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O ataque com drones contra refinarias que deixou o mundo (em) alerta

A tensão no Golfo Pérsico tem vindo a aumentar, agravada pelo ataque a instalações petrolíferas da Arábia Saudita - há precisamente uma semana - , e a possibilidade de um conflito com o Irão será uma das questões relevantes da assembleia-geral da ONU, agendada para a próxima semana. Mas, afinal, o que está em causa?

Notícias ao Minuto

08:00 - 21/09/19 por Ana Lemos com Lusa

Economia Arábia Saudita

Que ataque foi este que aumentou a tensão no Golfo Pérsico? Um ataque com drones contra refinarias em Abqaiq e Khurais, que provocou incêndios nas duas instalações petrolíferas do gigante Aramco, no leste da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo.

Na sequência deste ataque, a Aramco reduziu a sua produção para metade, ou seja, menos cerca de 5,7 milhões de barris por dia. Sendo que, no total, os ataques provocaram a suspensão de mais de 5% da produção diária de petróleo bruto do mundo.

Além disso, as explosões também interromperam a produção de gás, reduzindo o fornecimento de etano e de gás natural no país para cerca de metade.

Os EUA mostraram-se de imediato preparados para recorrer às suas reservas estratégicas de petróleo para compensar interrupções no mercado do petróleo, em colaboração com a Agência Internacional de Energia. Ainda assim, os preços do barril de petróleo aumentaram mais de 10%, a maior subida desde 1991.

O ataque aconteceu numa altura em que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo tentam, há meses, encontrar forma de limitar a oferta e estabilizar preços.

Na terça-feira, a Arábia Saudita garantiu que a produção total de petróleo no país será retomada até ao final de setembro, devendo até ser aumentada para 11 milhões de barris diários, quando antes do ataque se situava em 9,6 milhões.

Porque foi reivindicado pelos Huthis?

Os Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, reivindicam regularmente lançamentos de mísseis com drones contra alvos sauditas e afirmam que agem como represália contra os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen, em guerra desde 2015.

Um porta-voz militar dos rebeldes Huthis disse que os Huthis enviaram dez drones para atacar as instalações sauditas. E, dois dias depois do ataque, os rebeldes iemenitas Huthis ainda ameaçaram lançar novos drones contra objetivos na Arábia Saudita.

O enviado especial da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, mostrou-se "extremamente preocupado" pelo aumento esperado das tensões no Golfo Pérsico e defendeu ser necessário encontrar uma solução política para a guerra civil no Iémen iemenita o mais rápido possível.

Como reagiu a Arábia Saudita?

O príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, disse que tinha "vontade e capacidade" para responder ao "ataque terrorista", numa conversa telefónica com o Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

A Arábia Saudita apontou o dedo ao Irão, tendo o porta-voz da coligação militar que intervém no Iémen contra os Huthis afirmado que as armas usadas no ataque tinham origem iraniana, e decidiu aliar-se a uma missão de segurança marítima liderada pelos EUA para combater as ameaças à navegação e ao comércio global.

Na quinta-feira, o príncipe herdeiro saudita e o chefe da diplomacia norte-americana pediram à comunidade internacional para se unir e enfrentar a "contínua ameaça do regime iraniano".

Quem são os principais atores do conflito?

Arábia Saudita, EUA e Irão. O primeiro porque foi o atacado e, de imediato, reforçou a sua proximidade em relação aos Estados Unidos e a sua rivalidade para com o Irão, tendo mesmo afirmado estar preparado para "enfrentar e responder a este ataque terrorista".

No caso dos Estados Unidos, a situação deu protagonismo ao país como "rede" de reservas petrolíferas e aumentou a vontade de interferir política e militarmente no Golfo Pérsico. O secretário de Estado, Mike Pompeo, foi enviado para a zona para fazer alianças e preparar o terreno.

Para o Irão, estes ataques representaram um agravar das tensões com os seus adversários. Apesar de ter negado sempre qualquer envolvimento, viram as sanções económicas de que já eram alvo serem reforçadas pelos EUA e o bloqueio de venda de armas prorrogado pela Alemanha. O governo iraniano advertiu oficialmente os Estados Unidos de que vai responder de forma "imediata" a qualquer agressão, reagindo assim à posição de Washington sobre eventuais represálias contra Teerão na sequência dos ataques

Como se posicionaram as outras potências?

A Rússia pediu calma à comunidade internacional para que não tire "uma conclusão precipitada". Ainda assim, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin -- que deverá fazer, em outubro, uma visita oficial à Arábia Saudita - propôs aos sauditas que comprem um sistema de mísseis antiaéreos russo para defender o seu território.

a China instou os EUA e o Irão a "conterem-se" e a esperarem por uma investigação que permita tirar conclusões. Admitiu estar muito preocupada com o impacto do ataque na estabilidade e segurança do mercado internacional de fornecimento de petróleo, já que é um dos maiores clientes do petróleo do Médio Oriente.

Enquanto a União Europeia reiterou o apelo de "máxima contenção" a Washington e Teerão e defendeu ser importante determinar a responsabilidade pelo "ataque abominável". A França transmitiu solidariedade para com a Arábia Saudita e decidiu enviar um grupo de especialistas para ajudar a investigar responsabilidades. Reafirmou o compromisso com a segurança da Arábia Saudita e a estabilidade da região e disse ser "relativamente pouco credível" que o ataque tenha sido realizado pelos rebeldes Huthis do Iémen.

A Alemanha prolongou por seis meses o seu embargo à venda de armas a Riade, decidido após o assassínio do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no outono de 2018, e o Reino Unido apoiou a posição dos EUA, defendendo a necessidade de uma "resposta diplomática unida", em nome da comunidade internacional.

Os Emirados Árabes Unidos criticaram o Irão e admitiram que o ataque é uma escalada perigosa, apelando aos países árabes e à comunidade internacional para ficarem do lado da Arábia Saudita. Juntaram-se à coligação de segurança marítima liderada pelos EUA para proteger a navegação e o comércio global, da qual fazem parte também o Reino Unido, a Austrália e o Bahrein.

o Iraque refutou qualquer ligação ao ataque, quando, inicialmente, órgãos de comunicação social norte-americanos colocaram a hipótese de os drones terem sido disparados daquele país. A Índia condenou o ataque, reiterando opor-se a todas as formas de terrorismo, mas não referiu a possível origem do ato

A Venezuela também condenou as "ações violentas" e advertiu que põem em causa a paz da região e a economia mundial. Afirmou estar solidário com povo e Governo da Arábia Saudita.

Porque foi este ataque tão grave para as relações EUA/Irão?

A tensão entre o Irão e os Estados Unidos tem estado alta desde que o Presidente dos EUA, Donald Trump, se retirou, no ano passado, do acordo sobre o programa nuclear do Irão de 2015. O acordo de Viena determina o afastamento de Teerão do programa de desenvolvimento de armamento atómico, tendo o Irão aceitado abandonar o programa nuclear em troca do levantamento de sanções que afetavam a República Islâmica.

Irão acusou os EUA de violação do direito internacional pela saída unilateral do acordo e disse que, para continuar a cumprir, os restantes parceiros - sobretudo os países europeus - tinham de tomar medidas eficazes que garantissem os interesses de Teerão.

Sem respostas concretas, o Irão começou a afastar-se dos compromissos e acabou por ultrapassar o limite imposto sobre as reservas de urânio enriquecido. Em julho, realizou-se uma nova reunião extraordinária para tentar salvar o acordo, mas sem a presença dos Estados Unidos.

Entretanto, uma série de ataques contra navios na região do Golfo Pérsico imputados pelos Estados Unidos ao Irão levou os EUA a lançar a ideia de fazer uma coligação para que cada país escoltasse militarmente os seus navios mercantes com o apoio dos militares norte-americanos, o que proporcionaria vigilância permanente da área mantendo o comando nas mãos dos Estados Unidos.

Os EUA pediram a adesão da Alemanha, França e Reino Unido na missão de proteção do estreito de Ormuz, mas os europeus rejeitaram a proposta e decidiram continuar a tentar preservar o acordo nuclear com o Irão.

Após o arresto de um petroleiro britânico pelo Irão, em julho, Londres decidiu escoltar navios civis de bandeira britânica no estreito do Golfo de Ormuz e enviou um segundo navio de guerra para a região.

Como se posicionam as organizações internacionais?

secretário-geral da NATO declarou-se "extremamente inquieto do risco de escalada" depois dos ataques a instalações petrolíferas sauditas e acusou Teerão de "desestabilizar o conjunto" do Médio Oriente.

a agência internacional de energia assegurou que os mercados contam com reservas suficientes para 15 dias de procura mundial de petróleo e disse que essas reservas podem ser utilizadas de forma coletiva numa situação de emergência, sendo mais que suficientes para compensar qualquer alteração no fornecimento.

Para o terreno, a ONU enviou uma equipa de peritos para conduzir um inquérito internacional sobre os ataques na Arábia Saudita, tendo o secretário-geral defendido que seja travada uma escalada do conflito.

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