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Imaginarius propõe abraços virtuais como "espaços de paz"

O festival de teatro de rua Imaginarius arranca quinta-feira em Santa Maria da Feira e, entre 41 propostas até domingo, inclui performances de realidade virtual em que os abraços constituem "espaços pacíficos" entre o corpo de uns e outros.

Imaginarius propõe abraços virtuais como "espaços de paz"
Notícias ao Minuto

15:43 - 21/05/24 por Lusa

Cultura Imaginarius

O projeto intitula-se "Peaceful Places / Lugares Pacíficos" e chega ao evento do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto através da coreógrafa, videógrafa e antropóloga italiana Margherita Landi, que nos claustros do Museu Convento dos Loios orientará para esse efeito um total seis sessões de 20 minutos cada, entre as 19:45 e as 21:45 de sexta-feira e sábado, sempre mediante inscrição prévia pelo 'site' do festival.

"A ideia surgiu-nos durante a pandemia de covid-19, quando refletimos muito sobre a forma como a tecnologia estava a tornar-se uma parte importante dos relacionamentos íntimos e a carência de toque estava a afetar os nossos corpos", disse Margherita Landi à agência Lusa.

A primeira apresentação do conceito foi em maio de 2022 no Festival dell'Italia Gentile, em Florença, e nessa altura combinou abraços virtuais com abraços reais, porque a guerra na Ucrânia intensificara-se dois meses antes e, em parceria com a organização antinuclear Senza Atomica, a companhia de Margherita, a Landi Lanza, quis focar-se numa mensagem de paz.

No seu formato definitivo, e após apresentações na Bulgária e nos Estados Unidos que recorreram apenas a vídeo, Portugal é o primeiro país em que "Peaceful Places" se apresenta com óculos de realidade virtual e abraços que, para os participantes, serão a pessoas de um mundo imaginado.

"Na pandemia, o medo dos outros corpos era sentido como se eles fossem armas letais e, como ficámos preocupados com o hábito de nos evitarmos uns aos outros, pensámos em construir um espaço seguro em que pudéssemos praticar a proximidade", recordou Margherita Landi. "Em contraste com essa ideia dos corpos como armas, propusemos corpos como espaços pacíficos e é por isso que, nesta performance, os lugares tranquilos são entre os nossos braços".

A experiência vai explorar a mecânica do próprio abraço, na sua dinâmica física e psicológica. Ao perceber melhor o seu papel nesse gesto e o que ele implica em termos de gestão de peso, respiração e ritmo, quem abraça "toma consciência do apoio que pode oferecer e receber, e do respeito que é necessário -- consigo mesmo e com os outros -- para obter essa proximidade".

O que a artista e antropóloga italiana quer realçar com o recurso à realidade virtual é que "a tecnologia pode ser uma boa ferramenta para gerar emoções e questões, mas nunca substituirá um abraço real". A performance no Imaginarius constitui assim "uma experiência de proximidade, mas também uma experiência de ausência, porque o toque é só imaginado".

Margherita Landi diz que o resultado é "profundamente poético", por envolver "uma humanidade atenta e emocional em plena rua, num contexto do quotidiano", deixando que a mensagem política oscile entre a virtuosidade performativa e o sentimento, a inclusão.

"Neste trabalho, qualquer pessoa pode generosamente oferecer a beleza do seu gesto", afirma a artista. "Muitas vezes testemunhamos como os participantes são invadidos pelas emoções e isso toca-nos sempre profundamente, já que, na maioria das vezes, as pessoas sentem a necessidade de um abraço real no final da experiência e essa é precisamente a resposta que queríamos evocar".

A 23.ª edição do Imaginarius -- Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira apresentará 41 espetáculos entre esta quinta-feira e domingo, graças a um orçamento de meio milhão de euros apostado em evocar a Liberdade.

Com 15 palcos distribuídos por salas convencionais, praças, jardins e outros espaços públicos da cidade, o evento vai receber 41 companhias de 12 nacionalidades, o que representa 190 artistas, num total de 144 exibições e 130 horas de conteúdos.

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