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Paulina Chiziane "honra" o Prémio Camões que "já tardava" para a autora

A escritora moçambicana Paulina Chiziane, distinguida hoje com o Prémio Camões, "vai honrar" o galardão, disse à agência Lusa o editor Zeferino Coelho, referindo que "já tardava" o reconhecimento da autora de 'Niketche'.

Paulina Chiziane "honra" o Prémio Camões que "já tardava" para a autora
Notícias ao Minuto

19:31 - 20/10/21 por Lusa

Cultura Prémio Camões

uma honra para a escritora que vai honrar" o galardão, disse o responsável da editorial Caminho, que tem publicado em Portugal a obra da escritora moçambicana.

Zeferino Coelho, em declarações à agência Lusa, disse que a escritora foi alvo "de preconceitos literários e de género", mas não afetou o seu reconhecimento pelos leitores, dadas as regulares reedições da sua obra, nomeadamente do romance 'Niketche: Uma História de Poligamia' (2002).

A Editorial Caminho conta reeditar as suas obras, "como o tem feito", mas não tem previsto nenhum novo título.

"Paulina Chiziane é uma grande escritora que vai ficar na literatura moçambicana e na de língua portuguesa", asseverou Zeferino Coelho, que manifestou o seu contentamento pela distinção.

Paulina Chiziane, 66 anos, venceu o Prémio Camões 2021, por unanimidade, anunciou hoje a ministra portuguesa da Cultura, Graça Fonseca.

"No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane", lê-se na nota informativa hoje divulgada.

"O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra. O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana.

O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

Nascida em Manjacaze, Moçambique, em 1955, estudou Linguística em Maputo. Atualmente, vive e trabalha na Zambézia.

Publicou o seu primeiro romance, 'Balada de Amor ao Vento' (1990), depois da independência do país, que é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana.

'Ventos do Apocalipse', concluído em 1991, saiu em Maputo, em 1993, como edição da autora e foi publicado em Portugal, pela Caminho, em 1999, antecedendo a publicação de 'Balada de Amor ao Vento', em Portugal, pela mesma editora, em 2003.

'Sétimo Juramento' (2000), 'Niketche: Uma História de Poligamia' (2002) e 'O Alegre Canto da Perdiz' (2008) estão publicados em Portugal.

Da sua obra fazem igualmente parte 'As Andorinhas' (2009), 'Na mão de Deus' e 'Por Quem Vibram os Tambores do Além' (2013), 'Ngoma Yethu: O curandeiro e o Novo Testamento' (2015), 'O Canto dos Escravos' (2017), 'O Curandeiro e o Novo Testamento' (2018).

No Brasil, está editado o romance 'Niketche: Uma História de Poligamia', na Companhia das Letras.

O júri da 33.ª edição do Prémio Camões foi constituído pelos professores universitários Ana Martinho e Carlos Mendes de Sousa (Portugal), pelo escritor e investigador Jorge Alves de Lima e pelo professor universitário Raul César Fernandes (Brasil), e pelos escritores Tony Tcheka (Guiné-Bissau) e Teresa Manjate (Moçambique).

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de junho de 1988, e publicado em novembro do mesmo ano, o prémio consagra anualmente "um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga.

Em 2019, o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de 'Leite Derramado' e 'Budapeste', entre outras obras; em 2020, o professor e ensaísta português Vitor Aguiar e Silva.

Portugal e Brasil lideram a lista de distinguidos com o Prémio Camões, com 13 premiados cada, seguindo-se Moçambique, agora com três laureados, Cabo Verde, com dois, mais um autor angolano e outro luso-angolano.

A história do galardão conta apenas com uma recusa, exatamente a do luso-angolano Luandino Vieira, em 2006.

Leia Também: Escritora Paulina Chiziane venceu o Prémio Camões

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