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Cancro do intestino: Importância do rastreio na diminuição da incidência

Os tumores do intestino grosso ou coloretais continuam a ser o 3º tipo de cancro mais frequente em todo o mundo. Como explica o Dr. João Moreira Pinto, Assistente Hospitalar de Oncologia Médica, Hospital Beatriz Ângelo e Hospital da Luz, num artigo de opinião enviado ao Lifestyle ao Minuto, a diminuição da incidência depende de cada um de nós. O texto que se segue é da sua autoria.

Cancro do intestino: Importância do rastreio na diminuição da incidência

Os tumores do intestino grosso ou coloretais são muito frequentes e, apesar de o número de casos ter diminuído nas últimas décadas devido, em grande parte, à implementação de programas de rastreio, mantêm-se o 3º tipo de cancro mais frequente em todo o mundo, com uma incidência de cerca de 25 casos por 100000 habitantes.

Em Portugal, os tumores coloretais são especialmente comuns, com uma incidência de cerca de 100 casos por 100000 habitantes. Apesar dos avanços terapêuticos, estes tumores continuam a ter uma elevada mortalidade, cerca de 42 mortes por 100000 habitantes, pelo que é importante que a população conheça e participe nos programas de rastreio existentes. O rastreio destes tumores baseia-se em exames de diagnóstico que permitem detetar lesões pré-malignas (pólipos do intestino) ou tumores numa fase inicial.

Os principais fatores de risco para neoplasias coloretais são doenças hereditárias, obesidade, diabetes, consumo excessivo de carnes vermelhas e comida processada, consumo de tabaco, consumo excessivo de álcool e doença inflamatória intestinal. É importante conhecer e evitar os principais fatores de risco, diminuindo a probabilidade do aparecimento de um tumor.

A maioria dos tumores coloretais desenvolve-se a partir de um pólipo (adenoma) que, ao longo do tempo, poderá transformar-se num tumor maligno. O rastreio do cancro coloretal, como qualquer método de rastreio oncológico, tem como objetivo a deteção e remoção destas lesões pré-malignas, que poderiam evoluir futuramente para uma neoplasia. Além disso, o rastreio pode ter uma função dupla, na qual, além de detetar lesões pré-malignas, permite o diagnóstico de neoplasias já existentes numa fase precoce, as quais poderão ser potencialmente curáveis através de uma cirurgia.

Os principais tipos de rastreios existentes são o rastreio em massa e o rastreio oportunístico. O rastreio em massa testa todos os doentes de uma determinada população de forma regular e programada, sem necessidade de ser desencadeado o processo numa consulta médica. Por exemplo, no Reino Unido, após os 50 anos, toda a população registada no médico de família recebe em casa um kit para realizar a pesquisa de sangue oculto nas fezes, independentemente de ter sido observado numa consulta médica.

Por sua vez, o rastreio em vigor em Portugal denomina-se rastreio oportunístico e está indicado apenas para indivíduos assintomáticos, com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos. Este tipo de rastreio é desencadeado por uma observação médica, que é frequentemente realizada pelo médico de família. O exame indicado poderá ser a pesquisa de sangue oculto nas fezes ou uma colonoscopia. Na pesquisa de sangue oculto nas fezes é realizada uma análise de uma amostra de fezes para detetar a presença de vestígios de sangue, que poderá ser um indicador de uma lesão no intestino grosso com potencial maligno. Esta análise de fezes deve ser feita anualmente e, no caso de ser positiva, deverá ser realizada uma colonoscopia total nas 8 semanas seguintes. Já a colonoscopia é um exame endoscópico que permite a avaliação da parede do intestino grosso e deteção e remoção de pólipos.

Uma vez que, em Portugal, está implementado o rastreio oportunístico, as pessoas que não tenham acompanhamento médico regular não serão testadas, aumentando o risco de desenvolvimento de neoplasias. Deste modo, é importante que toda a população seja acompanhada por um médico de família, com o qual devem falar e esclarecer todas dúvidas em relação ao rastreio de neoplasias coloretais, especialmente após os 50 anos.

Existem grupos com maior risco de desenvolver estas neoplasias, nos quais o rastreio deverá ser realizado sempre por colonoscopia, nomeadamente: pessoas com pólipos em exames prévios (adenomas); pessoas com familiares diretos (de 1º grau) com história de adenomas ou neoplasias coloretais e pessoas com diagnóstico de doença inflamatória intestinal ou doenças hereditárias que aumentam a probabilidade de desenvolvimento de neoplasias.

É importante reforçar que os rastreios oncológicos são aplicados na população geral, mais especificamente em pessoas sem sintomas. Sempre que surjam queixas que possam ser sugestivas de um cancro coloretal, estas deverão ser comunicadas ao seu médico, que de acordo com as mesmas poderá recomendar a realização de uma colonoscopia. Os principais sintomas de alerta são a perda de sangue nas fezes, dor abdominal, anemia, perda de peso e alteração dos hábitos intestinais.

O sucesso dos programas de rastreio e a diminuição da incidência de cancro coloretal depende de cada um de nós. Caso tenha mais de 50 anos, contacte um médico para iniciar o programa de rastreio.

Leia Também: Asma, uma doença frequente e um "sério problema de saúde global"

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