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Ministra lamenta "profundamente" morte de Henrique Espírito Santo

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou hoje, "profundamente, a morte do cineclubista, produtor, ator e militante antifascista Henrique Espírito Santo (1932-2020)", ocorrida no domingo, em Lisboa, considerando-o "uma figura incontornável do Cinema Novo Português".

Ministra lamenta "profundamente" morte de Henrique Espírito Santo
Notícias ao Minuto

11:10 - 20/01/20 por Lusa

Cultura Óbito

Em comunicado hoje divulgado, Graça Fonseca recorda o diretor de produção do Centro Português de Cinema, que marcou o movimento renovador das décadas de 1960 e 1970, e trabalhou com cineastas como Luís Filipe Rocha, José Álvaro Morais, José de Sá Caetano, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, João Mário Grilo, António da Cunha Telles e Alberto Seixas Santos.

Natural de Queluz, Sintra, Henrique Espírito Santo iniciou, em 1966, o seu percurso profissional com o realizador José Fonseca e Costa na produtora de filmes publicitários e documentais Unifilme, recorda Graça Fonseca.

Com o realizador, deu origem a 'O Recado' (1971), filme que, em plena ditadura, desafiou a polícia política e os seus crimes.

Na qualidade de diretor de produção, fez parte do Centro Português de Cinema, "um marco importante na história do cinema novo português", afirma Graça Fonseca. Na sequência deste movimento e em 1974, Henrique Espírito Santo foi um dos sócios fundadores da Cooperativa Cinequanon.

Fez ainda parte do Núcleo de Produção do Instituto Português de Cinema, extinto em 1975, tendo posteriormente fundado a produtora de Cinema Prole Filme, que se manteve ativa até ao ano 2000.

"O seu nome ficará profundamente enraizado no seio das mais diversas gerações pela sua ação apaixonada no desenvolvimento do movimento cineclubista em Portugal, desde os anos 60. A sua faceta como crítico de cinema, divulgador e professor foi igualmente importante para a divulgação da arte cinematográfica", escreve a ministra da Cultura.

Nascido em 18 de novembro de 1932, Henrique Espírito Santo foi, segundo a Cinemateca, que o homenageou em 2016, "cineclubista de formação, antifascista militante por convicção, diretor de produção e produtor de profissão e, 'last but not the least', formador de toda uma geração de profissionais de cinema na área da produção".

Crítico de cinema em várias publicações, foi professor na Escola de Cinema do Conservatório Nacional.

O nome de Henrique Espírito Santo está associado à produção de "A Promessa", de António de Macedo, que entrou na seleção oficial do Festival de Cannes, em 1973, "Jaime", de António Reis, pioneiro do documentarismo em Portugal, "Benilde ou a Virgem Mãe" e "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, e "A Fuga", de Luís Filipe Rocha, inspirado na fuga de Dias Lourenço da prisão de Peniche, entre mais de duas dezenas de filmes, que remontam ao final dos anos de 1960.

O funeral do produtor Henrique Espírito Santo vai decorrer na manhã de terça-feira, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, p corpo sairá do Hospital São Francisco Xavier na terça-feira, às 10h00, seguindo para o Cemitério dos Olivais, com a família a apelar aos amigos que se quiserem juntar para que o façam a partir das 11h15 no crematório do cemitério.

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