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O voo do diamante azul e branco para a conquista da Moldávia

O Desporto ao Minuto acompanhou a partida de Oleg Reabciuk para a primeira concentração da Seleção A da Moldávia e conta-lhe agora a história do melhor marcador da equipa B do FC Porto cujo coração também bate... por Portugal.

O voo do diamante azul e branco para a conquista da Moldávia
Notícias ao Minuto

08:02 - 23/03/18 por Fábio Aguiar

Desporto Entrevista

Trabalho, crença e espírito de sacrifício são alguns dos valores que estão eternizados nos livros do futebol e que funcionam como uma espécie de 'segredo' para todos os que sonham chegar ao topo. Oleg Reabciuk, uma das grandes promessas do FC Porto, adoptou-os bem cedo e, independentemente da língua em que estão escritos, continua a segui-los à risca. 

Nascido na Moldávia, o agora lateral portista viu as circunstâncias da vida abrirem-lhe as portas de Portugal. Aos quatro anos, acompanhou os pais na mudança para o nosso país e, por esse motivo, adquiriu dupla nacionalidade que, até há bem pouco tempo, lhe alimentava o sonho de representar a Seleção Nacional.

Contudo, o caminho acabou por ser diferente. Agora, aos 20 anos, Oleg foi recompensado pela grande temporada que está a realizar na Invicta com a primeira chamada à Seleção A... da Moldávia. O Desporto ao Minuto acompanhou a partida do melhor marcador da equipa B dos dragões - quatro golos em 10 jogos - do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para o país Natal e revela-lhe agora toda a história do jogador que, 'transpirando' felicidade, deixa uma garantia: "Isto é só o começo!" 

Notícias ao MinutoO Desporto ao Minuto acompanhou a partida de Oleg Reabciuk do Aeroporto de Lisboa.© Notícias ao Minuto

A cerca de duas horas de o avião levantar voo, existem muitos nervos antes desta viagem única para te juntares, pela primeira vez, à concentração da Seleção A da Moldávia?

(risos) Não, tranquilo... (risos)

Qual o sentimento antes da partida? 

Estou muito feliz, claro. No início era uma escolha muito difícil, pois sabia que se aceitasse ir não poderia mais representar a seleção portuguesa. Mas, a partir do momento em que tomo uma decisão, fico feliz e já só penso nisso. Não penso mais no que poderia ter sido e... vou com tudo!

No entanto, até há bem pouco tempo essa indecisão pairava na tua mente...

Sim, bastante. Como todos nós sabemos, a seleção portuguesa tem muito maior visibilidade e era mais por aí. Além disso, sentia que também merecia uma oportunidade. Mas, visto que não foi dada e aproveitando o facto de, ao contrário de muitos jogadores, ter dupla nacionalidade, encarei isto como uma sorte enorme.

Não foi, portanto, uma decisão difícil?

Não, longe disso. Estou mesmo muito feliz.

Como tiveste conhecimento desta convocatória?

Soube pela minha mãe. Eu andava a receber uma chamadas de uns números estranhos da Moldávia e liguei à minha mãe: 'Mãe, estão aqui a ligar-me da Moldávia. Deve ser para ti...' Entretanto, a minha mãe disse-me que, afinal, era da seleção da Moldávia. Por acaso, até estava a falar com ela sobre essa situação e o team manager do FC Porto chamou-me para ir ao balneário falar com o mister. E ele disse-me: 'Oleg, olha, recebemos aqui a convocatória da seleção da Moldávia e tu vais.' E pronto, foi assim.

Qual foi a primeira reação?

Fiquei extremamente feliz, até por ver a cara dos treinadores. Sorriram para mim, deram-me os parabéns e senti que era, de facto, algo muito bom para mim.

E vais poder treinar o teu moldavo, que cá, segundo sei, não é habitual falares...

(risos) Sim, nós em casa falamos português e então não é habitual. No entanto, eu percebo tudo e falo o básico. Por vezes, não consigo é expressar tudo o que tenho para dizer, mas esse é o meu menor problema. Vai correr tudo bem.

Notícias ao MinutoLateral-esquerdo tem sido uma das principais figuras da equipa orientada por António Folha.© Facebook

Encaras esta convocatória como uma recompensa por todo o bom trabalho que tens realizado ao longo das últimas épocas?

Sem dúvida! Uma chamada à Seleção A é sempre um prémio. Nunca consigo ver isto de outra forma. Sinto que mereço, pois o meu percurso nunca foi fácil e nunca tive nada na mão. Comecei sempre por baixo e tive que conquistar. Por exemplo, esta época comecei com a perna partida... Chegar a esta altura e conseguir apresentar este nível, penso que é importante. Acho que ninguém acreditava nisso porque foi uma lesão muito grave. Eu sempre acreditei e estou muito feliz.

Apesar do carinho que tens por Portugal, uma vez que grande parte da tua vida foi passada aqui, acredito que seja um motivo de enorme orgulho representar o país onde nasceste...

Claro que sim! Estou muito orgulhoso!

Que importância tem tido o treinador do FC Porto B, António Folha, nesta etapa?

Toda! Foi ele que me foi buscar ao Belenenses, foi com ele que comecei a jogar no FC Porto e foi com ele que fiz todo o meu percurso a partir daí. Por isso, devo-lhe tudo, pois foi ele que apostou em mim. Conhece-me melhor do que ninguém!

E que até fez de ti um lateral goleador...

(risos) É verdade! Se bem que neste sistema, com três centrais, eu faço o corredor todo e, por isso, não desempenho a função de lateral na sua essência. Mas claro que estou muito feliz. Estive dois anos sem marcar um golo e este ano já tenho quatro... (risos) Não é habitual.

Mas tens alguma meta definida?

De golos? Sinceramente nunca pensei muito nisso. Mas, se calhar, vou começar a pensar. Mas ainda não tenho nenhuma meta estabelecida. 

Notícias ao MinutoOleg marcou na última jornada da 2.ª Liga, na vitória (3-0) do FC Porto B sobre o Sp. Covilhã.© Facebook

Sentes que o FC Porto foi, de facto, a melhor escolha para a tua carreira?

Sim, foi, sem dúvida. Acho que ter vindo para o FC Porto foi a melhor coisa que me aconteceu. Considero-me um sortudo por ter tido esta possibilidade e só quero agarrar todas as oportunidades que me derem e farei sempre o meu melhor.

Para um jovem que, como já disseste, não teve um percurso fácil, quais foram as primeiras sensações no momento de assinar pelo FC Porto?

No início estava um pouco nervoso... Lembro-me de pensar: 'Isto é o FC Porto!' Senti mesmo alguma insegurança, achava que todos os meus companheiros estavam mais bem preparados do que eu, uma vez que já tinham vários anos de FC Porto. Como era o meu primeiro ano ali, pensava sempre se estava a fazer bem as coisas ou não. Este segundo ano estou muito mais confiante e sinto que estou à altura.

Beneficiaste também do apoio de todos, pelo que sei...

Sim, foi muito bem recebido. Aliás, o pessoal do Norte recebe muito bem! Sempre foram extremamente humildes, nunca tive problemas com ninguém, quer equipa técnica, quer companheiros. Enfim, muito bom. Há um enorme espírito de equipa de balneário, de entreajuda e isso é bastante importante.

E a camisola do FC Porto é 'pesada'?

Hmmm... Não considero 'pesada'. Obriga a uma grande responsabilidade. Mas 'pesada' não, pois se estou lá é porque confiaram em mim. Não serei eu a duvidar. 

Chegaste ao FC Porto em 2016 proveniente do Belenenses. Que marca ficou dessa passagem pelo Restelo?

Considero o Belenenses como a rampa de lançamento. Passar do Rio Maior para o FC Porto é sempre difícil. O Belenenses foi a rampa. Deram-me todas as condições e estou muito agradecido. Mesmo!

Notícias ao MinutoAntes de rumar ao FC Porto, Oleg representou os júniores do Belenenses, na época 2015/16.© Facebook

Recuando um pouco no tempo, como nasceu a tua paixão pelo futebol?

É uma história difícil porque eu fazia todos os desportos menos o futebol. (risos) Fazia natação, taekwondo, atletismo, andava em tudo um pouco, mas o futebol era só para jogar com os amigos. Eu gostava imenso de fazer desporto e de andar a correr de um lado para o outro e a minha maneira de pensar era assim: Na escola, nos intervalos, jogo futebol. Depois, tinha taekwondo e a natação era importante para... aprender a nadar. (risos) No atletismo, havia o corta-mato da escola, eu ganhava sempre e, por isso, tinha que ir. 

Eras craque em tudo?

(risos) Quase... No entanto, depois tinha várias pessoas que me iam ver jogar a brincar, aos fins-de-semana, com pessoal mais velho, e as pessoas dos clubes de Rio Maior sempre me incentivaram a ir treinar com eles, experimentar e tal... E houve um dia que decidi mesmo ir e em meio ano as coisas correram tão bem que fui para o Sporting. 

Essas modalidades ajudaram-te, de certa forma, no futebol?

É capaz... O taekwondo talvez tenha ajudado na elasticidade, a natação não sei, mas o atletismo ajudou-me mesmo muito, quer na resistência, quer na velocidade, que eu não tinha tanto. 

Como aconteceu a mudança para o Sporting?

Essa aventura no Sporting deve-se a uma pessoa, que é o José Romão. Ele é que sempre me incentivou e acreditou em mim. Comecei a jogar em Rio Maior, como já disse, e não faltava a nenhum jogo. Um dia, ele prometeu-me que me levaria a um treino no Sporting. E assim foi... Passado meio ano ele levou-me a um treino de captações e as coisas correram-me muito bem. Então, passei a ir lá todas as quartas-feiras, pois ainda não se vivia na Academia. O José Romão levava-me, eu treinava e depois levava-me a casa.

Notícias ao MinutoCom 11 anos, José Romão levou-o a um treino de captação do Sporting e este... encantou.© Facebook

Esse esforço está agora a ser recompensado?

Claro, sem dúvida. Devo-lhe muito, pois foi ele que acreditou em mim.

Sentes que estás a viver o sonho de muitos miúdos?

Sim, sinto que estou a viver um sonho, mas também sei que ainda não cheguei a lado nenhum. Isto é apenas o o começo. O sonho ainda está muito longe. O que eu sonho é muito acima disto.

E o que é, exatamente?

Chegar ao topo! Sonho jogar numa equipa principal, se for na do FC Porto... melhor ainda! Sonho jogar a Champions. São esses os principais. Acima de tudo, chegar ao topo.

Pelos episódios que já testemunhei, tens uma fã muito especial. Como é ter a Sabina [irmã] como fã n.º 1?

(risos) É muito bom, claro. Sabes, no futebol, o fácil é a fama, os golos e os momentos bons. No futebol, o que não é fácil é ter lá alguém a apoiar quando está tudo mal. Isso é que é difícil e aí nós não vamos falar com os treinadores nem com os colegas de equipa. Aí, temos que ver quem temos por perto e no meu caso tem sido sempre a minha família, que sempre me apoiou quando precisei. Por isso, ter como fã n.º 1 a família é o mais importante.

E costuma 'dar-te muito na cabeça' ou não?

Hmmm... Não muito. (risos) Apoia sempre e isso é fantástico.

Notícias ao MinutoDepois de se ter rendido à paixão pelo futebol, Oleg Reabciuk deu nas vistas no Rio Maior.© Facebook

Foi - ou é - difícil para ti renunciar à vida normal de um adolescente, nomeadamente às saídas com os amigos, às festas, etc...

Sinceramente, não! Para mim, a parte fundamental no futebol é a mentalidade. É isso que faz a diferença! Quando chegamos aos 16 anos, mais ou menos, começamos a pensar em sair, a ter umas namoradas... E claro que vem à cabeça o sentimento de não poder fazer isso tudo da mesma forma. Mas eu sempre  soube o que quis. Prefiro não sair e jogar agora, pois sei que é isto que eu vou fazer no futuro.

Ter uma referência mundial como o Deco como empresário é também uma motivação extra?

Sempre quis ter como empresário uma pessoa que percebesse tanto ou mais de futebol do que eu. E acho que não há melhor pessoa para isso que o Deco, que viveu isto tudo e muito mais. Sei que com ele vou sempre aprender e é uma pessoa que está sempre disponível para tudo o que precisar.

Já tiveste a oportunidade de treinar com a equipa principal do FC Porto. O que sentiste na primeira chamada?

Claro que é um orgulho treinar com jogadores que para mim são ídolos. É uma responsabilidade, obviamente, e claro que nos sentimos sempre algo nervosos, porque é a primeira vez. Queremos mostrar-nos, mas sem nos deslumbrarmos. Procuramos desempenhar o nosso papel, mas senti-me muito bem e espero por novas oportunidades. 

Notícias ao MinutoAs boas exibições nos sub-19 e na equipa B já valeram a Oleg a chamada aos trabalho da equipa principal do FC Porto.© Global Imagens 

Que jogador te ajudou mais nesses momentos?

Quem estava do meu lado, por acaso, era o Felipe, como central, e o pessoal que fala português ajuda sempre mais, como o José Sá, que apoiou imenso. Todos foram impecáveis!

Tens alguma referência no futebol?

Para ser sincero, eu nunca olhei para o futebol e pensei: 'Tenho esta referência e quero ser como ele.' Não, nunca fui de olhar muito para os outros. Não sei dizer quem poderá ser a minha referência. Sempre fui mais de fazer o meu trabalho, conquistar o meu espaço e não ser igual a ninguém. 

Daqui a três, quatro ou cinco anos, quando repetirmos esta entrevista, de que episódios gostarias de falar?

Gostaria que falássemos sobre o facto de ter conseguido conquistar tudo devido ao meu esforço, que estou no topo - é isso que quero ouvir - e que o melhor ainda está para chegar!

Obrigado, boa sorte e até lá! 

(risos) Obrigado! 

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