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"Sucederam-se coisas no Santa Clara que são casos de polícia"

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o antigo diretor desportivo do Santa Clara abre o livro sobre os quatro meses que passou no emblema açoriano. O também treinador recorda a herança pesada que havia no clube em agosto passado, e como a situação melhorou em apenas quatro meses.

"Sucederam-se coisas no Santa Clara que são casos de polícia"

O Santa Clara vive um período de muitas mudanças esta temporada. Em pouco mais de seis meses de, os açorianos já tiveram três treinadores na equipa principal, o mais recente deles Mário Silva, mas nem por isso deixaram de levar de vencida dois dos três denominados grandes.

Para lá das mudanças a nível técnico, os insulares sofreram uma alteração a nível da administração, com o antigo presidente Rui Cordeiro a dar lugar ao turco Ismail Uzun, que é o atual líder do conselho de administração da Santa Clara Açores Futebol SAD.

A chegada deste empresário ao clube dos Açores coincidiu também com a contratação de Emanuel Simões para o cargo de administrador, que mais tarde acumularia com a diretor desportivo após a saída de João Ferreira.

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o agora antigo dirigente do Santa Clara, que saiu do clube açoriano por motivos pessoais, conta como foram esses quatro meses em Ponta Delgada, destacando a herança pesada com que se deparou na chegada, recordando que, em agosto do ano passado, o clube não tinha sequer dinheiro.

Quando chegámos, não havia dinheiro para pagar. Era uma coisa abismalO Santa Clara vai no terceiro treinador esta temporada, e Nuno Campos teve apenas nove jogos nos açorianos. Que explicação tem para estas mudanças todas?

O Daniel Ramos sai por uma oportunidade de uma vida para ele. É uma mudança de treinador obrigatória. Não podemos considerar isso como uma mudança de treinador porque não foi por opção do Santa Clara, mas do treinador. Na altura, o Santa Clara disse inclusive que não era a opção deixar sair o Daniel, mas ele tinha essa cláusula no contrato que lhe permitia essa saída de borla e quando quisesse. Foi isso que ele fez porque a proposta era financeiramente irrecusável. Isso obrigou-nos a fazer uma mudança de treinador. É verdade que não correu como se esperava, e, infelizmente, as coisas no futebol são assim. Nem sempre o que acontece tem a ver com a qualidade das pessoas, e foi isso que aconteceu. Não podemos dizer que o Nuno Campos foi um opção má. São situações do futebol que, noutras condições, podiam ter corrido bem. É verdade que é a terceira mudança, mas não por opção. Não vejo isto como uma grande problema, porque a chicotada psicológica acontece uma vez só.

O clube está a ter uma época abaixo do esperado, mas já derrotou o FC Porto e o Sporting. Os jogadores têm feito pela vida mais nestes jogos com os grandes do que em outros?

Não tem a ver com os jogadores se motivarem. A época do Santa Clara tem de ser analisada em mais de uma fase. Um passado muito recente diz que, em Portugal, as equipas que normalmente não lutam para as competições europeias, quando vão lutar por elas, têm uma época muito complicada. Temos o exemplo do Rio Ave no ano passado, o Vitória SC há uns anos e o Arouca. Tudo equipas que têm épocas boas e que, depois, no ano a seguir, têm esse problema. O Santa Clara está a passar um bocadinho por isso. E isto acontece porque, à partida, são planteis mais reduzidos e com menos capacidade ao nível do número das escolhas. Isso provoca uma sobrecarga.

Este ano, e quando o campeonato português começa, o Santa Clara já tinha 12 jogos e isso é muita coisa. É quase como se fossem três meses de época, com uma sobrecarga grande de jogos seguida, e para um plantel que não estava habituado a isso, aliado à questão da Covid-19 que atingiu vários jogadores, sobrecarregou mais outros atletas. Depois há a saída do Carlos Jr., um jogador fundamental na manobra da equipa. Todo esse conjunto de situações, juntamente com alguma desilusão pelo não apuramento para a fase de grupos da Liga Conferência, mexeu com os jogadores. E há ali um período em que a equipa perde o trilho, em que a equipa tem apenas treze jogadores. Quando chegámos à administração, fizemos algumas mudanças administrativas e desportivas. E essas alterações levam um tempo de adaptação que pode levar a resultados menos bons. Mas as últimas semanas mostram o trabalho que foi feito, e que muita gente não viu, e que está a sair agora. Temos de dar mérito ao Tiago Sousa e aos jogadores pelo que têm feito nos últimos jogos. Mas nada acontece por obra do espírito santo.

Notícias ao Minuto Santa Clara venceu o Sporting, por 3-2© Global Imagens  

A saída da Liga Conferência no início da época foi determinante para este arranque abaixo da expectativa?

Sem dúvida. Qualquer jogador do Santa Clara via uma entrada na fase de grupos da Liga Conferência como uma forma de se mostrar, no fundo uma oportunidade de uma vida para muitos deles. Muitos destes jogadores não vão voltar a ter uma oportunidade para jogar numa competição europeia. por muito valor que eles tenham. Temos de ser realistas ao dizer que não vai ser o plantel todo do Santa Clara que voltará a jogar a este nível. Essa deceção. não tenho dúvida de que foi difícil de lidar. No momento em que isso acontece, há também uma mudança na administração [Rui Cordeiro demitiu-se da presidência] e essas duas coisas influenciam e talvez aumentem essa deceção. Quando há uma mudança, ganham-se outras e perdem-se outras. E isso é normal. Apesar destes altos e baixos, não tenho dúvidas de que os jogadores vão conseguir alcançar os objetivos deles.

Tem de haver uma aposta no desconhecido para potenciarO Santa Clara não é um clube que gaste muito dinheiro em transferências, mas contrata com jogadores com qualidade para rentabilizar, como os casos de Zaidu e Morita. Como é que é possível fazer essa gestão para se ter um plantel competitivo?

A minha opinião, não só em relação ao Santa Clara mas também ao futebol português, é que tem de haver mais aposta neste nível e uma prospeção maior, assim como uma melhor qualidade de observação. Há o Zaidu, o Morita, mas podemos lembrar o Fábio Cardoso, o Carlos Jr., o Lincoln, que vai dar muito, e o Ricardinho, que, se continuar com a humildade que tem, será um jogador para palcos muito acima. Tem de haver uma aposta no desconhecido para potenciar. Clubes com o nível do Santa Clara, com o atual panorama do futebol português, ou têm formas de observar e escolher bons jogadores e vender, ou não conseguem sobreviver. No final de agosto, quando entrámos, havia uma proposta oficial para venda do Morita. Fui a favor da venda dele porque clubes como o Santa Clara não se podem dar ao luxo de não vender um jogador por cinco milhões de euros. Isso não existe no futebol português num clube do nível do Santa Clara.

Na altura, o presidente do Conselho de Administração resistiu à tentação de o vender, e não sei se o vai conseguir vender agora, em janeiro. Para mim, é um jogador que já devia ter sido vendido naquela altura. Não está em causa o Morita, mas, pela qualidade que tem, já devia ter sido vendido. Isto teria permitido ao Santa Clara gerir o plantel de uma forma diferente, ao ir buscar jogadores para ter mais equilíbrio. O plantel é desequilibrado e precisava disso. E era isso que eu estava a preparar para este mercado de inverno. Acho que foi um erro estratégico.

As pessoas não têm coragem de apostar. E o mesmo acontece com os treinadores, ou há uma cunha ou não treinasE como é feita essa procura? A aposta na estrutura do futebol e de observação tem de ser reforçada?

Uma das coisas que já tinha em andamento, e deixou-me pena não ser possível fazê-lo, era um departamento de scouting. Numa primeira fase, não era interno, mas alguém que estaria ligado ao clube, que não estaria nos Açores, para prospeção nas divisões mais baixas de Portugal. Ando há muito tempo no Campeonato de Portugal e sei muito bem a qualidade que há lá. Basta ver de onde veio o Ricardinho. E, em Portugal, tem de haver a coragem de apostar nesses jovens. Lembro-me de há uns anos, quando estava no Desportivo das Aves e fiz uma lista de jogadores antes da época acabar do Campeonato de Portugal e da II Liga que estavam adormecidos. Dessa lista, no final da época seis jogadores passaram para clubes da I Liga, e, no ano a seguir, praticamente todos eram titulares nas respetivas equipas. As pessoas, na altura, olharam de lado para aquilo porque, em Portugal, não há coragem. É preferível ir buscar um estrangeiro, e eu não tenho nada contra eles, e pagar 50 ou 100 mil euros, do que ir buscar um jogador ao Campeonato de Portugal até de borla. Há esse estigma e eu não percebo. Se esse mesmo jogador for um estrangeiro, e com meia dúzia de jogos em qualquer outro país que não tem o nível de Portugal, vem ganhar salários muito alto e até se pagam as transferências. As pessoas olham só para os números e o que está no Transfermarkt, e isso não existe. Por isso é que temos o futebol português como temos. As pessoas não têm coragem de apostar. E o mesmo acontece com os treinadores, ou há uma cunha ou não treinas.

Morita é uma das recentes estrelas do clube. Será difícil segurá-lo já no final desta época ou até mesmo neste mercado?

Na apresentação do novo treinador, o presidente do Santa Clara teve a oportunidade de dizer que o Morita era um jogador que podia sair em janeiro, mediante a proposta certa. Eu sei que os sócios e adeptos pensam diferente e querem ver a equipa a ganhar. Mas mesmo saindo um bom jogador não quer dizer que a equipa não vá continuar a ganhar. Este ano, o Santa Clara, se calhar, já ganhou mais jogos sem o Morita do que com ele. Temos de pensar nisto de forma global porque ninguém ganha jogos sozinhos. O Morita, se calhar, é um jogador que, na idade que está, começa a ver que as oportunidade lhe podem estar a fugir. Já perdeu uma oportunidade clara em agosto, e se calhar não vê com bons olhos perder esta oportunidade agora, onde pode ir ganhar três ou quatro vezes mais do que ganha no Santa Clara.

Um jogador na idade dele pensa na oportunidade de dar um salto para um campeonato melhor e ganhar muito mais e assinar talvez o primeiro bom contrato da vida dele. As pessoas têm de ser sensíveis a isso. Uma boa proposta para o Santa Clara e por números que são irrecusáveis, onde a qualidade de vida do jogador vai melhorar também, não pode haver insensibilidades e rejeitar essa proposta. É isso que faz amanhã outros jogadores quererem vir para o Santa Clara, porque percebem que podem crescer e que os dois lados vão ganhar com isso. Muitas vezes, e as pessoas não sabem disso, vamos contratar um jogador e eles respondem que não querem vir porque o clube complica a saída. O Morita, quando veio para o Santa Clara, veio ganhar menos do que o ganhava no Japão. Como se pode travar a saída de um jogador quando ele veio ganhar menos e para um campeonato melhor para se promover? Isto não pode acontecer. Os clubes têm de ganhar, mas não podem ser insensíveis à melhoria da qualidade de vida do jogador no futuro.

Notícias ao Minuto Morita é um jogador com muito mercado© Getty Images  

O clube tem-se mostrado estável neste regresso à I Liga, e esta época até foi à Europa. Essa estabilidade é a chave do sucesso para o futuro?

Sem dúvida. Um dos problemas nas equipas mais pequenas do nível do Santa Clara é a falta de continuidade. Uma equipa pequena perde dois ou três jogos e o treinador é logo despedido. Não há essa continuidade. No início da época, todos dizem que temos de fazer mais ou menos 30 pontos para nos safarmos, mas ainda faltam 50/60 pontos para disputar e já estão a despedir. Não há tempo e não percebem que, num contexto em que os planteis têm grandes reformulações e muitos estrangeiros, é preciso criar bases e dar tempo. Depois, muda-se de treinador, perde ou ou três jogos e muda-se outra vez. Num dia destes, num clube de I Liga, o treinador esteve três jogos e depois demitiram-no [ndr Lito Vidigal no Moreirense]. O Nuno Campos também é verdade que sai, não só pelos resultados, mas muito mais por outras situações. O Nuno Campos, por vontade de outras pessoas, tinha saído no dia a seguir ao Braga [minhotos venceram por 6-0] e eu disse que não. As pessoas olharam e aceitaram. Tem de haver capacidade de dar continuidade aos trabalhos e deixar criar raízes. O Santa Clara, nos últimos anos, deixou isso acontecer quer ao nível técnico, com o Daniel Ramos a ficar muito tempo, quer ao nível dos jogadores. Até há jogadores há dois ou três anos juntos. Isso é fundamental. Não podemos, todos os anos, tirar e meter 20 jogadores. As equipas portuguesas, enquanto não pensarem nisso e deixarem os interesses e os favores de lado, se calhar vamos continuar nisso e passamos as vergonhas que passamos nas competições europeias a maior parte das vezes.

Temos tanta qualidade cá que às vezes os treinadores só precisam de uma oportunidadeE como tem sido o processo de escolha dos treinadores? Esta época resgataram o Nuno Campos para a primeira experiência como treinador...

A aposta no treinador português tem de acontecer sempre em qualquer clube em Portugal. Sou defensor disso. Nas duas ocasiões em que fui chamado à escolha de treinadores, coloquei vários nomes em cima da mesa e foram sempre todos portugueses. Neste último caso, com o Mário Silva, não era a minha primeira opção, mas estava em cima da mesa. Na altura, toda a gente foi contra e foi por isso que deixou de ser opção. Passadas três semanas, curiosamente, passou a ser a opção para toda a gente. São estas coisas do futebol que às vezes não entendemos. Todos os nomes que estavam em cima da mesa eram portugueses, quer na altura em que entrou o Nuno, quer agora com o Mário. Temos tanta qualidade cá que às vezes os treinadores só precisam de uma oportunidade.

Quando o Nuno entra, aquilo que pensei foi que os treinadores precisam sempre de uma oportunidade. Na altura, questionei: porque não? Eu era o único que estava contra o Nuno, e, depois de uma conversa com ele, fiquei convencido em apostar nele. O treinador português tem de ter oportunidade. E o Santa Clara tem uma grande dificuldade que é o facto de se localizar numa ilha. Ir trabalhar para os Açores é quase como ir para o estrangeiro. Quem vai trabalhar para os Açores tem de ter essa abertura. Este contexto é todo ele complicado e particular.

Entre o Nuno Campos e o Mário Silva, nunca pensou voltou aos relvados e orientar a equipa principal?

Eu vou ser sincero, e talvez não o devesse dizer, mas tenho um defeito que é não saber mentir. Quando aceito o projeto Santa Clara, aceito-o numa perspetiva de, no futuro, e este não estava definido, isso acontecer. Quando o Daniel Ramos sai, pensei que não era a altura de assumir a equipa e disse-o à administração. Entre a saída do Nuno Campos e a chegada do Mário Silva foi-me proposto assumir essa posição pelos dois investidores do clube. Eu disse que aceitava se a decisão fosse unânime a nível de administração. Na altura, sai uma historia na CNN a dizer que eu fui proibido de dar o treino e que a equipa técnica recusou trabalhar comigo.

Isso nunca esteve em causa e nunca se meteu isso como hipótese porque nunca aceitei o cargo. Umas das situações que leva à minha saída é não ter aceitado o cargo. Ninguém ficou chateado, mas as pessoas achavam que eu era a pessoa certa para dar continuidade, juntamente numa equipa técnica com o Tiago Sousa, dada a minha experiência ao nível da gestão, do campo e do treino. E nunca aceitei porque a decisão não era unânime, mas apenas 85%. Pensei, mas não fui para lá porque não quis e achei que não estavam reunidas as condições para o ser. Outros dos motivos que tenho para a minha saída, para além dos profissionais, é que, a partir de determinada altura, cheguei à conclusão de que gostei muito de ser dirigente, mas gosto muito mais de treinar. E brevemente estarei a treinar de certeza absoluta, mas não a qualquer custo. Se assim fosse, hoje simplesmente era o treinador do Santa Clara. Na vida para mim não vale qualquer coisa. Não quero ser mais um a fazer meia dúzia de jogos e vir embora.

Notícias ao Minuto Emanuel Simões já esteve no Aves, Merelinense, Oliveirense, Vizela, entre outros© Global Imagens  

E que surpresas encontrou no clube quando foi nomeado administrador da SAD?

Principalmente ao nível financeiro, que foi o meu primeiro trabalho, um descalabro total e uma falta de organização. Hoje o Santa Clara está muito melhor a todos os níveis do que o que estava em agosto, desde o financeiro ao organizativo, fruto de toda a gente que tem estado lá a trabalhar. Havia documentos que não existiam que eram enviados e não havia suporte para aquilo, não sabia se quer que era verdadeiro ou não. E isso acontecia em muitos casos. Havia aditamentos a contratos que não estavam junto dos contratos, e dois ou três agentes a intermediarem uma venda com comissões malucas. Não havia organização nenhuma e foi isso que me chocou num clube da I Liga. Senti que era tudo assente numa pessoa que sabia de tudo e mais ninguém sabia o resto.

Temos de dar mérito à antiga administração pelo trajeto que conseguiu: estabilizou o clube na I Liga, levou-o à Liga Conferência, e conseguiu vender jogadores, mas a que custo e qual foi o resultado disso? Há coisas que não passo cá para fora porque não tenho o direito de o fazer, mas posso dizer que há coisas que são casos de polícia e não digo mais. Isto não pode ser possível num clube de I Liga. As pessoas têm de ser organizadas e metódicas, e pensar num presente tendo em vista o futuro. No Santa Clara, via pessoas a pensarem no presente do presente, mesmo no dia e o amanhã logo se via.

A sua saída do Santa Clara tem algo a ver com a mudança na administração da SAD ou alguma desavença com os seus membros?

Não. Num grupo de trabalho, seja ele qual for, ou até num grupo de amigos, nunca há 100% de concordância em relação a tudo e isso é bom porque faz-nos sempre ver o lado contrário. Se tivesse uma equipa técnica que concordava com tudo o que eu dizia, não precisava deles para nada. Se concordarem com tudo o que eu digo, nunca vou ver o lado contrário. A boa discussão é sempre importante, e não vou esconder que houve algumas situações destas com esta administração, algumas em que chocámos, mas isso é normal.

Tive uma ou outra situação que me agradou menos, mas não foi isso que me fez sair. Acima de tudo, aquilo que me faz sair é perceber que quero coisas diferentes. Foi uma experiência que me agradou. É verdade que era alguém que me dava muito bem com o presidente, e é verdade, é uma pessoa que respeito muito. Mas tenho de olhar para a minha vida e aquilo que queria para mim, e agora quero algo diferente. Nunca estive no futebol para me servir dele. Entrei para o futebol para crescer com os méritos, e é assim que sou. Foram apenas quatro meses, mas muitos desgastantes. Além da parte do futebol, tinha uma parte administrativa comigo. A forma como o Santa Clara está hoje ao nível financeiro deu muito trabalho. Posso dizer que, em quatro meses, a situação financeira do clube melhorou mais de 50%. Podem dizer que falhámos os pressupostos um dia destes para a Liga, mas tínhamos o dinheiro. O Santa Clara tinha, nessa altura, mais de um milhão de euros nas contas, mas uma situação que acabou por levar para o lado judicial, um mal entendido que acabou libertado, bloqueou o dinheiro durante uns tempos. Não foi por falta de dinheiro, mas algo que aconteceu e não devia ter acontecido. Nada que ver com o Santa Clara. Quando chegámos não havia dinheiro para pagar, havia prémios por pagar do ano anterior e uma série de coisas para pagar. Era uma coisa abismal. Não havia dinheiro para fazer nada. E as pessoas podem dizer o que quiserem, e eu facilmente comprovo o que estou a dizer. Hoje está muito melhor.

Jean Patric devia ter renovado antes. E alguém não fez o seu trabalhoDesde que ganharam ao Sporting, o Bouldini e o Jean Patric saíram, e entraram o Óscar Barreto e o Mário Silva, assim como o Emanuel deixou o cargo de diretor desportivo. Estava tudo planeado ou foi por a primeira metade da época não ter corrido bem?

A questão do Jean Patric é muito clara. A saída dele é acertada por mim ainda. Ele estava nesta situação deste meio de dezembro, e não podíamos ser insensíveis ao pedido que o jogador nos fez. Vai ganhar quatro vezes mais do que ganhava no Santa Clara. Terminava contrato no final da época e eu propus-lhes a renovação, mas os valores que lhe oferecíamos não chegavam nem a metade do que ele vai receber. E o clube recebeu uma compensação que eu achei justa. Ele havia de ter renovado antes desta época começar e esse trabalho não foi feito, mas deveria tê-lo sido. Não podemos entrar na última época com um jogador sem renovar e então sai. Ou é um jogador muito importante que não sai. O Bouldini queria jogar e não tinha minutos, e acaba por sair. Não sei quais as condições porque não foi tratado por mim. Havia várias propostas por ele e o Santa Clara não fez mal. Com as saídas, algum jogador tinha de entrar e entrou o Óscar Barreto. E perdemos o Allano que vai ficar uns meses de fora. Era natural que entrasse alguém. E não duvido da capacidade das pessoas que lá estão.

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