Ruben Amorim marcou presença, esta sexta-feira, na conferência de imprensa de antevisão ao Manchester United-Burnley, agendado para este sábado, onde foi desafiado a comentar a fúria demonstrada após a eliminação dos red devils na Taça da Liga inglesa, aos pés do Grimsby Town (2-2, 12-11 após grandes penalidades) da quarta divisão inglesa, na passada quarta-feira, naquele que está a ser um arranque desastroso de temporada para a sua equipa.
"Às vezes, quero sair. Às vezes, quero ficar aqui [no Manchester United] por 20 anos. Às vezes, adoro estar com meus jogadores. Às vezes, não quero estar com eles. Então, mais uma vez, preciso de melhorar nisso. Vai ser difícil, mas agora estou bem...", começou por 'abrir o coração', em declarações citadas na BBC Sport.
"Eu sei que quando falo este tipo de coisas, a nível pessoal, é para ser bem sincero com vocês. Cada vez que tivermos uma derrota no futuro, daquele género, vou reagir assim. Vou dizer que, por vezes, odeio os meus jogadores, mas que, às vezes, também amo os meus jogadores e quero defendê-los. Essa é a minha maneira de fazer as coisas. Senti tudo isso naquele momento, em que estava muito frustrado e irritado. Vocês têm muitas pessoas experientes falando a dizer como eu deveria lidar com a imprensa, para ser mais constante e mais calmo, mas eu não vou agir assim", admitiu de seguida.
Questionado se tais momentos poderiam vir a ser repetidos, o treinador ex-Sporting garantiu estar a tentar melhorar, mas não hesitou em expressar que continuará a ser quem é, pela "paixão" que tem pelo jogo.
"Estou a tentar aceitar as coisas e posso garantir que serei quem eu sou. É por isso que tenho essta paixão. Naquele momento, fiquei muito chateado e muito dececionado. Senti que tínhamos feito uma pré-temporada muito boa e estávamos a jogar bem melhor, mais consistentes na forma como surgimos em campo e depois...", acrescentou ainda o técnico ex-Sporting.
"Senti isto depois do jogo, mas já não sinto mais. Então é um pouco assim que funciona. Acho que essa é a parte mais difícil da derrota. Às vezes, não é o resultado, é a forma como perdemos ou empatamos um determinado jogo. É isso que é difícil de aceitar. Tudo isto porque podemos fazer melhor. Neste momento, se cobrirmos posições, lutarmos pela bola, corrermos, todas essas pequenas coisas em que baixamos um pouco o nível, dará certo. O lado bom é que agora temos o próximo jogo para elevar esse nível", garantiu.
Recorde-se que, após uma derrota frente ao Arsenal (0-1) e um empate diante do Fulham (1-1), o Manchester United parte em busca da primeira vitória à terceira jornada da Premier League, numa fase inicial de temporada em que já se chegou a falar do despedimento do jovem treinador português.
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