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Lenine, o rei das medalhas que fez da meningite o trampolim para a vida

É o atleta mais medalhado do mundo, com 183 medalhas, mas a sua vida deu cambalhotas até chegar ao pódio da vida e do desporto. Lenine Cunha está por esta altura no Rio de Janeiro, onde disputa o salto em comprimento nos Jogos Paralímpicos.

O desporto e o atletismo em particular foram a forma de dar a volta por cima numa vida que parecia ter um futuro pouco risonho. Lenine sorriu para o desporto e a vida sorriu-lhe de volta em forma de medalhas e com toneladas de orgulho de todos os portugueses.

O atleta de Vila Nova de Gaia garante em conversa com o Desporto ao Minuto, que a doença foi o ‘motor’ de arranque para uma improvável vida de recordes.

Protagoniza agora uma curta-metragem que conta a sua vida em poucos minutos e integrou recentemente uma campanha mundial contra a meningite. O intuito? Mostrar que o desporto pode ser uma verdadeira forma de singrar.

Disse que, quando sofreu o ataque de meningite, foi como se tivesse de aprender tudo de novo, essa experiência foi determinante para que se agarrasse ao desporto como atleta paralímpico?

Devo tudo à minha mãe e ao meu pai, mas principalmente à minha mãe. Foi ela que me meteu no desporto passados dois anos de eu ter tido meningite. Perdi a fala, a memória e o andar, momentaneamente. E, para eu desenvolver, meteu-me no atletismo. Se não fosse a meningite, a minha mãe não me tinha posto no desporto e tudo o que sou hoje devo-lho a ela. É a minha inspiração e continua a ser. Quando treino, quando faço uma competição, ela está sempre comigo. A minha mãe morreu vítima de cancro, mas foi uma lutadora. Ela esteve nos cuidados paliativos durante sete meses e eu vi muitas pessoas entrar e sair. Era complicado ver as pessoas falecer. Entravam num dia e passado uma semana já não estavam lá. Ver aquilo era complicado, mas o pior foi quando a vi morrer à minha frente. Essa imagem não me sai da cabeça.

Tem a esperança de, com as suas vitórias e história de vida, sensibilizar os portugueses para o problema da meningite? Foi por isso que aceitou fazer o filme e participar na campanha #WinForMeningitis?

É esse o objetivo. Fui a Nova Iorque fazer a campanha com a fotógrafa Anne Geddes e foi lá que encontrei dois atletas paralímpicos que ainda tinham mais problemas do que eu. Não fazia ideia que a meningite podia levar à amputação. A minha deficiência é ligeira em relação à de outros e isso sensibilizou-me muito. Tanto é que nós os três, que estamos aqui [Rio de Janeiro, Brasil], vamos tirar uma fotografia e depois vão ver que as mazelas são totalmente diferentes. Mas o objetivo é sensibilizar os pais para vacinarem os meninos. No meu caso, quando a minha mãe me encontrou em convulsões e com 41 graus de febre, levou-me para o hospital e puseram-me numa arca frigorífica para baixar a febre senão, se calhar, não sobrevivia. Foi intuição de mãe. Se ela não tivesse espreitado, poderia já não estar aqui.

Como surgiu a ideia de fazer uma curta-metragem sobre a sua vida?

Foi uma produtora, a Garage [Do You Play?], que me telefonou a dizer que gostava de fazer uma curta-metragem comigo. Eu achei muito estranho e até disse ‘eu não tenho dinheiro para a fazer’. Disseram: ‘Não, queremos fazer de forma gratuita, porque gostamos da sua história’. Aceitei e até vai candidatar-se a festivais internacionais. Foram três dias de filmagens de manhã à noite e o resultado foi lindo como se vê. Foi muito bom. O mais importante é haver pessoas como estas, da produtora, que se interessam por nós e que querem dar visibilidade aos atletas paralímpicos. Foi isso que me sensibilizou. Foram quatro dias, estão ali quatro minutos e 33 anos de vida. Já mandaram as candidaturas [para festivais] e agora só saberei se vamos ser nomeados mais tarde. É a minha história... 

A curta que divulgou, e que estará a concurso em festivais internacionais, é a forma de dar esperança a quem sofre da doença e chamar à atenção das pessoas?

Não fazia parte, mas veio tudo a calhar. A fotografia para a campanha que anda a circular em que eu estou com um bebé é só para a comunicação social. Mas a fotografia que será escolhida entre as várias que eu tirei vai ser lançada no dia 13 de setembro e eu não sei qual será, estou em pulgas [risos]. Tirei muitas, há uma sessão que eu fiz com três bebés no colo. As fotografias que forem escolhidas vão estar expostas na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

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