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Petição apela contra "ponto final" à atividade do ensemble Sond'Ar-te

Duas petições foram lançadas para apelar ao Ministério da Cultura para que seja feita uma "emenda" da decisão de não atribuir apoio ao ensemble Sond'Ar-te no Programa de Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes (DGArtes), comprometendo o seu futuro.

Petição apela contra "ponto final" à atividade do ensemble Sond'Ar-te
Notícias ao Minuto

21:31 - 05/12/22 por Lusa

Cultura Sond'Ar-te

Na petição 'online' na plataforma Petição Pública, que já reuniu mais de 455 assinaturas (para além da petição lançada na plataforma openPetition), manifesta-se "solidariedade com a equipa e com o projeto do Sond'Ar-te", considerando-o "absolutamente necessário e insubstituível no setor musical português".

O Sond'Ar-te Electric Ensemble, especializado na interpretação da música erudita contemporânea, existe há 15 anos, e é constituído por Pedro Neves, Miguel Azguime, Sílvia Cancela, Nuno Pinto, Vítor Vieira, Jorge Alves, Filipe Quaresma, Luís André Ferreira, Elsa Silva, João Dias e Paula Azguime.

O coletivo candidatou-se ao Programa de Apoio Sustentado na modalidade bienal, na área de Música, tendo sido a primeira estrutura abaixo da linha de proposta para apoio, apesar de ter uma pontuação acima dos 75%, de acordo com os resultados preliminares.

Na modalidade bienal, concorreram 22 projetos, tendo sido propostos sete para apoio. Na modalidade quadrienal, de acordo com as tabelas consultadas pela Lusa, 20 projetos concorreram e três ficaram de fora dos apoios.

No texto da petição é realçado o "serviço que [o Sond'Ar-te] tem prestado a Portugal, à música portuguesa e aos seus músicos, em particular aos compositores, tendo contribuído para a sustentação de uma vida musical no país, que, como todos sabemos, é difícil e escassa".

"O Sond'Ar-te Electric Ensemble é um dos poucos grupos de média dimensão dedicados ao que se convencionou chamar de música contemporânea, cujo trabalho de continuidade e de excelência musical coloca na fasquia de grupos de referência internacional", lê-se nesta petição pela continuidade e sustentabilidade do ensemble, referindo "os seus esforços num apoio efetivo à criação musical dos compositores portugueses e residentes em Portugal, tendo-se constituído, nos últimos anos, como o principal 'locus' da pesquisa e da criação musical em Portugal".

Para o compositor António de Sousa Dias, citado nesta petição, "garantir a continuidade do seu trabalho é garantir a promessa de futuro que a música portuguesa merece pela vitalidade provada e que o deve a grupos como o Sond'Ar-te Electric Ensemble".

O poeta Levi Condinho, também citado pelos peticionários, afirma que, como "melómano atento, jamais poderia dispensar a paixão pela música contemporânea e seu desenvolvimento, a qual tem no Sond'Ar-te Electric Ensemble, grupo português um expoente da execução do mais alto nível mundial".

Ao longo de 15 anos de atividade, o Sond'Ar-te Electric Ensemble encomendou 51 obras a compositores maioritariamente portugueses, gravou 11 discos e realizou até esta data 146 concertos, numa média 10 concertos por ano.

O ensemble organizou ainda várias academias de composição e de interpretação de nova música, 12 concursos internacionais de composição, tendo desenvolvido programas temáticos em torno de compositores emergentes, programas específicos para jovens e crianças, ou concertos monográficos inteiramente dedicados a compositores portugueses.

Na semana passada, a DGArtes disse à Lusa que quase 60 candidaturas contestaram os resultados provisórios em quatro dos seis concursos de apoio sustentado às artes 2023/2026, durante o período de audiência de interessados, 10 das quais na área de Música e Ópera.

Nas áreas de Música e de Ópera, que surge como área autónoma pela primeira vez, 30 entidades foram propostas para apoio, entre as 46 consideradas elegíveis.

Quando abriram as candidaturas em maio, os seis concursos do Programa de Apoio Sustentado tinham alocado um montante global de 81,3 milhões de euros. Em setembro, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, anunciou que esse valor aumentaria para 148 milhões de euros. Assim, destacou na altura, as entidades apoiadas passam a receber a verba pedida e não apenas uma percentagem.

No entanto, esse reforço abrangeu apenas a modalidade quadrienal dos concursos, porque, segundo o ministro, houve "um grande movimento de candidaturas de bienais para quadrienais".

Estruturas representativas do setor, num comunicado enviado ao ministro da Cultura e aos grupos parlamentares na semana passada e divulgado junto dos órgãos de comunicação social, salientam que, "com a divulgação dos resultados provisórios, revelou-se que a tal migração de candidaturas não aconteceu em tão grande medida e que a opção do Governo veio, afinal, criar uma assimetria injustificada entre as duas modalidades que é lesiva para algumas candidaturas".

As estruturas exigem um "novo reforço de verbas para os apoios sustentados", visando "a equidade" do reforço entre as modalidades quadrienal e bienal dos concursos.

Leia Também: Críticas? Governo lembra que concursos da DGArtes têm júris independentes

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