Jorge Paulo Cadete Santos Reis ou, simplesmente, Jorge Cadete é um nome incontornável no panorama do futebol português. Internacional português em mais de 30 ocasiões, o ex-jogador tem estado um pouco desaparecido dos focos da atualidade desportiva.
Nascido em Moçambique em agosto de 1968, o antigo avançado começou a sua carreira de futebolista na Académica Santarém na época de 1983/84 com 15 anos de idade, marcando uns espantosos 43 golos em apenas 18 jogos.
Esta 'explosão' nos ribatejanos em tão tenra idade não passou despercebida aos grandes futebol luso, no caso o Benfica e o Sporting. Após uma época em Santarém, o então jovem mudou-se para o Sporting. Começou pela equipa de iniciados dos verde e brancos e rapidamente acabou por ser promovido ao escalão de juniores.
Cadete estreou-se na equipa principal do Sporting em 1987/88. Depois de apenas oito jogos na época de estreia, o antigo avançado foi cedido por uma temporada ao Vitória FC, ajudando a formação de Setúbal a terminar o campeonato no quinto lugar em 1988/89. Voltou a Alvalade em 1989/90 para explodir de leão ao peito.
O antigo internacional português esteve cinco épocas consecutivas em Alvalade, período em que somou os três títulos que alcançou na carreira: uma Taça de Portugal (1994/95) e duas Supertaças Cândido de Oliveira (1987 e 1995). Cadete tornou-se um dos jogadores mais emblemáticos do Sporting e foi, inclusive, melhor marcador do campeonato na época de 1992/93 com 18 golos. Marcou 81 golos ao serviço do Sporting em 203 jogos oficiais.
Jorge Cadete fez mais de 200 jogos ao serviço do Sporting© Getty Images
Passado o período de maior fulgor no Sporting, Jorge Cadete foi emprestado, em novembro de 1994, desta vez ao Brescia, de Itália. Durante a sua passagem pela Serie A marcou apenas um golo. Voltou a Alvalade em 1994, mas nunca mais teve espaço no Sporting. Depois de sete jogos em pouco mais de um ano, Cadete mudou-se para o Celtic no início de 1996.
Apesar de ter sido apresentado em fevereiro de 1996, a transferência do antigo avançado só foi finalizada em abril desse ano depois de Cadete rescindir contrato com o Sporting. Mas a novela não terminou por aqui. Apesar de ter sido inscrito dentro do prazo legal, a Associação de Futebol da Escócia atrasou o processo de registo antes da partida da Taça da Escócia frente ao Rangers, em Ibrox.
Seguiu-se uma queixa do presidente do Celtic, Fergus McCann, e o responsável da Associação de Futebol da Escócia Jim Farry foi afastado das suas funções depois de ter sido considerado culpado por tentar deliberadamente atrasar o processo do jogador. Após terem sido ultrapassados estes problemas, Cadete estreou-se frente ao Aberdeen.
A única temporada completa de Cadete na Escócia foi sem dúvida a melhor de sua carreira e levou a que o português se tornasse num ídolo do emblema de Glasgow. O avançado terminou a época com 33 golos ao cabo de 44 jogos e sem a ajuda de grandes penalidades. Apesar disso, perdeu o título de campeão para o Rangers. Com este feito, Jorge Cadete foi o primeiro jogador português a sagrar-se melhor marcador num campeonato estrangeiro.
Cadete fez 50 jogos e marcou 38 golos no Celtic© Getty Images
Apesar deste grande sucesso em solo escocês, Cadete envolveu-se numa polémica com o Celtic. No verão de 1997, fugiu para Portugal alegando problemas de saúde mental e incapacidade de se adaptar à vida na Escócia sem a família. Depois de falhar a apresentação na pré-época, acabou por ser transferido para o Celta, onde esteve pouco mais de um ano. Marcou na estreia pelos galegos, em 27 de setembro de 1997, clube onde fez oito golos ao cabo de 41 jogos.
No início do ano de 1999, Cadete mudou-se para o Benfica, onde pontificava o antigo colega de equipa no Celtic Van Hooijdonk. Chegou ao clube da Luz numa época em que a confusão e o descalabro eram evidentes. Talvez por isso tenha tido algum insucesso nas águias.
Depois de apenas três golos em apenas 22 jogos com a camisola do Benfica, Jorge Cadete saiu por empréstimo, em fevereiro de 2000, para o futebol inglês rumo ao Bradford City. Sem ter conseguido marcar qualquer golo em sete jogos pelos britânicos, o avançado foi emprestado ao Estrela da Amadora em 2000/01.
Os escoceses do St. Mirren procuravam um avançado de créditos firmados para o regresso ao escalão principal na Escócia e olharam para Cadete. Porém, o regresso a solo escocês não se processou e o dianteiro acabou por continuar na Reboleira. até ao final da época de 2001/02. Após a sua saída do Estrela da Amadora, Cadete ficou sem clube. Sem conseguir encontrar um novo clube, anunciou a sua reforma e participou na primeira versão para celebridades do reality show Big Brother.
No início da temporada 2003/04, aos 35 anos, Cadete decidiu regressar ao futebol e assinou um contrato com o Partick Thistle, em janeiro de 2004, terminando um período de 18 meses de fora dos relvados. A transferência ficou envolta em polémica, pois o avançado já tinha aceite assinar pelo Raith Rovers, sendo mesmo fotografado com a camisola do clube.
Sem convencer no regresso à Escócia, Cadete voltou a Portugal e assinou contrato com o Pinhalnovense, da terceira divisão. Nos dois anos seguintes, Cadete jogou futebol amador na região de Beja, com o FC São Marcos, em São Marcos da Ataboeira. Seguiu-se a saída do futebol profissional.
No meio de mais de 300 jogos em vários países, Jorge Cadete acabou por chegar à seleção nacional. O antigo avançado conquistou 33 internacionalizações pela equipa das quinas, marcando cinco golos. A sua estreia foi a 29 de Agosto de 1990 num particular frente à Alemanha. Chegou a participar na fase final do Euro'96 e na qualificação para o Mundial'98.
Cadete em ação no Euro'96 diante da Chéquia© Getty Images
No final da carreira, o antigo jogador investiu em negócios que nada tinham que ver com futebol. Abriu dois salões de cabeleireiro que acabaram por fechar. Para além de ter somado dois divórcios, Cadete viu-se a viver com o rendimento social de inserção.
Ultrapassados os problemas financeiros, o antigo futebolista está agora ligado ao ramo da construção civil, mas também do imobiliário na compra e venda de imóveis. O ex-jogador tem também uma academia de futebol chamada Cadete Sport Academia. Atualmente, é também vogal do Conselho de Administração da Fundação do Futebol - Liga Portugal.
Todas as semanas o Desporto ao Minuto apresenta-lhe uma nova edição da rubrica 'O que é feito de...?', que pretende recordar o percurso de algumas personalidades do mundo futebolístico que acabaram por cair no esquecimento.
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