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Documentário mostra bastidores da fotografia de arquitetura

O documentário 'O Fotógrafo Voador' pretende mostrar o processo criativo, os bastidores e as relações estabelecidas no trabalho de Fernando Guerra, especializado em arquitetura, disse à Lusa a realizadora, Sara Nunes.

Documentário mostra bastidores da fotografia de arquitetura
Notícias ao Minuto

12:00 - 11/02/19 por Lusa

Cultura Fernando Guerra

O documentário, realizado por Sara Nunes com a chancela da Building Pictures e apoios de várias instituições, está "a meio das filmagens", depois de gravações no Brasil, o segundo país no qual o fotógrafo mais trabalha, além de Portugal, mas também no Dubai, num "observatório para pássaros" e onde se combinaram "as referências da arquitetura contemporânea com motivos árabes".

A ideia de fazer um documentário em torno de Fernando Guerra surgiu quando foi visitar a exposição que esteve patente em 2017 no CCB, conta Sara Nunes, à semelhança do fotógrafo formada em arquitetura.

"Fernando Guerra - Raio X de uma prática fotográfica" expôs de 2.500 a 3.000 imagens do autor, oferecendo uma viagem cronológica pela obra, mas também um registo sobre viagens e outros trabalhos, mostrando também vários carros restaurados pelo próprio, outra das suas "paixões".

Tem acompanhado a produção arquitetónica contemporânea, e as suas reportagens fotográficas já foram divulgadas em muitas publicações portuguesas e internacionais, sendo difundidas a uma escala global através da plataforma virtual "Últimas Reportagens", que constitui "um ponto de vista privilegiado sobre a arquitetura de hoje".

O fotógrafo tem trabalhado com arquitetos como Álvaro Siza Vieira, Manuel Graça Dias, Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça, Márcio Kogan, Isay Weifeld, Arthur Casas, Pei Cobb Freed. Era também um colaborador regular da arquiteta de origem iraquiana Zaha Hadid, que morreu em 2016.

Ao ver as fotografias escolhidas por Guerra e acompanhadas pelo som do autor a explicar as histórias por detrás do 'clique', apercebeu-se que ali estava "um bom contador de histórias" e queria registar "um testemunho que ninguém terá", e que tinha "muito para contar sobre a arquitetura portuguesa e do mundo".

Além das gravações no estrangeiro, há algum trabalho em Portugal que retrata "o processo criativo e as histórias por detrás das fotos, mas também a relação e paixão com os automóveis e como isso se liga com a arquitetura".

A relação de proximidade no trabalho, normalmente solitário, levou Sara Nunes a filmar "quase sempre sozinha", criando-se um laço de amizade entre os dois, até pelo "trabalho semelhante".

"Eu dizia, de forma engraçada, que queria ser o Fernando Guerra dos filmes de arquitetura, e que o Fernando seria a Sara Nunes das fotos de arquitetura", brinca, explicando ainda que sempre foi "fascinada pela ideia de alguém com um percurso tão grande ainda achar que pode fazer melhor", reportando a várias entrevistas, em que o perfecionismo, mas também "a generosidade", ficam patentes.

O lançamento do filme acontecerá ainda em 2019, revela a realizadora, e terá a chancela do Arquitecturas Film Festival, sendo que Sara Nunes espera que o documentário possa "chegar a mais pessoas para lá de um público mais especializado da arquitetura".

"Também pelo foco nas viagens, nos carros, e mesmo no próprio material que utiliza, acredito que possa chegar a um público mais alargado", acrescentou, apontando o "grande interesse" depois da divulgação do 'trailer' e as "centenas de contactos" que já recebeu, sendo que já há contactos para exibir "O Fotógrafo Voador" também no Brasil, China e Itália.

A realizadora procura agora patrocínios para financiar uma nova viagem à Ásia, também pela relação com Siza Vieira, de quem "o Fernando tem o maior arquivo fotográfico", até pelo interesse no trabalho de um fotógrafo pouco exposto e que aceitou o convite "contra todas as expetativas".

O trabalho com pessoas, e a forma como se integra nas fotos de edifícios e outras construções, é uma marca de Guerra, cujo "lado humano" é aqui valorizado ao lado do trabalho em várias zonas do mundo e com várias técnicas.

"Tornámo-nos grandes amigos, e é um resultado do bom funcionamento da rodagem do filme, acabamos por nos compreender mutuamente. (...) Faço filmes porque tenho esta vontade de aproximar pessoas da arquitetura, e o Fernando é dos fotógrafos que chega a um público mais vasto", acrescenta.

A Building Pictures contou com o apoio de O Feliz, da Panoramah!, além de parcerias com a Casa da Arquitetura, a Trienal de Lisboa, a Ordem dos Arquitetos, o UPTEC, o ArchDaily e as faculdades de arquitetura da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa.

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