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José-Augusto França: Uma referência a quem a Gulbenkian muito deve

A presidente da Fundação Calouste Gulbenkian disse hoje que José Augusto-França foi uma referência internacional no domínio da Cultura e da História da Arte que prestigiou Portugal e a fundação, considerando que esta "muito lhe deve como instituição".

José-Augusto França: Uma referência a quem a Gulbenkian muito deve
Notícias ao Minuto

13:47 - 19/09/21 por Lusa

Cultura Óbito

O historiador, sociólogo e crítico de arte morreu hoje, aos 98 anos, na casa de saúde de Jarzé, perto da cidade francesa de Angers.

Considerado uma referência na área das artes visuais e da cultura em Portugal, José-Augusto França encontrava-se internado há vários anos nessa unidade de cuidados continuados, após uma operação na sequência da qual sofreu diversos acidentes vasculares cerebrais, e morreu no sábado, segundo a mesma fonte, devendo ser cremado ainda esta semana em França.

Em comunicado o Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian homenageia hoje a memória do Professor José-Augusto França no momento do seu falecimento, depois de uma vida de estudo e entrega total aos domínios da cultura e das artes.

Dirigiu, durante vinte e seis anos (1971-97) a revista Colóquio-Artes, na Fundação Calouste Gulbenkian, tendo dirigido o Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris, entre 1983 e 1989.

Para a Presidente da Fundação, Isabel Mota, "José Augusto-França foi uma referência internacional no domínio da Cultura e da História da Arte que prestigiou Portugal e a Fundação Calouste Gulbenkian, que muito lhe deve como instituição".

Historiador, crítico, ficcionista, foi Professor da Escola de Belas-Artes (Lisboa) e da Universidade de Paris (Sorbonne), sendo presentemente Professor jubilado da Universidade Nova de Lisboa.

Da sua extensa obra, marcada por títulos como "A Arte em Portugal no Século XX" e "O Retrato na Arte Portuguesa", destacam-se os estudos sobre a arte em Portugal nos séculos XIX e XX, monografias sobre Amadeo de Souza-Cardoso e Almada Negreiros, além de outros volumes de ensaios de interpretação e reflexão histórica, sociológica e estética sobre questões da arte contemporânea.

Enquanto teórico e divulgador, participou entre 1947 e 1949 nas atividades do Grupo Surrealista de Lisboa, de que fizeram parte, entre outros, Mário Cesariny de Vasconcelos e Alexandre O'Neill, e foi, na década seguinte, um defensor da arte abstrata.

Foi condecorado diversas vezes, como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2006) e as medalhas de Honra da Cidade de Lisboa (1992) e de Mérito Cultural (2012).

Diplomado pela École d'Hautes Études de Paris e doutorado pela Sorbonne, foi professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa desde 1974, onde criou os primeiros mestrados de História da Arte do país, e jubilou-se em 1992, tendo recebido das mãos do então Presidente Mário Soares a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, no final da última aula que deu.

Também lecionou na Sociedade Nacional de Belas Artes, presidiu à Academia Nacional de Belas-Artes, foi diretor do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris, membro do Comité Internacional de História da Arte e presidente de honra da Associação Internacional dos Críticos de Arte.

Nascido em Tomar a 16 de novembro de 1922, doou o seu espólio ao museu da cidade.

Leia Também: José-Augusto França: "Uma referência na História e na Cultura Nacionais"

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