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Inédito título de campeão honrado por protagonistas do 'Boavistão'

Um grupo composto por ex-futebolistas, dirigentes e associados do Boavista homenageou hoje os 20 anos do inédito título de campeão da I Liga, num jantar de celebração em Lavra, no concelho de Matosinhos.

Inédito título de campeão honrado por protagonistas do 'Boavistão'
Notícias ao Minuto

22:35 - 18/05/21 por Lusa

Desporto I Liga

"Quando cheguei ao clube em 1984, disse que queria ser campeão no Boavista. Era um sonho que alimentava, mesmo sendo imensamente difícil. As pessoas não acreditavam e até diziam que era maluco. O sonho foi-se desenrolando e lá culminou no primeiro campeão do século", contou Alfredo Castro, treinador-adjunto nessa época de 2000/01.

Em 18 de maio de 2001, os 'axadrezados' venceram o já despromovido Desportivo das Aves (3-0) e confirmaram o título a uma jornada do final, imitando o feito do Belenenses, que, 55 anos antes, se tinha intrometido na hegemonia de Benfica, FC Porto e Sporting.

"Fui para o Boavista 11 anos depois do Alfredo e tive muitos que me fizeram crescer, tal como eu os fiz, porque era irreverente, queria aprender e ser igual a eles. Essa era a mística do Boavista, feita de trabalho, empenho e dedicação, que originou um título que, dois anos antes, foi um pouco empurrado para trás", vincou o ex-guarda-redes Ricardo.

Depois de cinco Taças de Portugal e três Supertaças, o Boavista lograva erguer o maior troféu do futebol nacional em 117 anos de história, ao contrariar todas as previsões com 23 vitórias, oito empates e três derrotas, num total de 63 golos marcados e 22 sofridos.

"Era dos mais novos quando cheguei e havia pessoas com vários anos disto, como Alfredo, Rui Casaca, Jaime Pacheco, Caetano ou Pedro Barny, entre outros, que me acolheram bem e tinham um espírito muito próprio. O Boavista foi-se construindo, aumentou a exigência e fez-nos chegar onde chegámos", juntou o ex-médio Rui Bento.

O atual selecionador português de sub-20 impunha-se como um dos elementos preponderantes no meio-campo do 'Boavistão', acompanhando pelo 'trinco' Petit e o criativo boliviano Erwin Sánchez, somando 28 jogos, os mesmos de Ricardo na baliza.

"O Boavista foi campeão em 2001, mas fez dois segundos lugares, dois quartos e andou ali muito perto, sempre a dar pontos para Portugal nas provas europeias, com uma qualidade enorme e um grupo de atletas, dirigentes e adeptos que segurava muito deste clube. Podia haver quem trabalhasse igual a nós. Mais não havia", frisou o ex-guardião.

O título de 2000/01 foi obtido sob alçada técnica de Jaime Pacheco, ausente do tributo prestado em Lavra, tal como a maioria dos campeões nacionais, cenário que não impediu de ser lembrado como "um grande obreiro", além do então presidente João Loureiro.????

"Conseguimos algo único nas nossas vidas e na vida do clube com uma dedicação tremenda. Só tenho pena de não estar aqui o responsável direto por isto tudo. Íamos aonde ia o nosso comandante, não tínhamos folgas e treinávamos demasiado. Estou a fazer um curso de treinador e já ninguém faz o que fazíamos. É impensável", lembrou Ricardo.

Essa época de "vai ou racha" gerou "momentos gratificantes" e acarreta um "significado tremendo" no Boavista, que atravessou obstáculos financeiros e judiciais desde então e prepara-se para jogar na quarta-feira a derradeira cartada na fuga à descida de divisão.

"É uma situação que nada tem a ver com esta alegria. Não é uma tristeza muito grande, porque agora dependemos só de nós, é muito mais reconfortante assim e talvez não tenhamos problemas frente ao Gil Vicente. Vamos trabalhar para isso. O Boavista cresce e transforma-se quando está nas situações mais difíceis", vaticinou Alfredo Castro.

Os portuenses vão encarar a 34.ª e última jornada da I Liga na 15.ª posição, com 33 pontos, dois acima do Farense (17.º), que está em zona de descida direta, e do Rio Ave (16.º), no posto de acesso ao 'play-off' de manutenção com o terceiro colocado da II Liga.

"Vamos ter um 'Boavistão' de grande caráter e dimensão. A partir daqui, nos próximos 20 anos estaremos lá em cima a chatear outra vez os chamados 'grandes', porque também somos um grande", afiançou o ex-guarda-redes das 'panteras', entre 1984 e 1998, que desempenhou funções como treinador de guarda-redes até à última temporada.

Alfredo foi o único membro da equipa técnica de Jaime Pacheco em Lavra, num jantar com limitação de participantes, devido à pandemia, no qual estiveram os também ex-internacionais Ricardo, Rui Bento e Litos e os ex-presidentes Valentim e João Loureiro.

"Amanhã [quarta-feira] é um dia muito importante para o Boavista, mais até do que hoje, porque só faz sentido aquilo que fizemos há 20 anos se o clube continuar vivo e forte e tiver um bom futuro. Do fundo do coração, desejo que tudo corra muito bem", expôs João Loureiro, líder do emblema do Bessa em duas fases distintas (1997-2007 e 2013-2018).

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