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Argentina: Acordo com credores permite recuperar autonomia de decisão

O presidente argentino, Alberto Fernández, considerou hoje que o acordo financeiro que permite ao país sair do 'default' da dívida externa, permitiu "recuperar autonomia de decisão" para reerguer o país, cujos títulos públicos recuperaram fortemente na bolsa nova-iorquina.

Argentina: Acordo com credores permite recuperar autonomia de decisão
Notícias ao Minuto

23:11 - 04/08/20 por Lusa

Economia Argentina

"Recuperámos autonomia de decisão para destinar recursos e para definir o país que queremos. Pouco a pouco, colocaremos o país de pé", anunciou Alberto Fernández durante uma videoconferência para o lançamento de um plano de construção e reformas de moradias para população com baixos rendimentos.

"A dívida, um enorme condicionante que tínhamos, não nos voltará a impedir de conseguir um processo de desenvolvimento e poderemos contar com os recursos necessários para a produção e para trabalho", antecipou o Presidente argentino.

A reestruturação da dívida de 66.238 milhões de dólares nas mãos de credores externos significou, segundo Alberto Fernández, um alívio de 37.700 milhões de dólares que venceriam ao longo dos próximos dez anos e 42.500 milhões de dólares se forem considerados os desembolsos que o país deveria fazer nos próximos cinco anos.

Diluir ao longo do tempo os vencimentos que se acumulavam no curto prazo e recortar as taxas de juros foram a maior virtude do acordo que praticamente não teve redução de capital.

Depois de quatro meses de negociações formais, a Argentina chegou hoje de manhã a um entendimento com os três principais grupos de credores que, juntos, detém cerca de 70% dos títulos públicos em 'default', quantidade suficiente para bloquear ou para alcançar um acordo.

Fernández mostrou-se agradecido pela "compreensão dos credores" por entenderem que "a Argentina fazia um enorme esforço de pagamento" para chegar ao valor final.

"Nunca fomos para brigar. Fomos resolver um problema. Obrigado pela compreensão dos organismos internacionais e dos mais de 150 economistas que apoiaram a proposta argentina", agradeceu.

No dia 06 de julho, a Argentina fez a sua quarta oferta aos credores, depois de três fracassos iniciais. Pela proposta argentina, o país reconheceria 53,50 dólares de cada 100 dólares do valor presente, mesmo quando a sua promessa era a de manter a sustentabilidade da dívida, que o Fundo Monetário Internacional apontava em 50% de redução.

A proposta foi rejeitada pelos credores que contrapropuseram um mínimo de 56,50 dólares.

Apesar de o Presidente garantir que aquela seria a última oferta, o país antecipou alguns prazos de pagamento que significaram uma melhoria para os 54,80 dólares, valor que foi aceite pelos credores.

A oferta inicial do dia 16 de abril significava um reconhecimento de 39 dólares por cada 100 dólares nominais de dívida. Os credores pediam 63 dólares. No final das negociações, a Argentina cedeu 16 dólares e os credores oito.

Formalmente, a Argentina estendeu o prazo de adesão que terminava hoje até ao próximo dia 24, para que os credores adiram à nova oferta pré-acordada. Esse é o horizonte temporal para a Argentina começar a sair do seu 'default', iniciado em 22 de abril.

Em Wall Street, os papéis da divida soberana argentina subiram até 7% e as ações de empresas argentinas até 8%. O índice de risco-país (custo de financiamento para o país) caiu 6,01% para 2.111 pontos base, a cifra mais baixa desde 04 de março.

No mercado paralelo, o valor do dólar, o único ao qual os argentinos têm acesso, caiu 5,9% em relação ao peso.

"Chegar a um acordo era uma condição necessária, mas não suficiente", repetem os economistas argentinos.

"Além de uma negociação bem-sucedida da dívida, é imperativo um programa financeiro de consolidação fiscal para corrigir o desequilíbrio monetário e o risco de aceleração da inflação e um novo acordo com o FMI que permita também adiar os fortes vencimentos acumulados durante 2022 e 2023. Isso poderia melhorar o crédito, hoje inexistente, para as empresas argentinas e para as províncias argentinas", disse á Lusa o economista Federico Furiase, diretor da consultora EcoGo.

Antes da pandemia, a Argentina combinava elevada inflação (53,8% em 2019) com forte recessão. Sem crédito nem reservas no Banco Central, o país enfrenta o gasto público com emissão monetária sem respaldo.

O défice fiscal deve fechar o ano de 2020 em 8% de um PIB que pode cair até 15%, segundo as projeções dos principais economistas do país.

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