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  • 27 OUTUBRO 2021
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O seu animal também sofre com o calor. Eis o que deve fazer por ele

Água sempre disponível, refeições mais pequenas e mais frequentes, passeios quando a temperatura é amena e espaços sempre o mais arejados possível. Tem aqui todos os conselhos para proporcionar um verão de qualidade ao seu animal de estimação.

O seu animal também sofre com o calor. Eis o que deve fazer por ele

Por muito que passemos meses a fio a sonhar com o verão, a verdade é que assim que as temperaturas ultrapassam os 30 graus começamos a sofrer... literalmente. Mas não somos só nós, também os patudos têm dificuldade em lidar com o calor.

"Se é perigoso para nós, é perigoso para eles", começa por nos dizer o médico veterinário Thierry Correia, também Field Trainer Scientific Communication na Royal Canin Portugal.

Em conversa com o Lifestyle ao Minuto, o especialista dá todos os conselhos necessários para proporcionar um verão de qualidade aos animais de estimação e deixa um alerta.

É fundamental evitar manter animais em locais pouco arejados nem que seja por escassos minutos, pois para um gato ou para um cão isso pode ser nefasto e bastante grave.

Que cuidados básicos devem ter os donos quando as temperaturas sobem?

Deve-se tentar sempre manter o animal num local fresco e arejado e fazer com que tenha uma disponibilidade de água quase infinita, ou seja, é importante que o animal tenha sempre água fresca disponível, sempre. Estas são as principais recomendações, tal como se daria a uma criança ou a uma pessoa idosa.

Fundamentalmente, deve-se ter em atenção a hidratação e que os animais estejam num local arejado, com temperaturas amenas e confortáveis.

Há alguma quantidade de água que deva ser respeitada?

Não há nenhuma quantidade de água específica, o que importa é que haja sempre água disponível e fresca. Se for um gato, devem existir vários pontos de água. Em vez de ter apenas um só bebedouro, deve ter vários bebedouros disponíveis para aumentar o consumo de água, porque, sobretudo nos gatos, quantos mais locais tiverem água, mais eles consomem água.

A partir de que temperatura devem soar os alarmes de perigo para os animais?

Os animais de estimação têm forma de arrefecer diferente da do homem. Nós conseguimos suar, que é um mecanismo de defesa para conseguirmos baixar um bocadinho a nossa temperatura, mas os animais de estimação não têm essa capacidade. O cavalo tem, mas não é um animal de estimação, mas os gatos, os cães, as aves e os pequenos roedores, por exemplo, não conseguem transpirar, o que faz com que, para baixarem a temperatura, usam o trato respiratório, o arfar e o respirar mais rápido, ou então procuram locais frescos para poder fazer a chamada condução e convecção e perderem temperatura. Portanto, é mesmo muito importante existirem locais frescos e arejados, que é para facilitar a perda de temperatura excessiva.

Contudo, o que será excessivo para o homem, será excessivo para eles, não há assim uma temperatura que possamos apontar. Se é perigoso para nós, é perigoso para eles. Mas, o que há a evitar, e que infelizmente ainda acontece muitas vezes, é manter animais em locais pouco arejados nem que seja por escassos minutos. Às vezes deixam os animais em caravanas, auto-caravanas, automóveis, nem que seja por dois ou três minutos, mas para um gato ou para um cão isso pode ser nefasto e bastante grave.

E quando o animal é exposto a altas temperaturas, o que se deve fazer?

No caso de o animal estar exposto a alta temperaturas, o que se recomenda é tentar não stressá-lo ao máximo, sobretudo, no caso dos gatos e dos cães. Dar-lhes banhos de água fria, especialmente nas axilas porque é uma forma de os fazer arrefecer rapidamente.

Mas há que ter atenção às raças braquicéfalas, por exemplos os gato Persa, Boxer, Buldogue Francês ou Buldogue Inglês, que tendo em conta a anatomia do seu trato respiratório têm mais dificuldade em ventilar e perder temperatura, o que faz com que eles facilmente atinjam temperaturas mais altas do que os animais de outras raças.

Todo o animal é propenso a uma coisa chamada golpe de calor, mas estes animais são ainda mais. O golpe de calor dá-se quando o animal atinge uma temperatura corporal acima dos 40 ou 41 graus centígrados e o seu mecanismo de arrefecimento já não consegue baixar ou manter a temperatura corporal ideal. Quando tal acontece, começam a desenvolver-se mecanismos dentro do organismo do animal, em que há alterações cardiovasculares, respiratórias e até nomeadamente a nível da circulação sanguínea e no próprio pH do sangue, o que pode levar à morte, a um edema intracraniano, edema cerebral, entre outros.

Sempre que o animal atinja temperaturas corporais de pelo menos 40 graus, é uma emergência médica e deve-se ir ao veterinário assistente ou ao veterinário mais próximo, pois precisa de ajuda médica para controlar os malefícios do golpe de calor e tentar baixar a temperatura. A única coisa que um dono pode fazer é molhá-lo com água fria nas extremidades, nas axilas e na zona do abdómen e levá-lo imediatamente a um veterinário.

Nestas alturas é comum os animais ingerirem menos alimento, o que faz com que se nutram menos do que o normal por causa do calor. O ideal é sempre oferecer e favorecer o consumo de alimento em períodos do dia mais frescos, pela manhã ou ao final do dia, isto é, mais tarde quando as temperaturas mais baixas, porque se as pessoas não derem durante estes períodos do dia ele não vai querer comer. Só o ato de se alimentar em si próprio produz calor, o ato da digestão aumenta a temperatura corporal, então, eles recusam-se a alimentar-se nos períodos de grande calor.

Além de oferecer o alimento em momentos de temperatura mais amena, deve-se também aumentar o número de refeições, porque ao fazer pequenas refeições os animais não vão aquecer tanto e não terão tanta relutância em consumir o alimento, prevenindo que entrem em subnutrição.

É muito importante também ter cuidado com os animais quando são jovens, porque, tal como nas crianças, mais facilmente desidratam com o calor, mas também com os animais de meia-idade e de idade avançada, porque têm uma menor capacidade de hidratação e uma menor capacidade de controlar a sua temperatura corporal.

No que diz respeito à alimentação, há algum alimento que se deve evitar?

Alimentos quentes e alimentos altamente calóricos ou de difícil digestão. Se os animais são alimentados com comida caseira, é importante que esta não esteja quente, porque se lhe dermos um alimento quente ainda vamos condicionar mais o aumento da temperatura. Em termos nutricional, deve ser um alimento adequado à idade do animal, à raça, à sua atividade física, ou seja, que seja o mais adequado possível.

Há pouco falou da respiração, a forma como o animal respira é um sinal ao qual os donos devem estar atentos?

Sim, normalmente, o sistema respiratório dos animais de companhia é o principal veículo que eles têm para perder temperatura. Claro que quando começa a ventilar mais, ou seja, a arfar, ao início é um mecanismo normal, mas se o animal começar a arfar de forma compulsiva e descontrolada, começar a ficar com as mucosas orais ou com a língua com uma cor mais arroxada ou até mesmo esbranquiçada, pode ser indício de alterações da circulação periférica, aí já é sinal de alarme.

Outra coisa muito interessante é que os gatos nunca respiram pela boca. Um gato que respire pela boca a arfar como um cão é logo um sinal de alarme e deve-se consultar imediatamente um veterinário, porque é sinal que o animal está a ventilar mal e está a precisar de oxigénio o mais rapidamente possível.

E no que diz respeito a periquitos, canários e papagaios?

As aves também sofrem muito, o que eu falei sobre o gato e sobre o cão também é extensível às aves e mesmo até aos roedores. Os animais devem estar alojados em locais frescos e deve-se evitar o stress nas aves. Além do calor, colocá-las em espaços onde passam pessoas ou onde haja barulho vai potenciar tudo. Deve-se evitar desafios ambientais.

No caso das aves, é mesmo muito importante evitar a exposição a stress, sofrem muito com o calor. O desconforto térmico é potenciado ainda mais com o stress sonoro, com manipulação, com crianças a brincar com elas.

Como os cães são os animais de estimação que mais andam na rua, o que devem os donos fazer a nível de proteção solar?

Para já, os tutores devem evitar andar com os animais na rua no pico do calor, só mesmo em extrema necessidade. Deve-se evitar o clássico período entre as 11h00 e as 16h00, que é quando ocorre o pico do calor e das radiações ultravioleta. A proteção que damos às crianças é, em termos desses pequenos detalhes, igual à que devemos dar aos nossos animais.

Se tivermos que sair de casa e transportar o animal devemos levar sempre uma embalagem de água, um bebedouro ou algo que disponibilize água ao animal sempre que ele precise. Nas viagens longas, é imperativo que se façam sempre paragens no máximo de duas em duas horas, para oferecer água ao animal, para ele poder urinar ou defecar, mas mais para minimizar o stress da viagem com o calor.

É preciso ter uma especial atenção com o nariz e com as patas?

Se o animal estiver bem alimentado, bem hidratado e resguardado das condições extremas, em teoria, ele não terá qualquer problema de maior, ele consegue controlar. Agora, se for um animal idoso, que já tem uma menor capacidade de produção de lágrima, convém usar um toalhete ou um pano limpo para limpar os olhos, humedecer e hidratar a ponta do nariz. O animal idoso tem uma menor capacidade de produzir fluídos corporais, por isso, é importante manter os olhos e a pontinha do nariz hidratadas.

Quanto às noites quentes, devem os donos ter algum cuidado particular?

Deve ter uma cama em algodão, que não aquece tanto como fibras sintéticas, que seja isoladora térmica e confortável. Os animais são seres que sabem o que é bom para eles e procuram superfícies que sejam mais frias, eles próprios preferem deitar-se em superfícies que sejam melhores condutoras térmicas, é um pouco como nós, comemos menos alimentos quentes e mais saladas, comemos menos e mais vezes ao dia, dormimos destapados ou só com um lençol para podermos perder mais calor.

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