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Setor dos componentes lidera investimento do 'cluster' do calçado

A indústria portuguesa de componentes para calçado, que está presente com 14 empresas na feira Lineapelle, em Milão, foi em 2023 um dos grandes motores das exportações da fileira do calçado, liderando o investimento naquele 'cluster'.

Setor dos componentes lidera investimento do 'cluster' do calçado
Notícias ao Minuto

19:14 - 20/02/24 por Lusa

Economia Calçado

Em declarações à agência Lusa, o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) destacou o crescimento homólogo de 13,6% das exportações de componentes para calçado em 2023, para 73 milhões de euros, num ano em que as exportações totais da fileira recuaram 5,1%, para 2.222 milhões de euros.

Salientando o papel estratégico do setor dos componentes na afirmação da indústria portuguesa de calçado, Paulo Gonçalves notou que este se tem também destacado como o que maior investimento tem feito em toda a fileira.

"Tem havido uma estratégia do próprio setor de densificar o nosso 'cluster'. Entendemos que quanto mais colaborarmos numa lógica de 'cluster', mais oportunidades de negócio podemos conquistar no plano internacional", referiu.

"Em termos práticos -- explicou - um cliente internacional, quando vem a Portugal, percebe que aqui encontra os componentes, as peles, os artigos de pele, os acessórios e o calçado. Ou seja, aqui tem todos os fornecedores necessários para desenvolver os seus produtos e as suas coleções".

Convicto da "grande oportunidade" que esta lógica de 'cluster' encerra, a APICCAPS tem vindo "a incentivar as empresas a investir, para se posicionarem na linha da frente", assumindo-se o setor dos componentes para calçado -- solas, palmilhas e afins - como "o que mais tem investido" em projetos relacionados com tecnologia de ponta, desenvolvimento de novos produtos e qualificação dos trabalhadores.

Entre estes projetos, destaque para o 'BioShoes4All', que, num investimento global de 80 milhões de euros, pretende promover a bioeconomia sustentável no setor do calçado, desenvolvendo produtos inovadores em materiais de base biológica e materiais reciclados.

Envolvendo um total de 70 parceiros, este projeto pressupõe, segundo Paulo Gonçalves, o desenvolvimento de "uma nova geração de produtos, geração essa que, muitas das vezes, parte exatamente do setor de componentes".

Na Lineapelle, que decorre entre hoje e quinta-feira, várias empresas portuguesas estão a apresentar algumas das inovações produtivas em curso, muitas delas apoiadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

É o caso das peles biodegradáveis desenvolvidas pela Dias Ruivo, de Avintes, Vila Nova de Gaia, da aposta da Atlanta em solas com 80% de produtos reciclados ou do investimento da Vapesol, de Felgueiras, no desenvolvimento (e, agora, reaproveitamento dos desperdícios) das solas ultraleves de EVA (etileno vinil acetato, um material de espuma leve e flexível).

Segundo o presidente executivo (CEO) da Vapesol, Décio Pereira, a empresa - que em 2022 inaugurou uma fábrica exclusivamente dedicada à produção de solas de EVA - investiu um milhão de euros em equipamentos para reutilização dos desperdícios deste material, que entra em atividade nos próximos dias e faz da empresa "a primeira no mundo com certificado para a produção de EVA com desperdício".

"Conseguimos reverter o processo de expansão [do EVA] e reintroduzir [todo o desperdício] no processo produtivo, sem a perda de qualquer característica", explicou, detalhando que as solas de EVA que a Vapesol produz passarão a incorporar até 20% de EVA reciclado.

De acordo com Décio Pereira, com este investimento a empresa assegura não só uma diminuição da sua pegada ambiental, como prevê atrair novos clientes mais focados na sustentabilidade.

Constituído por cerca de 270 empresas (dados de 2022), o setor dos componentes para calçado assegurava nesse ano mais de 5.000 postos de trabalho em Portugal.

A fileira portuguesa do calçado está, desde o passado domingo até quinta-feira, representada em Milão com 68 empresas nas feiras internacionais de calçado MICAM (35 empresas), de acessórios de pele MIPEL (uma empresa) e de componentes para calçado e curtumes Lineapelle (32 empresas, 18 das quais de curtumes e 14 de componentes).

*** A agência Lusa viajou a convite da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) ***

Leia Também: Consumo mundial de calçado deverá crescer 9,2% em 2024

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