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'Professor' bicampeão da 2ª Liga revela segredos do título do P. Ferreira

Licenciado em Educação Física, o central dos castores faz um balanço da época na Capital do Móvel e explica as sensações de receber a segunda medalha de campeão consecutiva.

'Professor' bicampeão da 2ª Liga revela segredos do título do P. Ferreira
Notícias ao Minuto

07:23 - 24/05/19 por Fábio Aguiar 

Desporto Rui Correia

Um ano depois de ter 'chorado' a descida e ter dito adeus ao convívio dos grandes, o P. Ferreira está de volta ao principal escalão. A equipa de Vítor Oliveira sagrou-se campeã da Segunda Liga e teve um jogador que recebeu a medalha pelo segundo ano consecutivo.

A explicação é simples: A temporada transata começou na Madeira para Rui Correia. O central realizou dois jogos pelo Nacional e só depois se transferiu para o emblema da Capital do Móvel. Como tal, também foi dele o título conquistado pela formação insular.

No entanto, essa foi uma fase que revelou um misto de sensações, já que no final da época o defesa 'caiu' com a despromoção dos castores. 

Agora, um ano depois, as lágrimas transformaram-se em gritos de euforia. A cidade 'pintou-se' de amarelo e Rui Correia viveu por dentro a magia da subida. Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o jogador de 28 anos, nascido no Seixal, recordou todo o trajeto do conjunto pacense, revelou as emoções do feito histórico e falou-nos da sua segunda paixão: a Educação Física, curso onde já é 'professor'.

Notícias ao MinutoRui Correia recebeu o Desporto ao Minuto na sua cidade Natal, o Seixal, e passou em revista a época histórica do P. Ferreira.© Fábio Aguiar

Poucos dias depois daquele 'mar' amarelo na Capital do Móvel, a festa do campeão P. Ferreira já terminou?

(risos) Foi um espetáculo! Tínhamos começado a fazer a festa logo que confirmámos a subida, uns jogos antes, também em casa, e depois ser campeão, receber a taça e as medalhas no nosso estádio foi excecional. Eu penso que nem havia nenhum adepto do Cova da Piedade, se havia nem vi, pois foram as quatro bancadas cheias, 'pintadas' de amarelo. Tinham uma coreografia até... Parecia um clube grande. Fantástico!

Essa união entre clube e adeptos foi sentida ao longo da temporada?

Sim, houve muita comunhão. Desde o início que nos sentimos candidatos à subida, pela equipa e pelo treinador que tínhamos. Mas os adeptos iam a todo o lado. Lembro-me de ir jogar à Covilhã, por aqueles caminhos difíceis que temos que fazer para lá chegar, e parecia que estávamos a jogar em casa, com a bancada central cheia de adeptos do P. Ferreira. Quem diz Covilhã, diz Leixões e outros estádios onde jogámos. Isso foi muito importante para sermos campeões. Eu pensava muitas vezes durante a festa: 'Isto é o que os grandes vivem. Só que os estádios deles levam 50 ou 60 mil. Nós levamos sete e oito mil'. Essa envolvência nunca é pressão negativa, é uma força extra e temos muitos que lhes agradecer.

Curiosamente, este foi o seu segundo título consecutivo na Segunda Liga...

É verdade! Na época passada fui campeão pelo Nacional, pois fiz dois jogos antes de ser transferido para o P. Ferreira. Claro que foi importante para mim, pois trata-se sempre de um título, mas claro que este é diferente. Foi vivido por dentro, senti as dificuldades que passámos, mas no final ser campeão, levantar a taça e ver a alegria de toda aquela gente torna tudo mais especial.

Notícias ao MinutoCentral ajudou o emblema da Capital do Móvel a sagrar-se campeão da Segunda Liga e não esconde o carinho especial pela cidade e pelos adeptos.© Facebook P. Ferreira

Foi a 11.ª subida de divisão de Vítor Oliveira. Depois de uma época de trabalho às suas ordens, qual é o segredo ou as características que lhe identifica para que este seja um sucesso já quase obrigatório nas suas equipas?

No nosso caso, era o mister Vítor Oliveira e a equipa fantástica que ele criou, não só em termos de jogadores, como de homens. Eram pessoas cinco estrelas, um balneário top, onde não existiam quezílias. Claro que há sempre algum aspeto de discórdia ao longo de uma época, mas isso é natural no futebol. De resto, tudo correu às mil maravilhas. O Vítor Oliveira deu aquela ideia de que o P. Ferreira já ia subir, que só faltava perceber quem seria a outra equipa, mas não foi bem assim. Deu trabalho! É um treinador como os outros, tem uma cabeça como os outros, os jogadores foi ele que os escolheu, escolheu-os bem e para mim tem uma característica que é fundamental. Para além da enorme experiência que tem na Segunda Liga, de conhecer as equipas, perceber como jogam e saber quem são os jogadores, é um líder nato. Consegue-se impor a qualquer jogador, quer seja um miúdo que chega agora da formação, um que está em fim de carreira ou outro que está no topo.

Vítor Oliveira? Ele fala e todos ouvem. (...) A liderança e a exigência que ele tem, fazem parte do que é o seu sucesso, para além de tudo o que já falei, da experiência, da qualidade e da capacidade de criar equipas à sua imagem."

Passa sempre a mensagem da melhor forma, é isso?

Sem dúvida! Fala e todos ouvem, tem esse mérito. Consegue que os jogadores interiorizem a sua mensagem e percebam que está ali um treinador com muita experiência. A liderança e a exigência que ele tem, fazem parte do que é o seu sucesso, para além de tudo o que já falei, da experiência, da qualidade e da capacidade de criar equipas à sua imagem. 

Olhando para a classificação final da Segunda Liga, verificamos que o oitavo classificado, o Penafiel, ficou a apenas cinco pontos da descida. Este é um facto que prova a tremenda competitividade que existe neste campeonato?

Pode dizer-se que na Segunda Liga há quatro ou cinco equipas que lutam para subir e as restantes que procuram não descer. Existe um desfasamento enorme. O Sp. Covilhã é a prova disso mesmo, pois andou muito tempo em lugares de descida, mudou de treinador, galgou terreno na classificação, mas nunca ficou perto da zona de subida, ou seja, deu um grande pulo na tabela, mas depois tinha seis pontos, por exemplo, para a 'lanterna vermelha' e muitos mais para os que vinham acima. Isso prova que este campeonato é competitivo nesse aspeto. Pela experiência que tenho na Primeira, existem aqueles que lutam pelo título, os que têm a Liga Europa como objetivo, outros que vão sempre ficar a meio da tabela e os restantes que tentam tudo para não descer. É bem mais dividido... Na Segunda Liga, se um jogo ou outro corre mal, vamos logo lá para baixo e nos jogos fora o primeiro pode bem perder com o último. 

Notícias ao MinutoDefesa recebeu a medalha de campeão da Segunda Liga pela segunda época consecutiva. © Facebook P. Ferreira

Até porque aí surgem outras dificuldades, com equipas fechadas lá atrás...

Sim... Apanha-se um campo em menores condições, um dia de chuva e os adeptos da casa a puxarem pela sua equipa e as coisas podem complicar-se para o tradicional favorito. Por isso é que o líder perder com o último é natural, acontece com relativa facilidade. Em qualquer campo se pode perder, a verdade é essa. 

O que fica de mais especial desta temporada?

É o título... Não é só o jogo que nos deu o título, mas sim a envolvência. Saímos do estádio, os adeptos vinham atrás do autocarro a deslocarem-se para o centro da cidade e depois chegarmos e vermos aquele 'mar' amarelo, a cidade de Paços ali toda em peso, em frente à Câmara Municipal... Foi único! Não há palavras. Vai ficar marcado para toda a minha carreira. Independentemente de tudo, campeão só há um e para a história o que fica é isso. São as nossas caras, fomos nós. Ser campeão é tudo isso, é ver o que jogou mais a dar um grande abraço ao que jogou menos e todos festejarem com o sentimento de dever cumprido. 

Foi um enorme contraste ver que no ano anterior tínhamos 'borrado a pintura' e agora estávamos ali todos a festejar. Mostrámos que Paços é Paços e está onde deve estar: entre os grandes."

Foi um sentimento oposto ao do ano anterior...

Exatamente! Tinha descido de divisão com o P. Ferreira, foi uma fase muito complicada, as críticas foram enormes e sentíamos que existia esta dívida para com a cidade e adeptos. Foi um enorme contraste ver que no ano anterior tínhamos 'borrado a pintura' e agora estávamos ali todos a festejar. Mostrámos que Paços é Paços e está onde deve estar: entre os grandes. Esperamos que continue por muitos mais anos a fazer bons campeonatos.

E tem condições para ser aquele P. Ferreira europeu que há bem pouco tempo nos habituou?

É verdade que houve uma fase em que o clube chegou a ir à Liga dos Campeões, com o Paulo Fonseca, que fez um excelente trabalho, mas temos que ter noção que a realidade atual é diferente. Acabámos de subir e o principal objetivo é garantir a manutenção o mais rápido possível. Depois, logo vemos o que pode vir mais. No entanto, pelo clube que é, com a massa adepta que tem, claro que tem condições para lutar por metas ambiciosas.

Falei com o mister Lázaro Oliveira e ele disse-me: 'Rui, tu é que sabes, eu não te vou prender, mas se me chegares aqui cansado, eu não vou pensar que foi do treino de ontem, mas sim que estiveste a dar aulas ao sol ou algo do género'.

Sei que tem uma licenciatura em Educação Física e já completou o primeiro ano do mestrado. Calculo que este ano tenha sido impossível pensar nisso...

(risos) Sim, eu terminei a licenciatura quando ainda era amador. Depois fiz o primeiro ano de mestrado e acabei por ir para o Portimonense, naquele que era o meu primeiro ano de profissional. Nessa altura, só me faltava fazer o estágio, que consistia em dar aulas numa escola. Falei com o mister Lázaro Oliveira e ele disse-me: 'Rui, tu é que sabes, eu não te vou prender, mas se me chegares aqui cansado, eu não vou pensar que foi do treino de ontem, mas sim que estiveste a dar aulas ao sol ou algo do género'. Deu-me abertura para decidir. No entanto, como era o meu ano de profissional, pensei em dedicar-me exclusivamente ao futebol. 

Mas ainda pretende acabar?

Sim, eu congelei a matrícula e na faculdade disseram-me que podia voltar quando quisesse. Não sei se poderei alterar para a vertente de treino, uma vez que tive, tenho e ainda espero ter esta experiência no futebol durante mais alguns anos, mas depois logo vejo o que farei. Agora só me quero focar no trabalho que tenho.

Acha que atualmente existe uma maior preocupação dos jogadores em prepararem o seu pós-futebol?

Penso que sim... O futebol é cada vez mais curto e temos que nos preparar para o que fazer depois. Qualquer carreira termina aos 34, 35 ou 36, dependendo do corpo de cada um, e após pendurar as botas é necessário fazer algo mais para sobreviver. Acho que os clubes têm tido um papel importante, pois encaminham os miúdos nesse sentido, de estudarem e construírem o seu futuro. Contudo, é a cabeça de cada um que determina tudo o resto. O importante é ter consciência que esta é uma profissão que passa rápido, que nem todos conseguem juntar argumentos para conseguirem viver sem trabalhar após o futebol e que se torna mais complicado para quem não tem estudos. 

Mas vê-se a trabalhar nessa área, de Educação Física, ou já equaciona seguir o caminho de treinador?

Não sei, sinceramente ainda não pensei muito nisso. Como disse, estou concentrado apenas no futebol e depois logo vejo. Tenho a licenciatura, só me falta o estágio para terminar o mestrado e quando chegar a essa altura pensarei no que quero.

Notícias ao MinutoRui Correia tem mais um ano de contrato com os castores, mas o futuro continua em aberto.© Facebook P. Ferreira

Para já, quer jogar futebol... Na próxima época, tendo em conta que tem mais um ano de contrato, pode garantir que irá fazê-lo no P. Ferreira?

A verdade é essa, que tenho mais um ano de contrato, já fiz muitos jogos na Primeira Liga, conheço bem a realidade e a competitividade que existe e claro que gostaria de voltar a jogar nesse escalão. Sinto-me muito feliz no P. Ferreira, adoro a cidade, tenho sido muito bem tratado e a ver vamos o que acontece.

Gostaria de um dia ter uma experiência no estrangeiro?

Posso dizer que não é algo que me assuste, digamos assim. No entanto, se estou num clube de Primeira Liga e se acharem que posso ser útil, que posso ajudar, logicamente que gostaria de assim continuar. Nunca digo não a nenhum desafio. Só penso em fazer o meu trabalho como sempre, ou seja, focado e dando o máximo para continuar a evoluir. 

Quais são os seus maiores sonhos nesta altura?

Tenho 88 jogos na Primeira Liga. Gostava de chegar aos 100 e depois fazer muitos mais! Quem diz 100, diz 200... (risos)

Obrigado e felicidades!

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