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Águas de Coimbra quer reduzir para 15% as perdas e fugas

O presidente da Águas de Coimbra, Alfeu Sá Marques, afirmou hoje que quer passar dos 21 a 25% de perdas e fugas na rede para 15%, em quatro anos, e apontou também para a necessidade de se controlar as afluências indevidas.

Águas de Coimbra quer reduzir para 15% as perdas e fugas
Notícias ao Minuto

09:24 - 03/03/22 por Lusa

Economia Água

"Andamos com fugas e perdas na ordem dos 21 a 25% e isso não é bom. Tenho como objetivo, quando sair daqui a quatro anos, ter 15%, mas o objetivo nacional é 20%, não estamos longe desse objetivo e vamos naturalmente cumpri-lo", afirmou à agência Lusa Alfeu Sá Marques, que assumiu a presidência da empresa municipal Águas de Coimbra (AdC) em novembro de 2021.

Segundo este responsável, assim que chegou foi confrontado com um problema associado ao pagamento do tratamento das águas residuais à Águas do Centro Litoral e a um acordo, por via de um processo judicial, de um pagamento de valor em dívida àquela empresa, faltando ainda pagar seis milhões de euros.

"O problema da cobrança das águas residuais é um problema técnico, político e económico complicado. Se faturo aos meus clientes dez milhões de metros cúbicos, teoricamente eu gero entre sete a nove milhões de metros cúbicos [que serão tratados], porque a água que utilizo nem toda se converte em esgotos. Era essa a lógica que existia. Mas os sistemas de drenagem não são estanques e permitem a entrada de afluências indevidas -- água que está no solo e que entra por sistemas de águas pluviais. Ou seja, em vez dos oito ou nove milhões de metros cúbicos, chega-se a ter 16 milhões", explicou.

Face a essa discrepância entre o projetado pela AdC e o efetivamente registado pela Águas do Centro Litoral, foi sendo acumulada uma dívida ao longo dos últimos sete anos, que ficou agora estabelecida num acordo judicial no verão de 2021.

Para Alfeu Sá Marques, é fundamental a empresa municipal agora diminuir as afluências indevidas para reduzir a fatura cobrada pela Águas do Centro Litoral relativamente ao tratamento de águas residuais, apontando, por exemplo, para a existência de sistemas unitários em pontos do concelho, que não separam o sistema das águas pluviais das águas residuais.

"Não é possível chegar aos oito ou nove milhões de metros cúbicos [de águas para tratamento], mas podemos ir para valores de dez ou 11 milhões e criarmos uma política de cidade esponja -- ajudada por nós, mas que é uma política da autarquia -- e que já se vê em algumas cidades da Europa, com telhados verdes, paredes verdes e pavimentos semipermeáveis", por forma a aumentar a retenção das águas pluviais, defendeu.

Sobre a situação financeira da empresa municipal, Alfeu Sá Marques recordou que nos últimos sete anos a AdC seguiu "uma política tarifária de diminuição das tarifas ao consumidor", algo que considera "irracional" quando o preço na origem tem aumentado.

"Ao longo dos últimos sete anos, no sistema de abastecimento de água, houve um aumento de 3,31% e de água residual de 20,79%. E nós estávamos a diminuir [a fatura]", notou, salientando que caso não tivesse havido uma alteração no tarifário a empresa entraria em insolvência.

O atual cenário prevê um resultado operacional positivo de 740 mil euros no final do ano, com Alfeu Sá Marques a recordar que a empresa tem neste momento mais de 700 mil euros de dívidas de consumidores não cobradas.

O dirigente teme também um aumento dos custos, nomeadamente os preços da energia.

No plano de investimentos da empresa, a Águas de Coimbra, para além de querer reduzir as perdas e as afluências indevidas, pretende apostar na telemetria e instalar painéis de energia solar em espaços com coberturas por forma a reduzir a fatura energética.

O especialista em hidráulica pretende também transformar a Águas de Coimbra "num laboratório vivo", fomentando e potenciando a ligação à Universidade de Coimbra, com projetos de investigação conjuntos.

Outro objetivo será a intervenção no parque escolar, que é responsabilidade da Câmara.

Sá Marques nota que, das 45 escolas do concelho, "mais de metade" têm problemas com a qualidade da água que sai da torneira.

"É um bocado irracional pedirmos às pessoas para beberem água da torneira, mas depois nas escolas há água a sair castanhinha [devido a canalização antiga em galvanizado]. Constituímos uma equipa para intervir aí", disse.

Leia Também: Abastecimento de água: Equipamento vai minimizar impacto do manganês

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