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João Meira: "Nos Estados Unidos temos uma vida de estrela"

Na primeira entrevista como jogador do Lorca, o central explica a decisão de prosseguir a carreira em Espanha, revela as ambições para o novo desafio e faz o balanço da passagem pela MLS.

João Meira: "Nos Estados Unidos temos uma vida de estrela"
Notícias ao Minuto

08:00 - 13/01/18 por Fábio Aguiar 

Desporto Entrevista

Colocado um ponto final na aventura de duas temporadas nos Estados Unidos, ao serviço do Chicago Fire, João Meira voltou à Europa e assinou contrato com o Lorca, da segunda divisão espanhola. Na primeira entrevista como jogador do emblema dos arredores de Múrcia, o central português, de 30 anos, revelou ao Desporto ao Minuto as primeiras sensações desta nova etapa, fez um balanço da experiência na Major Soccer League (MLS) e analisou ainda a atualidade do futebol português.

Quais as primeiras impressões destas primeiras horas como jogador do Lorca?

São boas sensações. É sempre bom ter a vida resolvida. Já passei pelo contrário e sei o quanto custa esperar por algo que nunca chega. Até agora vi bastante pouco, mas parece um clube tranquilo. Tem todas as condições para que possa correr bem.

Acabou por ser um destino, de certa forma, improvável...

O Lorca foi uma decisão repentina a qual foi impossível dizer não. Tinha várias propostas concretas e já estava bastante perto de aceitar uma outra, mas o projecto e a vontade que demonstraram em contar comigo fez toda a diferença.

Quais os objetivos para esta nova etapa?

O objectivo é, sem duvida, a manutenção. É um desafio enorme, mas estamos conscientes de que será possível, pois ainda temos muitos jogos para disputar.

A prioridade era ficar mais perto de casa...

Sim, já tinha muitas saudades de Portugal, da família, dos amigos, dos jantares com a nossa comida típica. É tudo muito diferente e precisava de tudo isso.

Que marca fica desta passagem pelos Estados Unidos?

Foi uma experiência fantástica! Uma etapa onde tudo correu bem individualmente, coletivamente nem sempre. No primeiro ano não foi tanto assim, o segundo foi muito bom, mas basicamente fica a experiência muito positiva.

Que diferenças existiram da primeira para a segunda época?

Principalmente relacionadas com o investimento na equipa. Na segunda temporada tivemos jogadores de maior qualidade e experiência, que sabem o que é o futebol e acho que essa foi mesmo a maior diferença: a qualidade que chegou.

Especialmente Schweinsteiger...

Exato! Trouxe muita experiência ao balneário e qualidade dentro de campo também. Além disso, trouxe uma postura bem diferente para todos seguirem.

Que homem existe por detrás da 'estrela' campeã da Europa e do Mundo?

É uma pessoa calma, que dava pouco ao grupo, talvez por viver um pouco diferente das outras figuras. Não é a típica estrela da MLS, como o Villa, o Pirlo ou o Kaká. Era como se fosse um pai para a equipa. Tem uma personalidade diferente, é mais frio e tranquilo ao mesmo tempo.

Com um carinho especial por Portugal, não é?

Sim, ele adora Tróia... Diz que costuma vir algumas vezes, bem como a Setúbal, porque lhe tinham falado muito bem.

Quais os motivos que impediram a tua continuidade na MLS?

Não chegámos a acordo para a renovação. Penso que merecia mais pelo que fiz, mas as pessoas do Chicago Fire não entenderam assim e seguimos a nossa vida.

É um clube com bases para crescer?

Sinceramente, não sei... Não sei mesmo porque a MLS é um campeonato em que todos os anos as coisas variam muito. Por exemplo, se o Chicago Fire não fizer um investimento como fez na época passada, este ano será como os outros, ou seja, triste e na luta para evitar o último lugar.

Fala-se de um eventual interesse em Casillas...

Sim, alguns amigos e sócios do clube falaram nisso, mas tenho dúvidas que haja condições para que tal aconteça. No clube não falaram em nada.

A MLS tem vindo a crescer nos últimos anos. Notam-se algumas diferenças neste período?

Nem tanto... Acho que foi semelhante. Penso que houve alguma evolução na qualidade de jogo pela aposta de algumas equipas. O Atlanta, por exemplo, entrou e criou uma equipa muito boa. Logo aí obrigou os outros clubes a apetrecharem-se para poderem rivalizar com eles. Na própria liga em si nem tanto.

O 'soccer' ainda é visto como uma forma de entretenimento...

Sim, sem dúvida! É negócio e marketing.

Na final deste ano, o Toronto FC venceu o Seattle Sounders e sagrou-se campeão. Foi um justo vencedor?

Sem dúvida! Já merecia na minha primeira época, perdeu nos penáltis e agora tinha que ganhar.

Giovinco continua a ser o MVP (Jogador mais valioso)?

Claramente! É o melhor! É um grande jogador.

Kaká e Pirlo anunciaram recentemente o fim da carreira. O campeonato fica mais pobre?

A nível de nome, sim, porque são jogadores que dispensam apresentações, mas no que diz respeito ao próprio jogo, nem tanto, pois já não jogavam com tanta regularidade. É altura de renovar e dar oportunidade a outros jogadores.

A MLS é um bom destino para quem tem esse sonho?

Poderá ser se for com as condições necessárias, ou seja, os jogadores têm que ir com um bom contrato. Muito bom até! Caso contrário, não vale a pena. Depois, claro que também varia bastante conforme a idade dos jogadores, do seu currículo, das suas ambições... Eu aconselho a experiência, mas com algumas condições prévias.

Estes teus dois anos também ajudaram a 'abrir' as portas para os portugueses. Sente que cada vez mais olham para o jogador luso como o potencial alvo?

No clube onde eu passei, apesar de ter feito 59 jogos, não olham para o povo português com os melhores olhos. Mas depende tudo das pessoas que estão à frente dos clubes. No Chicago Fire essa pessoa não é tão ligada ao jogador europeu, mas sim aos provenientes do continente americano. Por exemplo, no ano passado, no Europeu, disputávamo [seleção portuguesa] os penáltis contra a Polónia e nós estávamos no balneário a ver o jogo. Apesar de eu ser português, eles estavam a apoiar a Polónia... Acho que só por aí demonstra o respeito que têm, ou não, pelos portugueses.

Vai ter saudades do estilo de vida americano?

(risos) Eu tive uma vida muito boa lá. Por isso, vou sempre ter saudades. Nos Estados Unidos temos uma vida de estrela, daquelas que vemos nos filmes. Mas já tinha saudades da nossa paz e da nossa tranquilidade. 

Para quem esteve fora, de que forma olhas para todo o clima de crispação entre clubes?

É muito triste, muito triste mesmo! A qualidade que nós temos dentro das quatro linhas também deveríamos ter fora. Acho que esse é o ponto a reter. Há muitas guerras, muitas guerrilhas, sem qualquer noção daquilo que se diz.

Nesta altura, o FC Porto está na liderança, com 45 pontos, mais dois que o Sporting e cinco que o Benfica. Atualmente, e pela qualidade que tem demonstrado, é o principal candidato ao título?

Ainda é muito cedo. É certo que o FC Porto está muito bem mesmo, há muitos anos que não via assim o clube. Mas, à 17.ª jornada, não posso prever o que vai acontecer. Ainda há pouco Benfica e Sporting provaram que qualquer um pode ser campeão.

Pela experiência que tem, estas polémicas da arbitragem, dos vouchers, dos emails, entre outras, 'entram' num balneário e afetam as equipas?

Claro que sim! É por aí que digo que as pessoas têm que ter noção que as redes sociais, hoje em dia, são como uma fogueira. Há pessoas bem instruídas e outras que nem tanto. Essas, as que não são tão bem instruídas, levam as outras para onde querem e, um dia destes, pode haver uma situação muito grave.

O Benfica é o principal prejudicado por essas polémicas ou, de facto, dentro de campo, está a realizar uma época aquém das expetativas?

Acho que tem sido o principal afetado porque se tem falado mais do Benfica. Mas também penso que não se devem alimentar essas polémicas. As exibições dentro de campo não podem ser o espelho das redes sociais. O Benfica tem de continuar a provar o seu trabalho e a sua qualidade se quiser ser campeão.

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