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"Sou um grão no deserto de incertezas que estamos a viver no Brasil"

Vai ser esta quinta-feira apresentado em Lisboa o livro ‘Sete Anos em Sete Mares’, uma espécie de diário de bordo da brasileira Bárbara Veiga, que passou vários anos nos mares a acompanhar ONG's na batalha pela preservação do ambiente.

"Encontro com piratas reais, prisões, sabotagem a navios de pesca ilegais, destruição de fazendas de atum, a luta contra a desflorestação da Amazónia e os bastidores de outras missões". É assim que é apresentado o livro 'Sete Anos em Sete Mares', da fotógrafa e documentarista brasileira Bárbara Veiga, uma ativista pela preservação do ambiente.

Bárbara está em Portugal para o lançamento, que acontece esta quinta-feira em Lisboa (às 18h30 na FNAC Chiado) e no próximo dia 15 no Porto (às 18h00 na Livraria Lello), e falou com o Notícias ao Minuto sobre as preocupações com o meio ambiente, sobre colocar a tónica da responsabilização também nas ações individuais e sobre as perspetivas de futuro na atual conjuntura política brasileira.

"No livro estão as várias etapas, desde a minha experiência pessoal como velejadora e exploradora dos oceanos até ao trabalho como assistente em missões contra crimes ambientais ao redor do mundo”, elucidou.

A primeira missão de Bárbara Veiga foi em 2006, no âmbito da sensibilização para a desflorestação amazónica, mas a chegada de outras propostas, por parte de várias ONG's (organizações não-governamentais), levou-a a prolongar as suas viagens marítimas até 2014, passando por mais de 80 países, ao lado de organizações como Greenpreace, Sea Shepherd, Amazon Watch e Avaaz.

Pelo meio, ainda ajudou a construir a Liga das Mulheres pelos Oceanos, uma iniciativa criada com duas colegas, uma jornalista e uma bióloga, destinada a mulheres interessadas em espalhar a palavra. "Nós as três, como comunicadoras, desejamos usar essa rede de apoio para mulheres que já trabalham com os oceanos em várias áreas, desde as artes, ou desporto, ou ciência. Unimo-nos para informar as pessoas sobre o que está a acontecer em redor do mundo".

Notícias ao MinutoLivro é apresentado em Lisboa e no Porto, este mês de maio© Reprodução

No entender de Bárbara Veiga, para além das aventuras, o livro explica como se processam duas grandes ameaças à biodiversidade: a questão da matança das baleias e da pesca do atum. "Existem fazendas de atum onde esses peixes são alimentados com rações transgénicas, para crescerem mais rápido para serem vendidos mais rapidamente", explicou.

"A questão do consumo é uma questão em que toda a gente pode fazer a diferença e assumir um papel consciente, que é algo que ainda não está a acontecer", acrescentou, ainda que com a ressalva de que a verdadeira mudança só acontecerá com "medidas enérgicas dos governos para impedir crimes ambientais",  assim como para controlar os "interesses das grandes empresas".

No que respeita à consciencialização de cada um, a fotógrafa defende que, ao nível do consumo, há muito que se pode fazer. "Comprar madeira certificada, alimentos que digam a sua procedência, apoiar os produtores locais, é uma postura que devemos adotar", indicou. "Há responsabilidade dos governos, mas acredito que temos de batalhar pela nossa visão do mundo, não só dizer aquilo em que acreditamos mas fazer aquilo em que acreditamos".

No que respeita ao futuro, e à luz da atual conjuntura política no Brasil (existe ministério do Meio Ambiente mas com 95% das verbas bloqueadas), Bárbara Veiga lamenta as incertezas mas não esmorece. "É um pouco assustador porque não sabemos, principalmente para quem trabalha com arte e meio ambiente – que é o meu caso-, quais vão ser as novas diretrizes e o impacto que vamos sofrer com essas novas leis e decisões que estão a ser tomadas. Mas continuo a acreditar na educação, por isso é que eu comecei um novo trabalho com a ideia de fazer contos para crianças sobre as experiências que tive no mar, para criar sensibilização”, afirmou.

"Sou um grão no meio desse deserto de incertezas que estamos a viver no Brasil, mas é através dessas iniciativas individuais que eu acredito numa mudança", terminou.

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