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Crianças de Cabo Delgado protagonizam “exposição de dor mas de esperança”

Marcelo Rebelo de Sousa marcou hoje presença na exposição 'Escola do Caminho Longo', no antigo Museu dos Coches, em Lisboa.

Crianças de Cabo Delgado protagonizam “exposição de dor mas de esperança”

'Escola do Caminho Longo' é o mote da exposição hoje inaugurada no Museu dos Coches, em Lisboa, que retrata a realidade dos mais de 800 mil deslocados, metade dos quais são crianças, que fogem dos ataques armados em Cabo Delgado, em Moçambique. Marcelo Rebelo de Sousa marcou presença, sublinhando vibrar com o país “como se fosse uma segunda pátria”.

Resultado da viagem que a escritora Maria João Venâncio e o fotógrafo Luís Godinho realizaram ao norte de Moçambique, em julho, a exposição dá “vida à vida destas crianças e jovens, que ficaram adultos ao percorrerem vários quilómetros para escaparem à morte e para irem de escola para escola”, refere o representante de Estado.

“A Helpo tem tido uma atividade excecional, sempre presente em Moçambique, trazendo Moçambique até nós e trazendo em cada momento aquilo que é prioritário em Moçambique – e o prioritário, agora, chama-se Cabo Delgado”, salienta.

Para Marcelo, esta é “uma exposição de dor, mas de esperança (...) no futuro que [as crianças] merecem e que todos temos de ajudar a construir”, sustentado o sonho de “não abandonarem a escola e de terem futuro”.

A exposição, que surge na sequência do trabalho da Helpo na localização de crianças após a fuga para que continuem a ter apoio nos estudos, poderá ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, até 16 de janeiro de 2022.

Ausse, de 16 anos, percorreu 691 quilómetros, de Chinoa a Niapala, e ao lado da sua fotografia lê-se: "Aqui em Moçambique, ou posso dizer aqui na África, sem estudar você não é ninguém. Talvez lá à frente serei um ninguém também. Mas gosto muito de estudar. Desejo muito ser alguém lá na frente".

Por sua vez, Joanina, de 13 anos, que percorreu mais de 800 quilómetros em fuga, confessa que gostava era de "voltar para casa".

Entre os testemunhos destaca-se o expositor de Tomás, 19 anos, que surge sem fotografia por ter morrido quando saiu de casa para "vender tomate" e tentar "fazer crescer o pouco dinheiro" que a família tinha.

No centro da exposição, o visitante encontra uma carteira escolar, em tom azul, na qual o Presidente se chegou a sentar, dizendo que o fazia lembrar os seus tempos de escola primária - no seu caso numa mesa castanha.

"É simbólico o papel central da escola. Faz a diferença e vai fazer a diferença na vida deles", comentou, referindo que tem um convite do Presidente de Moçambique para ir ao país no final de janeiro.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.

Desde julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.

Leia Também: Moçambique: Ataque faz dois mortos e destrói casas

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