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Células estaminais "melhoram sobrevivência" destes doentes

Novos dados reforçam os estudos clínicos realizados na última década, que têm demonstrado o benefício destas células no tratamento de doenças do fígado em estado avançado.

Células estaminais "melhoram sobrevivência" destes doentes
Notícias ao Minuto

23:07 - 18/01/22 por Notícias ao Minuto

Lifestyle Cirrose hepática

Um estudo, publicado recentemente na revista científica Hepatology International, aponta que as células estaminais do tecido do cordão umbilical têm a capacidade de melhorar a função hepática. Além disso, podem aumentar a sobrevivência de doentes com cirrose hepática descompensada, decorrente da infeção pelo vírus da hepatite B. 

Esta investigação, realizada na China, incluiu 111 doentes tratados de forma convencional e 108 doentes no grupo experimental que, além desse tratamento, receberam três infusões de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, administradas com quatro semanas de intervalo. Os participantes foram acompanhados ao longo de cerca de seis anos após o início do estudo.

Os resultados mostram que o tratamento com células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical mostrou benefícios  associados à função hepática durante o primeiro ano de seguimento. O tratamento experimental permitiu melhorar a taxa de sobrevivência entre os 13 e os 75 meses de acompanhamento, sem evidências de efeitos adversos significativos a curto e a longo prazo.

Segundo os autores do estudo, a melhor taxa de sobrevivência associada ao tratamento com células estaminais poderá dever-se aos efeitos regenerativos, imunomoduladores e anti-inflamatórios destas células. Acrescentam ainda que os resultados indicam que este benefício só se torna evidente 13 meses após o tratamento experimental.

Os cientistas asseguram que a administração de células estaminais do cordão umbilical é segura e capaz de trazer benefícios aos doentes com cirrose hepática decorrente da infeção pelo vírus da hepatite B. Porém, as conclusões apresentadas devem ser confirmadas em ensaios clínicos de maior dimensão, envolvendo vários centros de tratamento.

Em comunicado, a Crioestaminal explica que a doença hepática crónica – que se encontra entre as dez principais causas de morte em Portugal – conduz frequentemente ao desenvolvimento de cirrose hepática, caracterizada pela substituição do tecido hepático saudável, por tecido fibroso, semelhante ao de uma cicatriz, incapaz de realizar as suas funções normais. Além da diminuição da função hepática, a cirrose, quando descompensada, pode provocar hemorragias do trato gastrointestinal, encefalopatia (inflamação do cérebro), icterícia (pele e olhos amarelados), acumulação de fluido na cavidade abdominal, e, eventualmente, a morte.

"É nestas situações de descompensação que a administração de células estaminais do tecido do cordão umbilical poderá ser uma opção", defende Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal. A procura por alternativas terapêuticas mais eficazes deve-se ao facto de "as estratégias de tratamento convencionais se revelarem, em certos casos, insuficientes para controlar a doença".

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