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Gato-Bravo lança coleção de poesia para aproximar lusofonia

Uma nova coleção de poesia contemporânea, que pretende aproximar países de língua portuguesa, acaba de ser lançada pela editora Gato-Bravo, com o livro "O Sol Abate-se", de Elsa Alves, que será apresentado na Feira do Livro de Lisboa.

Gato-Bravo lança coleção de poesia para aproximar lusofonia

Sob a coordenação do crítico literário António Carlos Cortez e da editora Paula Cajaty, a coleção Claro Enigma quer fortalecer o diálogo entre a poesia brasileira e lusófona, e apostar em autores que se arriscam na imaginação, anunciou a editora Jaguatirica, homóloga brasileira da Gato-Bravo.

Os responsáveis lamentam que, apesar do esforço por parte de universidades e editoras brasileiras e portuguesas para fortalecer o diálogo entre as poesias produzidas pelos dois países, a poesia portuguesa ainda seja pouco conhecida no Brasil, e o mesmo aconteça com a poesia brasileira em Portugal.

Para António Carlos Cortez, uma das razões para essa falha está na formação escolar dos leitores em ambos os países.

"Há um campo inexplorado. Antes de chegar à universidade, nenhum estudante brasileiro conhece de facto a poesia portuguesa. Talvez, no sétimo ano, tenham ouvido falar de Camões e lido dois ou três poemas de Fernando Pessoa. O mesmo acontece com os estudantes portugueses, que jamais ouviram falar de poesia brasileira, mesmo que, de vez em quando, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Mello Netto compareçam na leitura curricular em Portugal", afirmou.

O nome desta coleção que agora se inicia, "Claro Enigma", é retirado de um livro de poesia de Carlos Drummond de Andrade.

"Achámos por bem escolher este título para a coleção, jogando com o paradoxo deste oxímoro, um discurso que só se explica por meio de contradições", explicou o ensaísta português.

A abrir a coleção, a editora Gato-Bravo -- nascida em 2017 a partir da brasileira Jaguatirica, que atua no mercado editorial há 10 anos -- lança o livro "O Sol Abate-se", escrito pela poeta portuguesa Elsa Ribeiro Alves, nascida na província de Trás-os-Montes, uma autora que "preza as formas clássicas da poesia" e "propõe que se cante o bucolismo ainda século XXI".

O desafio que a autora lança para reflexão é que, se a compreensão sobre literatura já foi desconstruída por nomes como Ferreira Gullar, Hélio Oiticica e Ana Cristina César, talvez seja hora de voltar às formas clássicas e, a partir delas, tecer o contemporâneo, "não só na poesia, mas também na prosa", porque "a desconstrução já foi feita, já se chegou a um expoente máximo", como afirmou numa entrevista publicada no 'site' da Jaguatirica.

Para explicar esta necessidade que sente de se voltar a cantar o bucolismo numa altura em que já se chegou a esse nível de desconstrução na arte, a poeta socorre-se do exemplo da música "4'33'", de John Cage, uma música em silêncio, em pausa, em que os músicos ficam simplesmente parados sem tocar, e que acaba por suscitar uma reflexão sobre o que é a música.

Elsa Alves, para quem Camões é um poeta "incontornável", diz ter "preocupações clássicas que vêm, precisamente, dessas escolas, a musicalidade, a métrica", há sempre uma preocupação com a questão formal.

Quanto aos contemporâneos, confessa que tende a gostar mais dos que têm um recorte clássico e dá como exemplo o poeta brasileiro Eucanaã Ferraz, que descreve como "muito eclético", com uma poesia em que se reconhece simultaneamente o clássico e a linha inovativa.

No seu livro "O Sol Abate-se", o bucolismo presente tem ligação com Trás-os-Montes, região onde as paisagens, os costumes e as gentes "são muito marcados e muito intensos", como afirma, e que tornam "quase impossível não escrever sobre esse peso da paisagem".

Há também vários poemas sobre a casa, sobre o ambiente, sobre o peso da casa e dos pensamentos, fruto dos tempos vividos em confinamento devido à pandemia e que Elsa Alves usou para escrever.

O primeiro livro da coleção já está disponível no 'site' da editora Gato-Bravo, e terá lançamento oficial na Feira do Livro de Lisboa, que se realiza entre 26 de agosto e 12 de setembro.

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