interesses nacionais acima de tudo. Temos um compromisso com a prosperidade desse país", continuou Haddad. "Vi muitas pessoas com medo e angustiadas nos últimos dias. Não tenham medo. Estamos aqui, de mãos dadas e com coragem", continuou.

  • Fernando Haddad, candidato derrotado nesta corrida presidencial, fala agora aos brasileiros. "Vivemos um período em que as instituições são colocadas à prova a todo instante. A começar por 2016, quando tivemos o afastamento da presidente Dilma. Depois, a prisão injusta do presidente Lula. Mas nós seguimos", disse Haddad.

  • Depois de um primeiro discurso via redes sociais, o novo presidente brasileiro falou aos jornalistas, pela primeira vez desde que começou a campanha presidencial, e enunciou algumas linhas para o que se segue para o país.

    “Faço de vocês minhas testemunhas de que esse governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa, não de um partido, não é a palavra vã de um homem, é um juramento a Deus”, indicou.

    "Emprego, renda e equilíbrio fiscal é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos. Quebraremos o círculo vicioso do crescimento da dívida, substituindo pelo círculo virtuoso de menores déficits", afirmou Jair Bolsonaro.

  • "Vamos juntos mudar o destino do Brasil. Sabíamos para onde estávamos indo, agora sabemos para onde queremos ir", afirmou o novo presidente.

  • "O que eu mais quero é, seguindo ensinamentos de Deus, ao lado da Constituição brasileira e com uma boa assessoria técnica, isenta de indicações políticas, começar a fazer um governo que possa realmente colocar nosso Brasil num lugar de destaque. Temos tudo para ser uma grande nação", continuou.

  • "Não poderíamos mais ficar flertando com o socialismo, o comunismo, o populismo e o extremismo da esquerda", acrescentou o novo presidente do Brasil, numa nova referência a países como a Venezuela.

  • "Fizemos uma campanha diferente das outras. Nossa bandeira, nosso slogan, eu fui buscar naquilo que muitos chamam de caixa de ferramentas para consertar o homem e a mulher, a Bíblia sagrada", disse Bolsonaro no seu discurso após conhecida vitória eleitorial.

  • Jair Bolsonaro, 38.º Presidente da República Federativa do Brasil e 9.º presidente da Nova República brasileira, fala em direto através do Facebook.

  • Na ala de Jair Bolsonaro, há tumulto mas, acima de tudo, celebração.

  • Com 92% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro (PSL) tem 55,63% dos votos e é o novo presidente do Brasil. Fernando Haddad (PT) tem 44,37%. A diferença entre eles é de 10,9 milhões de votos. Apoiantes de Bolsonaro já festejam vitória do seu candidato.

  • Resultados parciais: Bolsonaro 55,7%, Haddad 44,3%. Saíram os resultados parciais numa altura em que estão apurados 88% dos votos e dão vitória ao candidato Jair Bolsonaro com 55,7% dos votos. Fernando Haddad reúne 44,3% das preferências de voto. Estes resultados deverão sofrer alguma alteração à medida que forem sendo contabilizados os restantes votos.

  • Sondagens à boca da urna dão 56% a Jair Bolsonaro e 44% a Fernando Haddad.

  • Recorde-se que no primeiro turno, realizado a 7 de outubro, Jair Bolsonaro conseguiu 46,03% dos votos (mais de 49 milhões de votos) e Fernando Haddad 29,28% (mais de 31 milhões de votos). Bolsonaro esteva a um triz da maioria absoluta na primeira volta, com 49% do votos, mas esta vantagem acabou por se diluir à medida que se foram contabilizando os resultados do nordeste brasileiro, onde nove estados deram vantagem a Haddad (Pará, Maranhão, Piauí, Baía, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte) e um a Ciro Gomes (Ceará).

  • O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou o número de urnas eletrónicas substituídas para 4.333, o que representa 0,74% do total de 454,4 mil urnas utilizadas este ano.

  • Estão nesta altura apurados 67% dos votos para as eleições presidenciais, de acordo com o G1. Resultados parciais deverão sair às 22h00 horas de Lisboa.

  • Candidatos pró-Bolsonaro perto de vencer de acordo com sondagens à boca da urna para as eleições estaduais, de acordo com o Ibope. Em São Paulo, João Dória (PSDB) está à frente com 52%; no Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) reúne 55% dos votos; em Minas Gerais, Romeu Zema, candidato do NOVO, tem 66%  das preferências de voto. Todos são apoiantes de Bolsonaro.

  • Fecharam as urnas no fuso horário de Brasília, horário oficial do Brasil, que abrange a maior parte dos estados brasileiros (desde Distrito Federal a regiões Sul, Sudeste e Nordeste). É o segundo fuso horário a chegar às 17h locais, depois de Fernando de Noronha, mas é o mais significativo. Seguir-se-ão os fusos horários da Amazónia (21h de Lisboa) e do Acre (22h de Lisboa). Só depois das 22h serão conhecidos resultados parciais.

  • Em São Paulo, uma discussão entre dois homens, apoiantes dos diferentes candidatos, acabou numa cena de pancadaria, que obrigou à intervenção da polícia. O momento foi gravado por uma jornalista do jornal A Folha de São Paulo.

  • Regina Duarte é uma das artistas brasileiras que tem sido mais aberta no seu apoio a Jair Bolsonaro. Este domingo, ao votar, em São Paulo, voltou a defender a sua escolha. "Fui ali ajuda à transformação de um Brasil melhor. Pus o meu [voto] na reta pelo 17 Brasil [Bolsonaro]. Voto genuíno pelo bem coletivo, acredito que essa seja a solução, se não for nós vamos lá e trocamos, o Brasil é do povo", indicou, em declarações à imprensa.

  • Vários artistas brasileiros foram votar acompanhados com livros, com os quais se deixaram fotografar em jeito de protesto contra a eleição de Jair Bolsonaro. A ação por parte da classe artística é uma espécie de manifesto contra a ameaça à democracia. Em baixo alguns exemplos, como Debora Falabella, Mariana Ximenes e Taís Araújo.

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Votando em BH com o coração cheio de esperança e acompanhada pela poesia mineira de Ana Martins Marques #haddadsim 

Uma publicação partilhada por Débora Falabella (@deborafalabellaoficial) a 28 de Out, 2018 às 9:03 PDT

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Esse é um livro q eu adoro, de 2 escritores que admiro muito: #ClariceLispector & #FernandoSabino. E o nome é “Cartas Perto do Coração” - foi assim q eu votei: com o meu coração, aliado à razão, pela democracia.

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Fui votar hoje com o livro que mais amo nas mãos, votei com orgulho e com a certeza que o que muda mesmo um país é a educação de seu povo.

Uma publicação partilhada por Taís Araujo (@taisdeverdade) a 28 de Out, 2018 às 10:56 PDT

  • Bolsonaro vence em Lisboa. O candidato da extrema-direita venceu a votação nas 27 assembleias de voto em Lisboa, conquistando 64,4% dos 6.948 votos válidos, segundo os resultados oficiais. Fernando Haddad obteve 2.473 votos (35,5%).

  • A segurança dos presidentes. De acordo com o G1, o candidato que perder continuará a ser escoltado por um destacamento da Polícia Federal até 72 horas depois da eleição. O candidato vencedor será acompanhado até à tomada de posse.

  • Bolsonaro vence em Timor-Leste, Sydney e Melbourne. A comunidade de eleitores brasileiros em Timor-Leste votou maioritariamente a favor de Jair Bolsonaro, tendência que se repetiu nos países da região. Dos 44 votantes que participaram na eleição de hoje em Díli, 27 votaram a favor de Bolsonaro e 11 de Fernando Haddad, tendo-se registado cinco votos nulos. 

    Resultados de outras votações na região confirmam a vitória ampla de Bolsonaro, que obteve 63,35% dos votos em Sydney, na Austrália (1196 votos) contra os 734 de Haddad (34,64%), tendo-se registado 224 votos brancos ou nulos.

    Em Melbourne, Bolsonaro obteve 131 votos e Haddad 75.

  • Jair Bolsonaro venceu a votação em Luanda, obtendo 91 dos 166 votos expressos (54,81%), contra 67 (40,36%) de Fernando Haddad.

  • Duas pessoas morreram nas mesas da voto, este domingo. Ambas as mortes aconteceram no Rio de Janeiro. Depois de um homem de 50 anos ter tido um ataque cardíaco na mesa de voto da Baixada Fluminense, também uma mulher, de 51 anos, teve um enfarte na assembleia de voto do Tijuca Ténis Clube.

Notícias ao MinutoFernando Haddad, aclamado pelos seus apoiantes, segura uma rosa© Reuters

Notícias ao MinutoJair Bolsonaro e a esposa, Michelle, votaram no Rio de Janeiro© Reuters

  • Os brasileiros que votaram este domingo em Lisboa dividem-se sobre qual o melhor candidato para o país, dizendo que Bolsonaro representa o regresso à ditadura militar, mas criticando Haddad pela corrupção, insegurança e "roubalheira"

    O cônsul do Brasil em Lisboa disse, também à agência Lusa, que pelas 20h00 já deverá ser possível saber os resultados da votação dos brasileiros em Portugal, adiantando que a afluência aparenta ser superior à das últimas eleições.

  • "Independente de quem suba para assumir a Presidência do nosso país, espero que o povo se una. Que não fique esta guerra com as pessoas brigando umas com as outras. As pessoas têm que olhar para a frente e, independente de quem assumir a presidência, temos que cobrar", disse Mateus Felipe da Silva Santos, de 24 anos, à agência Lusa, a partir da Avenida Paulista.

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Este domingo, mais de 147 milhões de brasileiros escolhem o seu próximo presidente da República. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) medirão o alcance da sua influência no povo brasileiro, naquelas que serão, provavelmente, as eleições presidenciais mais polarizadas do Brasil.

O candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, saiu da primeira volta desta eleição com 46% da preferência eleitoral, uma confortável vantagem sobre Fernando Haddad, que conseguiu 29%. Com ambos os candidatos a partilharem de elevadas taxas de rejeição, a volta decisiva, mesmo com sondagens favoráveis a Bolsonaro, não é dado adquirido.

Bolsonaro, antigo capitão do exército, mantinha dez pontos percentuais de vantagem sobre o seu adversário petista, Haddad. Na sondagem de sábado realizada pela Datafolha, o candidato do PSL reunia 55% das intenções de voto, ao passo que a candidato do PT reunia 45%.

Recorde-se que, para além de escolher o próximo presidente brasileiro, estas eleições irão selecionar democraticamente 14 governadores, com segundas voltas a decidirem os representantes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minais Gerais, Rio Grande do Sul, Rondónia, Roraima, Sergipe, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe.

As assembleias de voto foram abertas às 08h00 locais e encerram às 17h00 locais, de cada fuso horário. As primeiras urnas fecharão às 20h00 de Lisboa e as últimas urnas a encerrar são as do estado do Acre, ou seja, quando o relógio marcar 22h00 em Lisboa.

Em Portugal, as urnas abriram às 08h00 e fecharam às 17h00. Os brasileiros puderam votar na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, no Consulado-Geral do Brasil em Faro e no Consulado Geral do Brasil no Porto.

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