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Há um lado feio na beleza, mas a cosmética ecológica pode ser a resposta

Sabe distinguir tudo o que põe na pele e no cabelo? O universo da beleza está cheio de informações que suscitam dúvidas e foi a pensar nisso que o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com Delia García, diretora de sustentabilidade da L’Oréal Espanha e Portugal. A responsável explica em que consiste a cosmética ecológica e como podemos fazer escolhas mais sustentáveis no dia a dia.

Há um lado feio na beleza, mas a cosmética ecológica pode ser a resposta
Notícias ao Minuto

09:30 - 07/11/23 por Ana Rita Rebelo

Lifestyle Entrevista

Repare bem no rótulo dos produtos de beleza que ocupam o seu nécessaire. Foi a 7 de maio que Portugal esgotou os recursos naturais para 2023, segundo dados divulgados pela associação ambientalista Zero. Desde então, vivemos a 'crédito ambiental'.

Para contrariar esta tendência, é aqui que entram a cosmética ecológica e os consumidores. Tudo em prol do ambiente. "Por detrás dos produtos que temos em casa e fazem parte da nossa rotina diária de cuidado da pele, deve haver um trabalho exigente de respeito para com o planeta", apela Delia García, diretora de sustentabilidade da L’Oréal Espanha e Portugal, em entrevista ao Lifestyle ao Minuto.

Natural, eco, vegan, bio, orgânico e 'cruelty free'. O que diferencia todas estas designações utilizadas pela indústria da cosmética?

Todos estes termos têm significados diferentes, embora estejam relacionados em aspetos distintos como produção ou ingredientes utilizados na indústria da cosmética. Vamos por partes. Os  produtos naturais são feitos, principalmente, a partir de ingredientes de origem natural, como plantas, minerais e animais. Por norma, não contêm produtos químicos sintéticos. Por sua vez, os produtos ecológicos são produzidos de maneira a reduzir o seu impacto ambiental. Isto é, apostam em embalagens sustentáveis, ingredientes orgânicos, métodos de produção com emissão de carbono reduzida e têm como missão reduzir o desperdício através de práticas 'green' de fabricação. Os produtos vegan são aqueles que não contêm ingredientes de origem animal ou subprodutos animai. Já os produtos biológicos são feitos a partir de ingredientes cultivados sem o uso de pesticidas ou fertilizantes químicos sintéticos. No entanto, importa salientar que ser orgânico não significa necessariamente que o produto seja 100% natural, pois ainda pode conter ingredientes processados ou sintéticos permitidos sob certas regulamentações orgânicas. Por fim, os produtos 'cruelty-free' são aqueles que não são testados em animais em nenhuma fase do processo de desenvolvimento e produção.

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O que é uma cosmética mais respeitadora do planeta?

É uma cosmética que tem em conta os limites do planeta e das pessoas em toda a sua cadeia de valor e que se transforma para dar resposta aos desafios globais. É também uma cosmética que cuida da beleza de cada um e, em simultâneo, é sustentável perante o ambiente e sociedade. Por detrás dos produtos que temos em casa e fazem parte da nossa rotina diária de cuidado da pele, deve haver um trabalho exigente de respeito para com o planeta.

Notícias ao Minuto Delia García, diretora de sustentabilidade da L’Oréal Espanha e Portugal© L’Oréal

Que passos têm sido dados pelas marcas do grupo L’Oréal nesse sentido?

A Garnier é um exemplo das marcas do grupo comprometida com o meio ambiente. Há anos que está comprometida com a sustentabilidade, produzindo fórmulas mais naturais, usando ingredientes sustentáveis e de comércio justo, tendo sido a primeira marca de grande consumo a disponibilizar produtos orgânicos e certificados para o cuidado da pele. Está também em processo de erradicação do plástico virgem das suas embalagens até 2025, um dos compromissos definidos em 2020 com o programa 'Green Beauty', a trabalhar no processo de transformar todo o 'packaging' dos seus produtos em embalagens reutilizáveis, recicláveis e compostáveis e, ainda, na transformação de todas as suas fábricas para que sejam neutras em carbono.

Nota que, com o passar do tempo, os consumidores estão mais preocupados em saber o que estão a comprar?

Sim, as expetativas dos consumidores mudaram. Acima de tudo, as procuram marcas nas quais possam confiar, que são transparentes e que estão genuinamente comprometidas em serem melhores, sobretudo no que toca ao seu impacto no planeta. As pessoas querem garantir que os valores e missões das marcas estão em sintonia com os seus, estão mais atentas aos ingredientes utilizados nas fórmulas dos champôs e cremes de rosto e corpo e à influência que têm na sua saúde. Evitam cada vez mais produtos com substâncias químicas sintéticas, como parabenos, ftalatos e sulfatos, optando por soluções mais naturais. Escolhem produtos não testados em animais e comprometidos com a sociedade e ambiente, por exemplo, preferem produtos cuja produção envolve e apoia as comunidades locais e produtos que permitem a reciclagem e a reutilização.

Pequenos gestos fazem toda a diferença. Se todos tomarmos consciência do papel essencial que temos para 'fazer acontecer', o caminho rumo à proteção do planeta e retrocesso dos efeitos nefastos que já se fazem sentir a nível climático, tudo será mais célere

O que deve fazer quem quiser começar já hoje a ter uma rotina de beleza mais amiga do ambiente?

A rotina de cuidado de pele ou cabelo pode ser 'green' e a informação circula de forma cada vez mais regular, clara e massiva para que possa existir uma mudança de mentalidades e uma tomada de consciência da necessidade de respeitar o planeta mais forte. Uma rotina mais 'eco-friendly' deve basear-se na escolha de produtos com ingredientes naturais e orgânicos, adequados às suas necessidades, e 'cruelty-free'.

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É aí que entra em cena a cosmética ecológica/sustentável?

Sim, a cosmética ecológica/sutstentável é, de facto, uma rotina de beleza mais amiga do ambiente.

Que hábitos de consumo devemos adotar em prol do planeta? No fundo, como é que esta preocupação se pode refletir diariamente?

Pequenos gestos fazem toda a diferença. Se todos tomarmos consciência do papel essencial que temos para 'fazer acontecer', o caminho rumo à proteção do planeta e retrocesso dos efeitos nefastos que já se fazem sentir a nível climático, tudo será mais célere. A redução do plástico, somada à compra de produtos com embalagens recicladas e recicláveis; a diminuição do consumo de água e do consumo per si; a escolha de produtos com maior longevidade e com ingredientes e métodos de produção sustentável; e o decréscimo do consumo de energia são exemplos dos pequenos comportamentos que podemos ter em conta diariamente na nossa vida para reduzir o impacto ambiental e ajudar a preservar os recursos naturais.

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No caso das embalagens, muitas marcas falam abertamente sobre o problema da sustentabilidade. Qual a solução?

A sustentabilidade das embalagens é uma preocupação crescente a nível empresarial e está no nosso 'mindset' há algum tempo. Representam uma parte significativa do impacto ambiental e, para nós, a literacia ecológica é um ponto que reforçamos constantemente na comunicação dos nossos produtos e no ponto de venda para ajudar a sensibilizar o consumidor para a escolha de opões mais 'amigas do ambiente, como o 'refill' e a reciclagem de materiais e processos.

Como identificar e combater o 'greenwashing'? Enquanto consumidores, como podemos estar mais atentos?

O 'greenwashing' é uma tática de marketing que não deve ser usada. É falta de transparência com o consumidor e com o planeta. As empresas que praticam esta atividade camuflam a sua realidade. Enquanto consumidor é possível evitá-lo ao manter-se informado e com espírito crítico. Devemos estar atentos ao que as empresas comunicam regularmente, de forma transparente, e procurar evidências sólidas e comprovadas de responsabilidade ambiental e social. Somente uma empresa que opera dentro dos limites do planeta e gera progresso inclusivo tem lugar no mercado e no próprio planeta.

O que leva as marcas a fazê-lo?

As empresas podem fazê-lo através de regulamentação, financiamento, reputação ou convicção. A realidade é que isso não importa. A sustentabilidade não é uma tendência de mercado. É um fator chave que deve ser encarado pelas empresas como um dos seus pilares.

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