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Primeiro curso de Jazz em Lisboa arranca com empréstimos e improvisos

O primeiro curso profissional de jazz em Lisboa começou agora na Escola de Música do Conservatório Nacional numa sala com poucas condições, instrumentos emprestados e materiais improvisados, mas vontade de o transformar no "melhor do país".

Primeiro curso  de Jazz em Lisboa arranca com empréstimos e improvisos
Notícias ao Minuto

06:49 - 02/10/21 por Lusa

Cultura Jazz

Quem está à frente do novo curso é Inês Laginha, ex-aluna do conservatório, professora de piano e filha de Mário Laginha. Inês considera o arranque do curso "absolutamente histórico" e não se deixa vencer pela falta de condições.

A sala de jazz é tão pequena que obriga a que as cantoras estejam "encostadas umas às outras" e os instrumentos não possam estar posicionados convenientemente.

"A sala deveria ter o dobro ou o triplo da dimensão", segundo contas feitas pela coordenadora do curso.

Além disso, faltam instrumentos e equipamentos. Um dos pianistas toca sentado numa cadeira de plástico do Ikea e o outro numa cadeira de madeira, que fazem as vezes das habituais banquetas. O piano é vertical, porque a escola não tinha mais pianos de cauda. A bateria que está na sala foi emprestada pela Universidade Lusíada. Falta comprar um metalofone e um piano de cauda, contou à Lusa a diretora da escola, Lilian Kopke.

Um piano vertical não tem a mesma produção sonora de um de cauda e isso obriga os alunos a "tocar de maneira diferente para que o som fure" durante uma aula de jazz, explicou Inês Laginha.

O ensino fica prejudicado, porque quando os alunos estão na aula de piano têm de tocar de uma forma, que muda quando estão na aula de combo e também é diferente da aula de orquestra: "Se há uma constante variedade, não conseguem estabilizar e não conseguem solidificar o que estão a aprender", alertou.

As condições para avançar com o curso não eram as melhores, mas ninguém queria esperar mais.

"A escola tem imensas limitações de espaço", reconheceu a coordenadora da nova oferta profissional da escola.

Foi em instalações provisórias, já com falta de espaço para acomodar convenientemente os cerca de 700 alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional, que em setembro começou o primeiro curso profissional de jazz de Lisboa.

Em setembro de 2018, a Escola de Música mudou-se do emblemático edifício no Bairro Alto para instalações provisórias na Escola Secundária Marques de Pombal.

A ideia seria ficar apenas 18 meses, enquanto decorria a requalificação do palacete, mas começa agora o quatro ano longe de casa e as obras só este mês vão começar, segundo informação avançada à Lusa pela Parque Escolar.

"Se fossemos adiar a abertura do curso até as obras ficarem prontas, nunca começava. Nós não podemos alterar o nosso projeto educativo e o nosso nível de ensino em função de umas obras que iam durar 18 meses mas ainda nem sequer começaram. Não podemos ficar parados não sei quantos anos", explicou Lilian Kopke.

A direção pediu então autorização aos serviços do Ministério da Educação para abrir o novo curso profissional e "foi autorizado".

O problema, diz Lilian Kopke, é que no pedido enviado explicavam-se que seriam precisas mais salas com tratamento acústico e mais instrumentos musicais. "Ninguém nos disse que não, abrimos o curso e agora não temos nada. Quer dizer, temos, mas foi porque nós fomos buscar", desabafou.

Durante o mês de agosto, os funcionários da escola insonorizaram aquela que é agora a sala de Jazz com materiais comprados numa loja de materiais de construção.

"A sala é muito pequena mas abrimos o curso. Apesar de tudo, vai ser de certeza o melhor curso que existe, porque temos professores excelentes", disse Lilian Kopke.

A ideia de abrir o curso surgiu da procura e de não existir um curso médio de Jazz em Lisboa. Sendo que, ali perto, a Universidade Lusíada oferece uma licenciatura de Jazz.

As 15 vagas abertas para o curso profissional oferecido pela escola foram rapidamente preenchidas, contou Lilian Kopke.

Do trabalho dos professores nasceram acordos com a Universidade Lusíada e com a Casa Bernardo Sasseti. "Esta era uma oportunidade única, porque com estes protocolos conseguimos assegurar a formação destes alunos em contexto de trabalho", explicou Lilian Kopke.

Para Inês Laginha não fazia sentido a "escola mais importante do ensino de Música erudita em Portugal e da música no geral" não ter ainda esta oferta.

Ao longo da história da Escola de Música do Conservatório Nacional houve disciplinas pontuais de Jazz, mas nunca um curso, "muito menos um curso profissional", recordou a coordenadora da nova oferta.

Leia Também: Alunos da Escola de Música sem aulas por falta de salas

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