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"Mantenho uma relação há 10 anos que me traz estabilidade financeira"

Aos 25 anos, o cantor garantiu em exclusivo ao Fama Ao Minuto que está a viver num verdadeiro conto de fadas. Apaixonado pelo homem a quem entregou o coração há dez anos, Carlos sonha com o casamento e a adoção.

"Mantenho uma relação há 10 anos que me traz estabilidade financeira"
Notícias ao Minuto

16:00 - 17/11/17 por Catarina Ferreira

Fama Carlos Costa

Realizado em relação ao amor e confiante num futuro risonho no que diz respeito à sua carreira musical, Carlos Costa promete para breve novos vídeos e uma mudança de visual.

À conversa com o Fama Ao Minuto, o artista falou sobre o preconceito e discriminação, justificou a ousadia que o caracteriza nas redes sociais e lançou farpas a todos os que o criticam.

Alguma vez se sentiu discriminado no meio artístico pelo facto de ser homossexual?

Há muita gente homofóbica no meio artístico, até porque estamos a falar de um país que mantém uma grande velha guarda na produção musical. Nem todos são assim, mas alguns têm muitos complexos e acabam por desculpar o complexo deles dizendo: ‘Eu não gosto de ti porque tu te expões demasiado, tu queres aparecer a todo o custo e não tens noção do que queres para a tua carreira’. Na realidade o complexo deles é o facto de eu ser um homem que tem uma imagem andrógena e usam isso como desculpa. Vivemos num país em que existe homofobia, existe preconceito e existe racismo, mas ao mesmo tempo vivemos num país em que existe uma grande parte de 'politiquices' corretas e de gente pseudo polida.

Até este momento eu não encontrei ninguém no panorama artístico português que faça aquilo que eu faço, que cante aquilo que eu canto, que produza vídeos como eu. Não estou a dizer que são melhores ou piores, mas no mesmo estilo não existe ninguém. A única pessoa parecida, a nível internacional, é o Pabllo Vittar, mas ainda assim é diferente porque eu sou um homem andrógeno e o Pabllo é uma drag queen. Eu sou simplesmente um cantor andrógeno que nasceu com estes traços. Sim sou muito prejudicado e sinto-me muito prejudicado, já poderia ter uma carreira equiparada ao Pabllo, considero que canto muito melhor do que ele e que tenho uma capacidade vocal muito superior à dele, mas vivemos num país onde só se consome a música portuguesa que meia dúzias de pessoas diz que se deve consumir, música que passa na radio e que é produzida com determinada editora ou produtor. Só se vende música que tenha ligação a um compositor do Diogo Piçarra, do Agir, da Ana Moura ou da Mariza. Tenho duas hipóteses, ou eu entro nesse lobby ou vou criar o meu próprio lobby.

Houve uma altura em que eu achava isso fantástico, adorava que as pessoas me conhecessem na rua, mas hoje nem gosto de sair à rua, sempre que tenho de sair vou disfarçado Na rua também lida com comentários homofóbicos, as pessoas são desagradáveis consigo?

Não, não são. Já foram muito mais. Mas no dia em que eu sair à rua e que as pessoas não reparem que sou eu que estou ali alguma coisa está errada. Houve uma altura em que eu achava isso fantástico, adorava que as pessoas me conhecessem na rua, mas hoje nem gosto de sair à rua, sempre que tenho de sair vou disfarçado ou munido com pessoas, nunca estou sozinho. As compras são os meus amigos que fazem.

Na rua consegue proteger-se, mas nas redes sociais como consegue defender-se dos comentários negativos?

Não leio o que as pessoas dizem. É feita uma triagem aos comentários e todos os que não são positivos são eliminados da minha página oficial, eu já não chego a ler.

Quando publica fotos sem roupa nas redes sociais, o seu objetivo é chocar as pessoas?

Eu só publico uma foto mais excêntrica ou mais polémica quando alguma coisa vai acontecer. Isto tem um objetivo, quando eu preciso de aumentar o meu share nas redes sociais é fácil e as pessoas são previsíveis a esse ponto. Na realidade eu nunca mostrei os meus genitais e nunca fiz nu frontal, mas as pessoas ficam chocadas com essas coisas e acaba por ser um negócio fácil.

Era capaz de fazer nu frontal?

Não. Não era mesmo.

O mais grave é que ele dizia que eu era acompanhante e ele também Após a sua participação no reality show da TVI ‘A Quinta’, o Carlos viu-se envolvido numa grande polémica em que foi acusado de ser acompanhante de luxo.

Esse é o grande podre da minha carreira. Realmente fui ali apanhado numa charada muito má, de muito mau tom, que depois foi explorada pela estação televisiva de uma forma muito injusta. Aquilo foi basicamente um fanático por programas de televisão que começou a enviar estas informações para a imprensa com o objetivo de se promover. O mais grave é que ele dizia que eu era acompanhante e ele também. O objetivo dele era entrar num reality também. Na altura eu devia ter publicado um telefonema que desmentia toda a história, mas acabei por me calar. As pessoas diziam: ‘Se tu não te calares não vais deixar o assunto morrer’.

Estive três meses sem falar com os meus pais com vergonha na cara, não sabia como havia de enfrentar a minha mãeMais tarde, submeteu-se ao teste da máquina da verdade, no programa ‘A Tarde é Sua’, e os resultados acabaram por confirmar em direto que o Carlos se tinha prostituído.

A máquina da verdade foi o pior, era uma mentira e uma calúnia. Envolvia uma estação de televisão que estava a dar ênfase a esta história para promover um programa que não estava a ter tanto sucesso quanto isso. Saí prematuramente do programa, quando era uma das maiores apostas, não fui rentável para a estação e eles decidiram que se não dei audiência lá dentro teria de dar cá fora. Não deixavam o assunto morrer até ao dia em que eu chorei em direto.

Estive três meses sem falar com os meus pais com vergonha na cara, não sabia como havia de enfrentar a minha mãe. Passei mal com a situação, estive imensas semanas fechado dentro de casa sem contacto com o mundo exterior, só saía por razões contratuais. Fui completamente arrasado nessa tarde em direto para dois milhões de pessoas.

O rótulo e a comparação com o José Castelo Branco chateia-o?

Chateia, porque o Zé tem uma postura um tanto ou quanto altiva que eu não tenho. Acho imensa piada ao que o José faz, mas não gosto que me associem. Em primeiro lugar, porque faço de tudo para ser único e em segundo lugar porque efetivamente não existe comparação possível. A única coisa que nos liga é o facto de sermos dois homens com aspeto andrógeno. Os maneirismos não nos ligam, a nossa forma de estar não nos liga, a forma de falar não nos liga, eu não passo a vida a falar de marcas. Inclusive, o próprio José chegou a dizer que eu não passava de um aprendiz, mas ele percebeu que eu não tenho nada contra ele, tenho contra que nos associem.

Nunca neguei, de todo, que a relação que mantenho há 10 anos me traz estabilidade financeira, mas não é por isso que estou com essa pessoaChegou ainda a escrever-se na imprensa que os rumores de que era acompanhante de luxo explicavam o facto de conseguir manter uma vida luxuosa, é verdade que tem um nível de vida ostensivo?

Sempre tive uma vida luxuosa, isso vem da minha profissão, da minha postura e do meu fanatismo em relação a coisas que não tinha acesso. As pessoas acharem que tenho uma vida luxuosa tem a ver com a imagem que construí para passar isso ao público. Não uso a personagem do coitadinho, se passei dificuldades foi por minha culpa.

É possível ter uma vida luxuosa vivendo apenas do meio artístico em Portugal?

Nunca neguei, de todo, que a relação que mantenho há 10 anos me traz estabilidade financeira, mas não é por isso que estou com essa pessoa.

Era um miúdo, não tinha nada, nunca passei dificuldades, mas não tinha nada e de repente aparece um príncipe encantado que me conquistaComo é que consegue manter toda essa discrição em relação à sua relação amorosa?

Não é por minha causa, é ele que faz isso. Esta relação é mais do que um conto da Cinderela. Eu era um miúdo, eu não tinha nada, nunca passei dificuldades, mas não tinha nada e de repente aparece um príncipe encantado que me conquista. Não fazia a menor ideia das posses dele até que começámos a namorar, só depois é que eu vim a perceber que ele tinha uma estabilidade financeira completamente diferente e só quando juntámos as nossas contas numa só é que começou a vir daí uma estabilidade para ambas as partes. Para eu estar com ele há dez anos existe um ‘descomplexar’ muito grande da mente dele e um grande amor de ambas as partes.

Não sente necessidade de assumir esse amor publicamente?

Gostava muito por um motivo, porque tenho muito orgulho na pessoa que ele é. Se eu hoje em dia sei muitas coisas, tudo o que se consiga imaginar, até a forma como pego nos talheres, foi ele que me ensinou. No dia em que aquela pessoa me faltar eu vou passar muito mal e não é por causa do dinheiro, é por tudo aquilo que ele me dá. É o meu grande amor e tenho a certeza de que não vou acabar com outra pessoa.

A certa altura falámos imenso disso, queríamos imenso adotar e era um objetivo nossoCasar faz parte dos seus planos?

Estou sempre a chateá-lo por causa disso, mas acho que tem a ver com a postura de ambos. A certa altura falámos imenso disso, queríamos imenso adotar e era um objetivo nosso. Entretanto, meteram-se uma série de coisas pessoais e profissionais da minha parte e da parte dele e isso acabou por ficar em ‘águas de bacalhau’.

Mas é um desejo seu casar e adotar uma criança?

Eu quero muito e sei que ele também.

Nunca vamos ver essa relação ser assumida publicamente?

Gostava que sim, mas tenho quase a certeza que não.

O Cláudio Ramos é um ser desprovido de talento que arranjou forma de entrar no mundo da televisãoAlém do público, existem muitas figuras públicas a fazer comentários menos positivos sobre a sua postura, essas críticas atingem-no de forma diferente?

Não me atingem simplesmente e só respondo quando já me estão mesmo a encher o saco. Pessoas como Maria Botelho Moniz e Cláudio Ramos para mim valem zero. O Cláudio Ramos é um ser desprovido de talento que arranjou forma de entrar no mundo da televisão. A Maria Botelho Moniz não tem talento nenhum, nem cara, nem corpo, a única coisa que ela tem de bom é ser bem falante, mas depois diz estas coisas. Por favor, estamos a falar de uma pessoa que faz o programa ‘Passadeira Vermelha’. Prefiro mil vezes fazer um direto na minha página do que fazer o ‘Passadeira Vermelha’. Comento a minha vida, não comento a dos outros.

Ainda há dias a Joana Latino saiu de um direto no 'Passadeira Vermelha', onde tinha acabado de falar mal de mim e depois mandou-me uma mensagem no Facebook. Como é que alguém fala com a moral que ela tem e desmaquilhada tem aquela cara, usa o cabelo cor-de-laranja e tem um rabo maior do que o da minha tetravó. Isto já é o meu lado mau a falar, acho que para falarem dos outros eles têm de ter moral.

Sou muito amigo da Maria Leal, falo com ela todos os dias ao telefone e há muita gente que acha que isto só me tira credibilidade Na comunidade gay o Carlos também é alvo de algumas críticas, consegue compreender essa falta de apoio?

Compreendo o porquê de eles não me apoiarem, mas acho que é triste. Existe muita homofobia dentro do mundo gay. Existe no lobby gay uma grande sede por tudo o que é boémio. Cinquenta por cento do público gay quer ser conhecido e ter o seu conto de fadas, tenho o meu e isso faz muita dor de cotovelo. Tirando o outro lado de que eles dizem que compreendem o facto de eu ser gay, mas não o facto de ser andrógeno e parecer uma mulher.

As pessoas não podem julgar apenas o teu exterior. Por exemplo, eu sou muito amigo da Maria Leal, falo com ela todos os dias ao telefone e há muita gente que acha que isto só me tira credibilidade, mas falo com ela de coisas sérias. Ninguém pensa que a Maria pode sofrer interiormente com tudo o que lhe dizem. Quando participei no Festival da Canção, a Simone de Oliveira disse na imprensa: ‘Ainda bem que quem não ganhou foi aquele miúdo que tinha uma canção de boite’. A Simone não faz a menor ideia do quanto isso me podia magoar. As pessoas têm de parar para pensar que as coisas que dizem podem magoar o próximo.

Consegue definir quem é o seu público?

É complicado definir. Mas os miúdos que estão a descobrir agora a sua sexualidade olham para mim como um ícone, mas  tento sempre manter a distância desse público para que não me responsabilizem pelas escolhas deles. Tenho noção de que as crianças adoram o meu boneco, por ser tão maluco e excêntrico, e depois o público feminino, aquela parte que não se sente afetada com a minha imagem. Quando estou numa fase mais feminina acabo por ter mais público masculino, mas com uma intenção menos artística. Quando estou numa fase mais masculina acabo por ter mais aceitação do mundo gay e público homossexual. Acabo por agradar e desagradar a gregos e a troianos, é isso que me tem mantido nos últimos anos.

Houve uma altura em que eu não era nada respeitável, as pessoas não me respeitavam Os seus últimos videoclipes têm feito bastante sucesso e o número de visualizações é prova disso. Consegue notar um crescimento na sua carreira?

Consigo. Houve uma altura em que eu não era nada respeitável, as pessoas não me respeitavam e achavam que eu não era uma pessoa a respeitar. Hoje em dia ainda existem muitos pontos de interrogação a meu respeito, mas pelo facto de eu me manter as pessoas começam a pensar: ‘Espera, às tantas este rapaz é alguém que eu devia respeitar’, isso para mim já é um crescimento. 

Como é que define o seu estilo enquanto artista?

Quero muito ser conhecido pela parte de entertainer. Quero muito ser conhecido como um cantor pop que faz espetáculos com luzes e bailarinos. À parte disso, sou um cantor relativamente bom e tenho uma voz bastante aceitável, digo isto com a maior das humildades, mas gostava de ter uma imagem dentro da onda de Rihanna e Beyoncé, porque elas fazem coisas que eu gosto, mas não quero ser igual a elas.

Lançar um disco faz parte dos seus planos?

O meu objetivo inicial era ir lançando singles até ter um disco, mas, pela forma como as coisas estão, não ganho quase nada com isso. Quero continuar a lançar estes vídeos e a impressionar de forma positiva até que as pessoas compreendam e digam: ‘Não, este miúdo tem capacidade e merece que vá comprar uma música dele’. Por enquanto, percebo que as pessoas não pensem assim, mas vou continuar a fazer canções até conseguir tocar no coração delas.

Tenho perfeita noção de que se chegasse agora a um talent show internacional faria imenso sucessoHá público em Portugal para o género de música que o Carlos canta e produz?

Nós não temos este género de música, mas consumimos o que vem de fora. Tenho perfeita noção de que mais tarde ou mais cedo terei de dar um pulo lá para fora, mas não é fácil porque tenho aqui a minha relação e as minhas raízes. Tenho perfeita noção de que se chegasse agora a um talent show internacional faria imenso sucesso, mas também tenho de sentir o meu próprio timing.

Quais são os seu objetivos para o futuro?

Quero muito cantar, quero continuar a não ser indiferente para o público. Gostava muito de fazer televisão mais frequentemente e gostava muito de lançar um álbum que me permita fazer uma digressão. Gostava de criar um produto vendável, que tivesse uma garantia comercial e que me permita viver disso.

Para breve, quais as surpresas que podemos esperar?

Uma mudança de visual, um novo videoclipe e, no início do ano, talvez regressar à televisão. Quero lançar um videoclipe de Natal e também tenho uma ou outra música que gostava de fazer. Não deixar morrer a personagem e fazer coisinhas, basicamente é isso.

É por essa personagem que quer ser conhecido?

Eu quero ser inconfundível. Durante muitos anos fui o Carlos do Ídolos, hoje em dia eu sou o Carlos Costa e ponto final.

*Pode ler a primeira parte desta entrevista aqui.

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