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  • 30 SETEMBRO 2020
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O médico explica: Tudo o que é urgente saber sobre a depressão

O psicoterapeuta Pedro Brás, fundador da Clínica da Mente em Lisboa, falou em pormenor com o Lifestyle ao Minuto sobre a depressão - aquela que se trata, segundo a Organização Mundial da Saúde, das doenças mais comuns em todo o mundo, afetando atualmente 322 milhões de pessoas.

O médico explica: Tudo o que é urgente saber sobre a depressão

"Sempre que estamos tristes, como reação a uma experiência que nos magoa, sentimos que vivemos um estado difícil mas normal. A depressão é diferente, porque estamos tristes, sem que se esteja a viver uma experiência verdadeiramente agressora ao nosso bem-estar, e a pessoa que sofre, sente que não tem capacidade anímica para sair daquele estado sem ajuda profissional", explica o psicoterapeuta Pedro Brás. 

Estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens possam ter crises de depressão em alguma fase da sua vida, sendo que também as crianças podem ser afetadas.

Não existem dados concretos em relação à sua incidência em Portugal, mas as estimativas referem valores de 2 a 3% para os homens e de 5 a 9% para as mulheres para as formas mais graves de depressão e valores superiores a 20% para formas mais ligeiras da doença.

"Na Clínica da Mente e em consonância com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), 80% dos atendimentos são feitos a mulheres. No entanto, a taxa de suicídio nos homens é muito mais elevada com 80% da mortalidade a contrastar com 20% de mulheres. A capacidade de pedir ajuda, protege mais as mulheres deste flagelo", refere o psicoterapeuta. 

A prevenção desta doença é um conceito algo problemático, ainda assim, segundo Pedro Brás, há um esforço constante de vida que se deve adotar na demanda do bem-estar. "Os indivíduos devem aumentar a sua autoestima, para dependerem menos dos outros, concentrarem-se nos seus objetivos de vida, criar laços de amizade e de partilha mais frequentes e duradouros, dedicarem-se mais a melhorarem o seu autoconhecimento e autocontrolo. Não é fácil, é o trabalho de uma vida".

E para quem quer ajudar o indivíduo deprimido, há muito que pode fazer - mas o fundamental é simples de acordo com o psicoterapeuta.

"Esteja lá quando a pessoa precisa. Um dos maiores medos de alguém que vive com Depressão é, precisamente, ficar sozinho", alerta. 

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Pedro Brás elucida tudo aquilo que deve saber sobre esta doença incapacitante, e por vezes fatal, que não discrimina sexo ou idades e que vai muito além da 'comum' tristeza. 

O que é a depressão?

Podemos dizer que a depressão é uma doença psicológica. Quem tem Depressão tem a sua saúde mental afetada, sofrendo com dor emocional e não é feliz. Entra em depressão quem em algum momento da sua vida, não conseguiu gerir da melhor forma as suas emoções de tristeza e frustração. Vivermos um estado de tristeza é normal, é uma reação a experiências que nos magoam, mas se este estado perdurar, sem razões aparentes, estamos perante uma perturbação emocional que afeta a qualidade de vida.

Existem vários tipos de depressão?

É frequente ouvirmos dizer que há vários tipos de depressão, no entanto, estes 'rótulos' apenas definem e padronizam os sintomas que as pessoas sentem. De facto a depressão é um estado de tristeza prolongado, que se manifesta em cada pessoas de uma forma diferente.

Como é que estar clinicamente deprimido difere de estar ‘simplesmente’ triste?

Sempre que estamos tristes, como reação a uma experiência que nos magoa, sentimos que vivemos um estado difícil mas normal. A depressão é diferente, porque estamos tristes, sem que se esteja a viver uma experiência verdadeiramente agressora ao nosso bem estar, e a pessoa que sofre, sente que não tem capacidade anímica para sair daquele estado sem ajuda profissional.

Quais são os principais fatores que contribuem para a incidência desta doença?

Ao contrário do que muitos afirmam, pelas evidencias que tenho de milhares de pessoas deprimidas que eu e a minha equipa temos tratado, a depressão não tem origem genética ou mesmo biológica. A depressão nasce quando as pessoas vivem experiências muito difíceis, e que não conseguem ultrapassar facilmente. É importante sublinhar, que quando falo em experiências difíceis, é para a pessoa em questão e não numa perspetiva de outras pessoas. Por exemplo, os conflitos entre vizinhos, pode representar para uma pessoa um grave ataque á sua paz interior, e para outras pessoas estas situações não são importantes para o seu bem estar. Todas as pessoas deprimidas, têm as suas histórias e dificuldades que não conseguem esquecer. E por não conseguir esquecer as mágoas do passado não conseguem sair do estado de perturbação emocional no presente.

Quais são os principais sintomas de que alguém está deprimido?

Os principais sintomas e sinais de alerta para um estado de depressão são:

- Tristeza constante. Tem pensamentos que o transportam para um estado de tristeza que não controla.  A Angústia sentida sufoca, e cria um estado de bloqueio e apatia, onde se chora facilmente.

- Ideação suicida. Deseja morrer porque não consegue alívio para a sua angústia e a morte parece ser a única solução.

- Sentimentos de desamparo e desesperança.  Sente que nada vai melhorar e que não há nada que possa fazer para melhorar sua situação.

- Perda de interesse em atividades diárias.  Deixou de se interessar por passatempos, atividades sociais ou sexo. Sente que perdeu capacidade de sentir alegria e prazer.

- Apetite ou mudanças de peso.  Perdeu ou ganhou peso de forma significativa. Mudanças de mais de 5% do peso corporal em um mês, é preocupante.

- Alterações de sono.  Sente que dorme excessivamente, que tem dificuldade em adormecer ou que acorada muito cedo.

- Raiva ou irritabilidade.  Sente-se agitado, inquieto ou até mesmo violento. O seu nível de tolerância é baixo e irrita-se com facilidade.

- Perda de energia.  Sente-se fatigado, lento e fisicamente esgotado. Sente todo o corpo pesado e até mesmo pequenas tarefas o podem esgotar,

- Auto-aversão.  Critica-se constantemente, desenvolvendo fortes sentimentos de inutilidade ou culpa.

- Comportamentos autodestrutivos.  Como um escape à dor sentida, adota comportamento abusivos como consumo de substâncias psicoativas, o consumo de álcool, o jogo compulsivo ou mesmo a automutilação.

- Problemas de concentração.  Tem problemas de concentração, em tomar decisões e tem lapsos de memória frequentes.

- Desconforto e dores inexplicáveis.  Sente um aumento de queixas físicas, como dores de cabeça, dores nas costas, dores musculares e dor de estômago.

Afeta mais homens ou mulheres?

Afeta ambos os sexos, no entanto, são as mulheres que pedem mais ajuda e recorrem mais aos tratamentos disponíveis. Na Clínica da Mente e em consonância com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), 80% dos atendimentos são feitos a mulheres. No entanto, a taxa de suicídio nos homens é muito mais elevada com 80% da mortalidade a contrastar com 20% de mulheres. A capacidade de pedir ajuda, protege mais as mulheres deste flagelo.

Existe uma faixa etária mais predisposta a ser afetada pela depressão?

Este problema é transversal a todas as faixas etárias, no entanto pode se afirmar que quem pede mais ajuda são as mulheres da faixa etária dos 35 aos 55 anos. 

As crianças sofrem muito de depressão, mas como não se queixam de depressão, são vistas pelos adultos apenas como hiperativas e com deficit de atenção, mal-educadas, ou tímidas.

Atualmente estamos mais deprimidos ou há apenas uma maior abertura em falar sobre esta doença?

Como há mais ofertas de tratamento, fala-se mais sobre a doença e as pessoas percebem que o que sentem é um problema que tem tratamento.

A indústria farmacêutica por outro lado, faz muita pressão para se diagnosticar estas doenças psicológicas, para se poder medicar com os medicamentos psicoativos. Devemos lembrar que Portugal está nos lugares cimeiros da toma de medicação psiquiátrica por habitante, e não é que sejamos mais doentes, mas antes porque os médicos prescrevem sem qualquer controlo ansiolíticos e antidepressivos.

Um outro fator é existir uma mudança na sociedade. A diminuição da influência da religião nas pessoas. Antes as pessoas serviam-se da religião e dos seus rituais para se purgarem das suas dores emocionais, depositando na sua fé o seu destino, futuro e perdão do seu passado, hoje, a fé religiosa perdeu a sua força na vida das pessoas, ficando estas com menos estratégias mentais de gerirem os seus conflitos emocionais.

É possível de alguma forma prevenir a depressão?

Claro. Mas não é fácil e é exige um esforço estrutural e profundo. Partindo do princípio que a depressão é provocada pela dificuldade que temos em ultrapassar os estados de tristeza, as pessoas devem melhorar as suas atitudes perante a vida. Devem aumentar a sua autoestima, para dependerem menos dos outros, concentrarem-se nos seus objetivos de vida, criar laços de amizade e de partilha mais frequentes e duradouros, dedicarem-se mais a melhorarem o seu autoconhecimento e autocontrolo. Não é fácil, é o trabalho de uma vida.

Quais são os tratamentos mais eficazes?

O tratamento mais eficaz, é a psicoterapia. A psicoterapia é um tratamento que tenta compreender o sofrimento da pessoa e perceber as suas causas. Depois o psicoterapeuta trabalha com a pessoa para o ajudar a bloquear as emoções, os pensamentos e as memórias que afetam o seu bem-estar. Há vários tipos de psicoterapia, eu utilizo a Psicoterapia HBM que tem demostrado verdadeiramente eficaz no tratamento da depressão. Temos estudos que comprovam que 80% dos pacientes com depressão grave ficam bem com apenas 10 semanas. A psicoterapia HBM, funciona como um GPS que ajuda o psicoterapeuta a perceber as causas de cada depressão e utiliza ferramentas psicológicas verdadeiramente eficazes para bloquear as emoções negativas.

Qual é o papel da medicação no tratamento da depressão? Para além da terapia, os fármacos devem ser sempre uma opção?

A medicação atua na parte dos sintomas. Na ausência de melhor tratamento até podemos aceitar que se possa tomar alguma medicação, no entanto, os efeitos secundários da medicação psicoativa são muito negativos a médio e longo prazo. O grave problema em Portugal é a medicalização excessiva. Qualquer pessoa não está livre de sair com ansiolíticos numa primeira consulta com o médico de família. Isto está errado. Bem sei que os médicos não têm tempo para falar com os pacientes. Por isso, as pessoas que sintam que não estão bem no seu estado mental, devem procurar em primeiro lugar psicólogos e nos casos mais graves recorrer a psicoterapia.

Ainda há um certo estigma relativamente a procurar ajuda, sobretudo em consultar um psicólogo ou psiquiatra?

Infelizmente é verdade. A propaganda que muitas vezes ouvimos, que a depressão é genética, que é um problema no cérebro, e que estas pessoas são imprevisíveis, estigmatiza muito quem sofre. Por isso ninguém quer assumir estar deprimido com medo do rotulo de “maluco”.

Como é que familiares e amigos devem lidar com alguém deprimido?

Os familiares e amigos de uma pessoa com Depressão devem em primeiro lugar informar-se sofre a perturbação. Isto é importante para não culparem a pessoa doente dos seus comportamentos. A última coisa que se deve fazer e dizer a alguém deprimido é que 'só estás assim porque queres'.

A família e amigos tem um papel importante na recuperação dos casos mais leves de depressão, pois devem conversar muito com a pessoa doente, mostrando-lhes outros pontes de vista para os problemas que a estão perturbar, ajudando á saída desse estado prolongado de tristeza.

Nos casos mais graves, as pessoas deprimidas precisam de ajuda para procurar tratamento. Os familiares devem insistir para a pessoa falar com um psicólogo ou psicoterapeuta, e devem acompanhar esse processo

Como é que a família pode ajudar?

Esteja lá quando a pessoa precisa.

Um dos maiores medos de alguém que vive com Depressão é, precisamente, ficar sozinho. É importante que, se promete que estará lá nos piores momentos, efetivamente esteja. Isto pode passar por receber chamadas a horas em que preferiria estar a dormir, ouvir a pessoa a pessoa a chorar e consolá-la sem perceber muito bem porque está triste ou, simplesmente, sentar-se ao seu lado e mostrar que está lá para tudo.

Dê-lhe tempo quando necessário.

Há dias em que o seu ou sua companheira sentirá que quer estar sozinha. Não tem energia para falar, não tem energia para ouvir. São momentos em que precisa de privacidade acima de tudo. Respeite. Se tem a certeza de que não está a ser afastado para que a pessoa possa fazer mal a si própria, dê-lhe espaço.

Incentive a fazer coisas diferentes.

Planeie algo divertido: um piquenique ou um passeio à beira-mar. Pode não lhe apetecer muito, mas é importante que procure fazer coisas que a façam sentir-se melhor. O contacto com a natureza é sempre saudável e uma boa aposta. Contudo, não a force a fazer o que não quer e compreenda que até as mais pequenas coisas se podem tornar em enormes desafios para quem sofre de Depressão.

Peça-lhe ajuda para entender o que ele ou ela está a sentir.

Mostre que se importa, mostre que quer entender. Se a pessoa conseguir explicar o que está a sentir, será mais fácil para si ajudar. A partilha destes momentos pode ser uma forma de combater a solidão, de se sentir menos sozinho nesta caminhada. Mas não insista, nem sempre é possível explicar.

Oiça atentamente.

Por vezes é preciso ouvir e apenas ouvir. Alguém que vive com Depressão é alguém que tem consciência de que os seus medos e angústias são irracionais, mas não os consegue evitar. Dizer-lhe isso não vai ajudar a pessoa a sentir-se melhor, vai fazê-la sentir-se julgada e pior com a situação. Por vezes, tudo o que ela precisa é de ventilar.

Tome conta da pessoa.

A Depressão pode tornar as mais rotineiras tarefas absolutamente esgotantes. O que acontece é que deixa de haver energia e, até mesmo, vontade para tomar conta de si próprio. Faça pequenas coisas. Prepare-lhe uma refeição equilibrada, ou tome conta de determinadas tarefas enquanto o seu companheiro ou companheira relaxa.

Não culpe.

Compreenda que a pessoa que ama não está feliz, não porque não quer, mas apenas porque não consegue. A verdade é que é muito difícil ser-se feliz quando tudo o que sente é Angústia, o tempo todo.

Não se culpe.

Mas a culpa também não é sua. Não é porque não faz o suficiente.

Abrace.

Todos estamos familiarizados com os poderes terapêuticos de um abraço. Libertam hormonas que nos relaxam, o que é perfeito para alguém que sofra de Depressão. Abrace muito e com força porque estará a ajudar a pessoa que ama.

Relembre a pessoa do quanto a ama.

Relembre sempre que possível. Quando não nos amamos a nós próprios é muito complicado compreender porque é que alguém o fará. Lembre o seu companheiro ou companheira de todos os momentos felizes que passaram juntos.

Ajude a pessoa a ser ajudada.

Perceba que o seu apoio é extremamente importante, mas não é suficiente. Incentive o seu companheiro ou companheira a encontrar ajuda especializada e a terapia certa. É importante, numa primeira fase, ajudar a pessoa a perceber que tem um problema, mas que este pode ser resolvido com ajuda profissional e, posteriormente, acompanhá-la ao longo da sua recuperação, lembrando que há momentos menos fáceis, mas que dias bem melhores virão para ficar.

O que se deve dizer e o que não se deve dizer ao doente?

Ora, é essencial que evite dizer a uma pessoa com Depressão (e passo a enumerar):

Anima-te! Incitar alguém deprimido a simplesmente animar-se poderá ter o efeito oposto, pois demonstra incompreensão sobre o estado depressivo. Solidarize-se com a pessoa compreendendo a seriedade do seu problema.

Tens de sair dessa!

Seria tão bom simplesmente poder “sair” daquela angústia e tristeza, não seria? Mas não funciona assim. O estado depressivo é debilitante e contínuo, e não passa só porque se quer.

Para contrariar a sensação de isolamento que a pessoa sente, pode simplesmente mostrar-se disponível enviando mensagens e telefonando para que saibam que alguém se preocupa, e que para que a pessoa em depressão possa apenas falar consigo.

Há pessoas que estão em situação pior!

Isto não vai ajudar em nada a pessoa em sofrimento. Ela precisa de apoio, não que lhe desvalorizem o sofrimento. Comparações com as outras pessoas são inúteis. Opte antes por escutar o que a pessoa tem para dizer.

A vida continua.

Viver com Depressão é como viver sob um peso de 40 toneladas, sem conseguir levantar-se e mover-se. Mais uma vez, este tipo de afirmações menospreza o estado depressivo e demonstra que não está verdadeiramente interessado em ajudar.

Sabes que toda a gente tem problemas! Quando diz isto, está a implicitar que a pessoa deprimida escolheu estar infeliz, o que a faz sentir ainda pior. Prefira uma atitude de compaixão.

Sai e diverte-te! Sugerir momentos de diversão é apenas válido se estiver preparado para acompanhar a pessoa nesses momentos, incentivando cada pequeno passo. Lembre-se que a pessoa em Depressão não se sente com força ou ânimo para as coisas mais básicas.

És muito sensível. A Depressão é muito mais do que uma característica da personalidade. Não desvalorize a gravidade da Depressão. Se a pessoa está deprimida não é porque é fraca mas porque viveu intensamente experiências anteriores que a perturbaram.

Tu és forte, vais ficar bem. Algumas pessoas fortes poderão conseguir lidar com o desânimo e desespero. Mas quem está deprimido, sente que a sua vida não significa nada! Em vez de dizer isto, limite-se a escutar.

Tens de parar de ter pena de ti próprio. O que a pessoa deprimida sente ao ouvir isto é que a sua personalidade é fraca, o que a faz sentir ainda pior. Dê o seu tempo à pessoa e interesse-se pelos seus problemas.

Telefona-me! Se está realmente interessado em ajudar, deve ser você que estende a mão a quem precisa. Recorde-se que a pessoa se sente sem importância e sem força.

A vida é dura! Este tipo de afirmações reforça e agrava os sentimentos negativos da pessoa deprimida. É preferível que demonstre empatia e se disponibilize para apoiar e ajudar a superar o seu estado.

Tens de te esforçar mais! Críticas e comentários críticos não são nada construtivos. A recuperação de uma pessoa em Depressão é influenciada pela forma como a família e os amigos encaram o problema.

Já deves estar melhor agora! A impaciência mostra que ninguém realmente entende o que a pessoa deprimida está a passar. Não coloque prazos à recuperação de uma pessoa.

Vais ter de aprender a viver com a Depressão. Não! Viver em Depressão é estar num túnel escuro sem luz. Mas não tem de ser um problema para sempre: a Depressão tem solução. A melhor coisa que pode fazer é calmamente apoiar a pessoa a procurar o tratamento eficaz para a sua perturbação.

É possível estar severamente deprimido e ter uma vida funcional?

Não. Estar num estado de Depressão severa, é verdadeiramente incapacitante. As pessoas ficam sem energia para se sentirem motivadas até para as mais pequenas atividades diárias.

O quão comum é a ideação suicida?

Nos estados mais graves de Depressão a ideação suicida é frequente. Felizmente, nem todas as pessoas com depressão chegam a este estado de profunda desesperança e de angústia extrema. O modelo psicoterapêutico HBM, define o estado psicológico que origina a ideação suicida de Distúrbio Cíclico da Angústia. Este distúrbio emocional acontece quando as pessoas não conseguem gerir bem, num dado momento, a sua angústia entrando num espiral de sofrimento onde o alivio da dor é a único pensamento. Na tentativa de sair desse estado a morte e o suicídio é um pensamento natural. As pessoas que se tentam suicidar, apenas buscam o alívio da dor, não querem morrer.

Como se pode identificar se alguém está com tendências suicidas e como se deve proceder?

É muito difícil percebermos se a pessoa tem ideação suicida. Esta dor é vivida em silencio. No entanto há muitas pessoas que verbalizam essa intenção, mas quem as ouve, nunca sabe o grau de sofrimento e a assertividade com que a pessoa esta a manifestar essa intenção. Se acreditarmos que alguém quer de facto cometer o suicídio, nunca devemos deixar estas pessoas sozinhas e em casos de urgência, deve-se chamar as autoridades de saúde, e o internamento compulsivo e de emergência pode ser uma solução de imediato, para evitar um perigo eminente.

Acha que a depressão terá tendência a aumentar?

Sim, há tendência a aumentar. Há vários fatores que podem contribuir para isso. O afastamento social a que estamos sendo levados pelo crescente uso das redes sociais, que nos afastam de um contacto verdadeiro com as pessoas que nos rodeiam. O stress diário que nos deixa sem tempo para refletir sobre a vida e nós próprios. Um outro fator que irá contribuir cada vez mais para a manutenção dos estados depressivos é a distância que temos dos preceitos e regras das religiões, os indivíduos ficam a sua mercê, e têm que sozinhos encontrar formas de gerir as suas emoções e angústias.

É possível ficar totalmente curado?

Sim, Claro! A Psicoterapia é solução terapêutica que tem mostrado melhores resultados na depressão. Com a abordagem correta para cada individuo, hoje é possível dizer que a Depressão é um estado que pode ser alterado de uma forma eficaz e eficiente, utilizando métodos científicos com a psicoterapia.

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