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Movimento pede que hoteleiros recusem parque de estacionamento em Aveiro

O Movimento Juntos pelo Rossio divulgou hoje uma carta aberta a hoteleiros e investidores, pedindo-lhes que recusem a construção de um parque de estacionamento subterrâneo que provocará "danos irreversíveis" no jardim do Rossio de Aveiro.

Movimento pede que hoteleiros recusem parque de estacionamento em Aveiro
Notícias ao Minuto

19:02 - 12/05/19 por Lusa

Economia Juntos pelo Rossio

Na carta, os representantes do movimento alertam que a construção do parque de estacionamento, que poderá servir novos hotéis de cinco estrelas que se instalem no centro da cidade, vai destruir o jardim, descaracterizando a zona e retirando valor ao turismo, por destruir as zonas de interesse que poderiam atrair visitantes.

"Desejamos que o turismo em Aveiro respeite a tradição das gentes e a vida de Bairro sob pena de quando quiserem visitar Aveiro, Aveiro já não ser Aveiro, e ser qualquer outra coisa transgénica e modificada ao sabor dos interesses privados. Também aí perderão os hotéis que já nada terão para oferecer aos seus clientes e o seu investimento atual de nada servirá. Perderemos todos", lê-se na carta.

Segundo a missiva, divulgada na data em que se assinala o dia da cidade de Aveiro, "uma nova ameaça paira sobre um espaço privilegiado de receção aos turistas desta cidade" e "o Jardim do Rossio pode ser destruído".

"No seu lugar a Câmara Municipal de Aveiro pretende criar um gigantesco buraco de lodo com resolução por tempo indeterminado, dada a complexidade, morosidade e impacto da construção de um parque de estacionamento em cave previsto para aquele local", lê-se no documento.

A carta acrescenta ainda que à obra pode ficar associada a "destruição parcial das marinhas, incluindo a tão conhecida Marinha da Troncalhada, que é hoje um Ecomuseu".

"Estes danos irreversíveis poderão verificar-se caso a Câmara Municipal de Aveiro avance com a construção da nova ponte sobre a eclusa, e seus acessos, cuja previsão aponta para um custo de mais de um milhão de euros a serem pagos por todos nós", refere a carta aberta.

O texto lembra referências do executivo camarário a enaltecer o investimento por parte de hotéis de cinco estrelas e a "mais-valia que seria ter estacionamento à porta dos restaurantes, hotéis e alojamentos do centro", questionando se a construção prevista do parque de estacionamento poderá ser uma "encomenda de privados".

"Senhores investidores, serão bem-vindos sempre e quando assegurarem o respeito pelo património cultural, ambiental e social desta cidade e não contribuírem ou pactuarem com a destruição dos espaços que nos são queridos e cuja história vai muito além da vossa chegada recente. As cidades fazem-se de gente e de vivências, de espaços verdes e de partilha, não de 'bunkers' de cimento. Contamos convosco para dizer não ao estacionamento do Rossio e para estarem ao lado da população nesta causa", afirma-se no texto.

Os autores da carta aberta defendem que essa posição deixa a Câmara Municipal, atualmente presidida por Ribau Esteves, "liberta de pressões externas para assumir definitivamente que desistir deste projeto será a melhor decisão para a cidade".

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