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Mais velho ou mais novo? Sim, a ordem de nascimento molda a personalidade

A frase ‘criei os meus filhos de forma igual’ é falsa. De acordo com a ciência cada criança tem necessidades diferentes.

Mais velho ou mais novo? Sim, a ordem de nascimento molda a personalidade
Notícias ao Minuto

12:07 - 22/10/19 por Liliana Lopes Monteiro  

Lifestyle Irmãos e filhos únicos

Existe sempre o dilema natureza/criação, ou seja, que parte se herda e é determinada pelos genes e qual é definida pelo ambiente que nos rodeia. Tendo em conta o último aspeto, os espaços familiares desempenham um papel importante. Como todos devem imaginar, um dos fatores fundamentais é a relação estabelecida com os nossos pais ou cuidadores e em relação a isso é fundamental o número de irmãos e a ordem entre deles. O argumento que explica essa relação é a interação ambiental, ou seja, o desenvolvimento da personalidade, mas adaptado ao espaço dentro da família - como explica uma reportagem divulgada pelo periódico espanhol El País. 

A opinião de que a rivalidade entre dois irmãos significa que os pais se enganaram em algo é errónea. A competição entre os indivíduos existe há milhões de anos em muitas espécies. A competição promove a criatividade e marca os limites do aceitável. Afinal, o que se pretende é que os pais se interessem pelo filho, sentir-se diferente para atrair a atenção dos progenitores e a maneira de fazê-lo é desenvolver uma personalidade única.

A típica frase ‘criei os meus filhos de forma igual’ não é de todo verdadeira e, além disso, não seria bom que fosse. Cada filho tem uma personalidade e, portanto, necessidades diferentes. É preciso ajudá-los a crescer cada um à sua maneira.

O irmão mais velho

Os primogénitos são considerados pelos pais e irmãos como autodisciplinados, organizados e prudentes, mais que os irmãos mais novos. E costumam levar a fama de o ‘bem-sucedido’ da família.

O primogénito, enquanto não tem outros irmãos, terá todos os recursos e as suas figuras de referência serão os pais ou cuidadores. Costumam agir como pais substitutos e utilizam condutas que agradam os pais. Se o pai é advogado, militar ou cozinheiro, é fácil que o primogénito também o seja, além de ser ‘pressionado’ para herde a profissão. Costumam ser mais responsáveis, melhores estudantes, políticos de destaque, sobressaem-se nos prémios Nobel e como cientistas importantes (ainda que não como cientistas revolucionários, papel dos irmãos mais novos).

Os filhos mais velhos costumam ser mais agressivos e utilizar a força para a resolução de conflitos. John Wayne, Sylvester Stallone, Clint Eastwood e todos os atores que representaram James Bond eram primogénitos.

Os do meio

A seguir ao primogénito, os próximos irão ter sempre de compartilhar os recursos com outros irmãos e competir com eles para os conseguir. Com o obstáculo de que os irmãos mais velhos são mais fortes e mais espertos pela diferença de idade. As suas figuras de referência, portanto, não serão tanto os pais e sim os irmãos mais velhos.

Os do meio costumam ter 10% menos atenção do que os mais velhos e mais novos. Costumam procurar o seu nicho nos pares, ou seja, com outros do meio fora do entorno familiar. Nas pesquisas de personalidade, os do meio não se parecem com os seus pais e irmãos, parecem-se sim com outras crianças do meio. Costumam ser os mais agradáveis, têm melhores relações de amizade e nas relações sentimentais são os mais fiéis.

O mais novo

Os mais novos têm mais concorrência quando necessitam de mais recursos. Ou seja, os bebés precisam de muito tempo e recursos, mas têm vários irmãos à sua frente. Os pais devem escolher e priorizar.

Não precisam de pais autoritários e tirânicos, já têm os irmãos mais velhos que administram os brinquedos e as guloseimas. Tentarão ocupar o nicho de outro mais velho e se não for possível, ocupam outros nichos dentro do espaço familiar, procuram um nicho livre e dali o favor dos pais experimentando e assumindo riscos, ou seja, ramificam seu comportamento e, portanto, desenvolvem traços de personalidade distintos. A ideia é agregar valor à unidade familiar no seu conjunto.

O mais novo tem a vantagem de ser o último filho que os pais poderiam ter, de modo que estes lhe oferecerão uma atenção especial para que não aconteça nada com ele durante a infância. Os pais, principalmente a mãe, pretenderão corrigir com eles todos os ‘erros’ que cometeram com os irmãos mais velhos podendo chegar a ser muito permissivos. Estão acostumados a suplicar e negociar com os outros irmãos e, portanto, têm um caráter mais aberto, mais carinhoso, bajuladores, desarrumados, são os comediantes da família. Estão mais acostumados ao risco tanto no seu aspeto positivo como negativo. Têm o dobro de possibilidades de praticar desportos de risco do que os irmãos mais velhos. Entre os grandes exploradores os irmãos mais novos dominam.

Também entre os revolucionários contra o poder estabelecido: Fidel Castro, Trotsky e Lénin eram irmãos mais novos. Foram os primeiros a apoiar a Reforma protestante e, depois, o Iluminismo. São mais liberais, fazem mais sexo casual e apoiam mais fervorosamente causas como o aborto e o apoio ao coletivo homossexual. As revoluções científicas que foram contra a corrente das teorias estabelecidas foram lideradas na sua maioria por irmãos mais novos, Copérnico, Darwin e Descartes entre outros...

O filho único (tudo é possível)

Não têm efeito de ordem, não têm irmãos e, portanto, não têm rivalidades. Há duas possibilidades que podem ser previstas. Uma é que os filhos únicos deveriam ocupar posições intermediárias em muitos traços de personalidade. Isso ocorre pois não sofrem a pressão de um irmão mais novo para serem especialmente aplicados e agressivos, e não sofrem a de um irmão mais velho para serem particularmente ousados e pouco convencionais. De modo que os filhos únicos devem encontrar-se em algum ponto intermediário do ponto de vista da conduta. E, de facto, é o que acontece.

Podem ocupar o nicho que quiserem, todos são livres e será uma ‘negociação’ com os pais. Além disso, podem ir de um espaço a outro no tempo, portanto deveriam ser mais variáveis na medida dos seus traços de personalidade. E é verdade, os estudos demonstram que os filhos únicos são os menos previsíveis. A sua conduta é difícil de prever porque na infância tiveram muito mais opções do que as pessoas que crescem com outros irmãos.

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