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'Pais domésticos': Quando é o homem a largar o trabalho pelos filhos

Em Portugal esta realidade não é muito comum, mas existe. No Dia em que se celebra o Pai, falámos com a psicóloga Inês Afonso Marques para perceber como é encarada a situação em que são os pais a ficar em casa a tomar conta dos filhos, bem como qual o papel do pai na sociedade atual.

'Pais domésticos': Quando é o homem a largar o trabalho pelos filhos
Notícias ao Minuto

08:15 - 19/03/18 por Mariana Botelho

Lifestyle Dia do Pai

Farto do trabalho e levado a refletir sobre a própria vida aquando da morte do seu pai biológico, Randall demite-se do trabalho, decidindo que é tempo de ficar em casa, mais próximo das duas filhas. A mulher, Beth, aceita a decisão e ajuda-o no processo de ficar em casa com as crianças a tempo inteiro, tarefa que, até ali, fora assumida por ela.

Falamos, pois, de um caso fictício, o da série 'This is Us', que retrata vários assuntos comuns no seio familiar. Mas o tema dos ‘pais domésticos’ é real e por isso procurámos desmistificá-lo junto da psicóloga Inês Afonso Marques, coordenadora da Equipa Infanto-Juvenil da Oficina de Psicologia.

Embora admita não conhecer nenhum caso deste género em particular, Inês Afonso Marques - que aponta o exemplo semelhante que decorre de desempregos forçados – acredita que a sociedade atual já rompeu com a ideia de que é a mulher quem deve ficar em casa a tomar conta das crianças, uma ideia que prevaleceu durante bastante tempo:

“Achava-se que a natureza teria dado à mulher as ferramentas essenciais para ser a única pessoa responsável pelo bem-estar físico, emocional e social dos filhos. A educação, bem como o cuidado dos filhos eram encarados como responsabilidades exclusivas das mães”, lembra a psicóloga ao Notícias ao Minuto. Já o papel do pai, era visto como secundário. O homem “era visto como o “ganha-pão” da casa e, como tal, era encarado como uma figura ausente, de autoridade e disciplina”, acrescenta.

Porém, Inês acredita que, “à partida, pais e mães têm a mesma capacidade para cuidar e educar os filhos”, isto porque “a capacidade de educar uma criança nada tem a ver com o número de tarefas que se realiza em simultâneo. Tem sim a ver com atenção, dedicação e afeto”.

A capacidade de educar uma criança nada tem a ver com o número de tarefas que se realiza em simultâneo“Felizmente”, desabafa, “o pai começou a ganhar destaque na educação e desenvolvimento dos filhos, podendo e envolvendo-se mais e estando mais presente”

Não só as famílias adotam esta ‘mudança’ que foi gradual e não imposta, como o próprio Governo, que já apoia mais os pais neste processo, por exemplo, com a licença de paternidade.

E, para a criança, esta situação que pode até ser menos comum aos olhos da sociedade, nem é notada. É lhe indiferente desde que a suas necessidades sejam garantidas - desde cuidados básicos de alimentação, higiene e segurança ao afeto e brincadeira.

Tal indiferença vem da “forma como os adultos encaram as situações”, aponta a especialista: “Quando os adultos encaram com naturalidade aquilo que à partida pode ser encarado como menos habitual, as crianças aceitarão a ‘diferença’ sem que a questionem. Não temos de ser, nem fazer as crianças ser, reféns de pré-conceitos decorrentes de construções sociais, feitas pelos adultos.”

A verdade é que não há grande diferença nos dias de hoje em ser o pai ou a mãe a ficar em casa. Como refere a psicóloga, “são papéis que se complementam”. “A presença dos pais no crescimento dos filho é tão importante como a das mães, para o seu desenvolvimento físico, social, emocional e cognitivo. O importante é que o pai esteja disponível e que construa laços afetivos fortes, que serão a base para um crescimento saudável.”

Pai e mãe: O impacto das questões de género na educação

A diferença entre a presença do pai ou da mãe associada meramente a questões de género, “não preconiza impacto na educação e desenvolvimento da criança”, diz Inês Afonso Marques, que indica que mesmo quando ambos os pais trabalham, os aspetos mais impactantes prendem-se principalmente com o estilo parental de cada um, que pode ser mais permissivo, autoritário ou negligente.

Sobre este aspeto, a psicóloga resume que “cada família é uma família”. “Não identifico um padrão quanto ao pai assumir um papel mais autoritário do que a mãe, nas famílias que acompanho. Há, de facto, famílias em que quando um dos pais assume um papel mais autoritário, ele é assumido pela mãe. As distinções que a criança faz decorrem daquilo que os adultos fazem e daquilo que a criança observa.”

Em suma, na sociedade atual e no caso particular de Portugal, "é seguro afirmar que o papel do pai é tão importante quanto o da mãe. Uma realidade que adveio de várias metamorfoses sociais, ambas com figuras parentais que tentam conciliar uma vida profissional e uma vida familiar com filhos.”

O pai deixou de ser periférico e passou a ser central na família

As expectativas que cada homem tem acerca do seu próprio papel enquanto pai, estão assim a ganhar importância sobre as expectativas sociais que se baseiam no preconceito que se tem (cada vez menos) acerca do papel do homem na família.

Segundo a psicóloga, “o pai deixou, então, de ser periférico e passou a ser central na família. O homem encontrou outra forma de se envolver na vida familiar, ao mesmo tempo que a mãe se voltou para o mundo exterior, não deixando de estar presente na família. Presentemente, os homens já têm consciência da necessidade de participarem na educação dos filhos e a perceção de que a paternidade responsável faz deles seres mais felizes e completos.”

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